A visita à obra registrada pelo Entre Pra Morar mostra os 5 contêineres de 40 pés, a janela circular refeita 3 vezes, a laje de manta sem telhado e os arrependimentos que o casal divide sem filtro
Uma casa de contêineres com módulos flutuando em balanço, elevador no lugar da escada e vista para a Pedra do Baú: a obra do casal de Taubaté, no interior de São Paulo, é um catálogo de soluções fora do manual. Segundo o canal Entre Pra Morar, em visita publicada em setembro de 2021, o projeto usa 5 contêineres de 40 pés, dois deles apoiados em cima com balanço para fora, dois embaixo e um quinto atravessado no térreo.
A obra também é um retrato do mercado. Os primeiros 4 módulos foram comprados em 2019 por cerca de R$ 6.700 cada, e na época da visita um contêiner igual, para retirada em Taubaté, já custava R$ 17 mil, conforme o Entre Pra Morar registra na conversa com os donos. Entre a compra e a obra, o preço do aço praticamente triplicou.
5 módulos de 40 pés: 2 em cima, em balanço
O desenho da casa de contêineres aproveita o que o aço tem de melhor. Segundo o Entre Pra Morar, o térreo reúne sala de TV, sala de jantar e cozinha integradas, um lavabo e um escritório que serve de quarto de visitas, enquanto o piso superior recebe as suítes e mais um quarto.
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O balanço é a assinatura estrutural do projeto. Os módulos superiores avançam além do apoio, soldados e travados pelas castanhas dos cantos, criando sombra para a garagem e para a futura área gourmet embaixo, que terá cobertura de policarbonato com forro de esteiras de bambu, conforme o canal Entre Pra Morar no YouTube mostra. No total, os 5 módulos somam cerca de 120 metros quadrados, e a área útil passa dos 200 metros quadrados quando entram beirais e balanços.
De R$ 6.700 a R$ 17 mil: o contêiner que triplicou

A linha do tempo dos preços conta a história do setor entre 2019 e 2021. Segundo o Entre Pra Morar, o casal pagou R$ 6.700 por módulo na primeira leva, teve dor de cabeça com a empresa da compra inicial e preferiu pagar um pouco mais caro pelo último contêiner numa fornecedora sem sustos.
A alta não poupou nenhum material. Chapa de drywall, guias e montantes quase dobraram de preço, e o milheiro de tijolo triplicou no mesmo período, conforme o Entre Pra Morar registra na conversa sobre orçamento. A lição do casal virou conselho no vídeo: quem comprou os módulos cedo travou o custo da estrutura antes da disparada, e o restante da obra virou uma corrida contra a inflação dos materiais.
O elevador caseiro que venceu a escada
A decisão mais inusitada da obra nasceu de um conflito entre projeto e paisagem. Segundo o Entre Pra Morar, a abertura no piso superior seria uma escada externa, mas a parede necessária taparia a vista da futura área gourmet para o terreno, e o casal resolveu instalar um elevador caseiro no vão.
A conta surpreendeu até quem duvidou. O elevador com motor e redutor sai mais barato que a escada, que exigiria alicerce, mão de obra de pedreiro para levantar parede de 6 metros e ainda a laje da própria escada, conforme o Entre Pra Morar detalha. O sistema desce com uma placa que fecha o vão junto com a cabine, sem deixar buraco aberto no piso de cima, e ainda vai facilitar a mudança e o transporte de carga entre os andares.
A janela redonda que quase custou a paciência

Todo projeto autoral tem um detalhe que vira novela, e aqui foi o círculo da fachada. Segundo o Entre Pra Morar, a janela redonda é o diferencial da casa e também o item mais sofrido: a mão de obra errou a calandra do requadro 3 vezes, e a janela acabou ficando 30 centímetros menor que o diâmetro planejado.
O desabafo dos donos virou o momento mais honesto da visita. Nas palavras do casal, o círculo estava saindo mais caro que a construção inteira, de tanto refazer, conforme o Entre Pra Morar registra com bom humor. Fica o aviso para quem sonha com curvas em casa de aço: calandrar chapa com precisão é serviço raro, e cada erro cobra em material e em prazo.
Sem telhado, com manta: a laje que segura a chuva
A cobertura da casa desafia o senso comum da construção brasileira. Segundo o Entre Pra Morar, o telhado ficou para uma fase futura por questão de dinheiro, e o teto dos contêineres recebeu manta asfáltica coberta por manta líquida, a mesma pintura impermeabilizante usada em lajes, sem nenhuma infiltração até a visita.
O telhado que virá tem função tripla. Além de reforçar o isolamento térmico e acústico, a estrutura vai servir de base para as placas fotovoltaicas, conforme o Entre Pra Morar antecipa. É o roteiro clássico da casa de contêineres bem pensada: primeiro estanque, depois confortável, por fim geradora da própria energia.
Os arrependimentos: vidro demais e a chapa gelada
A parte mais valiosa da visita é a lista do que o casal faria diferente. Segundo o Entre Pra Morar, o excesso de vidro é o arrependimento número um: com vidro temperado comum de 8 milímetros, o quarto da fachada circular fica insuportável no sol da tarde, e a recomendação dos próprios donos é investir em vidro duplo ou proteger as aberturas com paisagismo.
O inverno também ensinou. Nas junções dos módulos, a chapa de aço exposta vira um bloco de gelo que gela a casa inteira nos dias frios, conforme o Entre Pra Morar registra, um lembrete de que o isolamento de lã de rocha nas paredes precisa de atenção redobrada nos pontos de emenda. A casa foi erguida alta do chão de propósito, contra a umidade e o calor do piso, e o frio que sobe por baixo entrou na lista de ajustes.
Truques de quem constrói: porta pivotante e bancada da própria chapa
O reaproveitamento é o esporte favorito da obra. Segundo o Entre Pra Morar, uma porta original de contêiner retirada do módulo superior virou a porta de entrada da sala, instalada como pivotante por causa do peso, e a bancada da cozinha será feita com a própria chapa cortada do contêiner.
Até o piso original entrou no plano estético. A madeira do assoalho dos contêineres será lixada e tratada, mantendo os arranhões e os furos de parafuso como parte da pegada industrial, conforme o Entre Pra Morar mostra. No terraço em obras, a criatividade venceu a inflação: com a chapa nova cara demais, o casal passou a garimpar peças de ferro-velho para fechar os vãos.
O orçamento da casa de contêineres: de R$ 150 mil para R$ 250 mil
A planilha da casa conta a mesma história dos materiais. Segundo o Entre Pra Morar, o orçamento inicial apontava cerca de R$ 150 mil para a casa inteira acabada, e a estimativa na época da visita já rondava R$ 250 mil, empurrada pela alta generalizada da construção.
Mesmo assim, a conta por metro segue competitiva. Uma casa de mais de 200 metros quadrados de área, com estrutura pronta em dias de montagem e liberdade total de layout, mantém o projeto atrativo frente à alvenaria equivalente, conforme o Entre Pra Morar avalia na visita. A estratégia do casal para não travar a obra foi faseá-la: primeiro o essencial habitável, depois telhado, área gourmet e acabamentos, no ritmo do bolso.
O vídeo percorre o térreo, o piso superior, o vão do elevador, a laje impermeabilizada e os bastidores das escolhas do casal.
A casa de contêineres de Taubaté é o retrato do autoconstrutor brasileiro em versão aço: soluções criativas, orçamento vivo e a honestidade rara de mostrar também o que deu errado. Conta pra gente nos comentários: tu instalarias um elevador caseiro no lugar da escada?

