Estudo de 2026 revela que a Amazônia virou fonte de carbono em 2023 sem aumento de incêndios, após perda da capacidade de absorção da floresta.
Segundo a revista AGU Advances, em estudo publicado em fevereiro de 2026 pela American Geophysical Union, a Amazônia se tornou uma fonte líquida de carbono em 2023, liberando entre 10 e 170 bilhões de quilogramas de carbono para a atmosfera, incluindo emissões associadas a incêndios.
A mudança representa uma ruptura histórica: a maior floresta tropical do planeta, que absorve carbono desde muito antes da civilização humana existir, passou a emitir mais do que captava. O fenômeno foi mais intenso na segunda metade do ano, impulsionado por uma combinação de aquecimento global, temperaturas oceânicas elevadas no Atlântico e no Pacífico, prolongamento da estação seca e a transição climática de La Niña para El Niño.
O ponto central do estudo não é apenas o volume de emissões, mas o mecanismo identificado: as emissões por incêndios permaneceram dentro da média histórica de longo prazo entre 2003 e 2023. O que levou a floresta a se tornar emissora foi a própria vegetação em pé, que reduziu sua capacidade de absorver carbono sob estresse hídrico e térmico extremo.
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Floresta amazônica funciona como sumidouro de carbono ao equilibrar fotossíntese e respiração, mas depende diretamente da disponibilidade de água
A Amazônia cobre aproximadamente 5,5 milhões de quilômetros quadrados de biomassa viva, funcionando como um dos maiores reguladores climáticos do planeta.
Em condições normais, a floresta atua como um sumidouro líquido de carbono. As árvores capturam CO₂ da atmosfera por meio da fotossíntese e armazenam esse carbono na madeira, nas raízes, no solo e na serrapilheira.
Estudos de balanço de carbono indicam que a Amazônia intacta sequestrava historicamente entre 0,4 e 0,7 gigatoneladas de carbono por ano líquido, contribuindo significativamente para amortecer o aquecimento global.
Esse equilíbrio depende de dois fatores fundamentais: luz solar e água. Enquanto a luz é abundante nos trópicos, a água é o elemento limitante.
Estresse hídrico extremo em 2023 forçou árvores a fechar estômatos e interromper a absorção de carbono
Durante a seca de 2023, vastas áreas da Amazônia enfrentaram déficits hídricos severos. Sob esse estresse, as árvores ativam um mecanismo de defesa: o fechamento dos estômatos, pequenos poros nas folhas responsáveis pela troca de gases.
Quando os estômatos se fecham, a entrada de CO₂ é reduzida drasticamente ou interrompida, limitando a fotossíntese. No entanto, a respiração das plantas continua liberando CO₂. O resultado é um balanço negativo: a floresta passa de absorvedora para emissora de carbono.
Região leste da Amazônia já atuava como fonte de carbono antes de 2023 devido a desmatamento e aquecimento prolongado
Estudos anteriores publicados na revista Nature já haviam identificado que partes da Amazônia, especialmente o leste e o sudeste, vinham atuando como fontes líquidas de carbono entre 2010 e 2018.
Essas regiões apresentaram maior desmatamento e aquecimento ao longo das últimas décadas, além de maior estresse hídrico durante a estação seca.
O estudo de 2026 amplia esse cenário ao mostrar que, em 2023, o estresse climático foi suficientemente intenso para inverter o balanço de carbono de toda a floresta, não apenas das áreas mais degradadas.
Seca de 2023 não foi a mais intensa da história, mas ocorreu em um contexto climático mais quente e crítico
A seca de 2023 não superou eventos anteriores como os de 2005 e 2015/2016 em todos os indicadores de déficit hídrico.
No entanto, ocorreu em um contexto climático mais quente. O ano de 2023 foi o primeiro a ultrapassar consistentemente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais ao longo de doze meses.
Além disso, as temperaturas da superfície do Atlântico tropical e do Pacífico equatorial estavam significativamente acima da média.
Aumento de temperatura intensifica evapotranspiração e reduz tolerância das árvores ao estresse hídrico
A temperatura na Amazônia aumentou cerca de 0,5°C desde 1980, com maior aquecimento durante a estação seca.
Esse aumento eleva a demanda evaporativa das plantas e reduz o limite de tolerância ao estresse hídrico. Mesmo pequenas variações de temperatura ampliam o impacto das secas sobre a vegetação.
Os modelos climáticos tradicionais são eficientes para calcular emissões por desmatamento direto. No entanto, apresentam limitações para capturar o impacto de florestas intactas sob estresse.
Uma floresta pode parecer saudável em imagens de satélite, mas estar absorvendo menos carbono devido a alterações fisiológicas invisíveis.
Redução da fotossíntese, mortalidade lenta de árvores e perda de crescimento afetam balanço de carbono em múltiplas escalas
O processo ocorre em diferentes níveis. No nível das folhas, o fechamento estomático reduz a fotossíntese. No nível das árvores, a mortalidade pode ocorrer lentamente, sem sinais imediatos visíveis. No nível da floresta, anos consecutivos de estresse reduzem o crescimento líquido da biomassa.

A Amazônia também regula o ciclo hidrológico da América do Sul. As árvores liberam grandes volumes de vapor d’água na atmosfera, formando os chamados rios voadores.
Quando a transpiração diminui, o volume de umidade transportado também cai, reduzindo as chuvas em regiões como o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil.
Estresse da floresta amazônica pode agravar secas em regiões agrícolas e impactar reservatórios hidrelétricos
A redução das chuvas afeta diretamente a agricultura e a geração de energia. O impacto da seca amazônica se propaga para outras regiões, ampliando os efeitos econômicos.
Estudo publicado em fevereiro de 2026 na Global Change Biology mostrou que a Bacia do Congo apresentou expansão de áreas úmidas entre 2007 e 2024.
Esse processo aumentou a produtividade da floresta e reduziu emissões líquidas de carbono. A principal diferença entre as duas regiões é o nível de desmatamento.
A Amazônia sofreu maior degradação, comprometendo seus sistemas hidrológicos. O Congo mantém maior integridade ecológica.
Cientistas ainda não sabem se a Amazônia pode recuperar sua capacidade de absorção de carbono após 2023
O estudo destaca que ainda não é possível determinar se a mudança é permanente. A floresta já demonstrou capacidade de recuperação após eventos anteriores.
O dado mais crítico é que a mudança ocorreu sem aumento de desmatamento. A floresta estava em pé, mas deixou de absorver carbono.
Agora queremos saber: se a Amazônia pode se tornar fonte de carbono mesmo sem desmatamento, o que isso significa para o futuro do clima global?


So tirar as árvores velhas e deixar as novas crescere sequestrar o carbono da atmosfera.
Simples assim
Excelente. Tem que emitir mais ainda considerando que o carbono é a molécula da vida. Ou as pessoas pensam que as plantas se alimentam de quê?! MC Donald’s?!
“Aquecimento global” é uma forma de por medo nas pessoas mais desinformadas. É uma grande bobagem da mesma forma quando se fala em efeito estufa. Se as pessoas sabem como é uma estufa sabem que o planeta não tem essa característica.
Você leu só o título da matéria e deixou um comentário super ****. Parabéns, **** .
Políticos “amazonenses” de origem paraense e paulista junto com um mineiro, ardentes defensores do asfaltamento da **** BR -319, deveriam ler esse artigo e não construir narrativas sobre a situação do povo amazonense. Hoje em dia Manaus é tem um dos PIBs mais altos do norte brasileiro. Vejam o exemplo da BR-163 aqui no. Pará que é uma amostra do que vocês querem fazer com a nossa maior indústria que é a floresta amazônica em pé.