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40 milhões de toneladas de lítio de 16 milhões de anos: mina nos EUA projeta produção em 2026 e reposiciona disputa global dominada pela China

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 26/01/2026 às 00:54
https://www.ecoticias.com/en/40-million-tons-from-16-million-years-ago-a-us-mine-puts-china-at-a-disadvantage/21275/
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A descoberta de 40 milhões de toneladas métricas de lítio na Caldeira McDermitt, formação vulcânica entre Nevada e Oregon criada há 16 milhões de anos, reposiciona os Estados Unidos na disputa global por minerais estratégicos, hoje concentrada na China, mas enfrenta entraves técnicos, ambientais, legais e de infraestrutura que podem retardar impactos imediatos no mercado

O anúncio, em 2023, da descoberta de 40 milhões de toneladas métricas de lítio na Caldeira McDermitt, entre Nevada e Oregon, reposiciona os Estados Unidos na cadeia mineral estratégica, hoje dominada pela China, ao apontar produção a partir de 2026 e potencial impacto no fornecimento para veículos elétricos.

Descoberta geológica e dimensão do depósito

Pesquisadores anunciaram em 2023 a presença de 40 milhões de toneladas métricas de lítio na Caldeira McDermitt, uma cratera vulcânica adormecida localizada na fronteira entre Nevada e Oregon. O volume é apresentado como possivelmente a maior reserva de lítio já identificada no mundo.

A formação geológica do depósito remonta a mais de 16 milhões de anos, quando intensa atividade vulcânica deixou concentrações elevadas de minerais. O material preservado sob o solo passou a ser considerado estratégico diante da expansão global da demanda por lítio.

O interesse se concentra no papel do lítio como componente essencial de baterias usadas em veículos elétricos, smartphones, laptops e sistemas de armazenamento de energia renovável. Com o avanço da descarbonização, a demanda pelo mineral deve aumentar drasticamente até 2035.

Produção prevista e papel da Thacker Pass

A mina de Thacker Pass, situada dentro da Caldeira McDermitt, é operada pela empresa Lithium Americas. Segundo a companhia, a produção está programada para começar em 2026, marcando um novo capítulo na mineração de lítio em território americano.

De acordo com as projeções divulgadas, os Estados Unidos esperam fornecer lítio suficiente para mais de mil veículos elétricos por ano a partir da operação. O número é citado como referência inicial para a capacidade produtiva do empreendimento.

Embora a China tenha dominado por décadas o fornecimento global de lítio, especialmente por meio do processamento mineral, a entrada em operação de Thacker Pass é apresentada como um fator capaz de reduzir a dependência externa americana.

Segurança nacional e cadeia produtiva

O valor estratégico do lítio passou a ser associado diretamente à segurança nacional. Atualmente, a China processa cerca de 60% do lítio mundial e lidera a produção de baterias de lítio em escala global.

Até agora, a produção americana limitou-se a uma fração do volume chinês, concentrada na mina de Silver Peak, em Nevada. A Caldeira McDermitt surge como uma alternativa capaz de alterar essa relação de forças no médio prazo.

O lítio identificado na caldeira está contido principalmente em minerais argilosos, especialmente hectorita, que exigem processos de extração mais complexos. Para viabilizar a produção, será necessária infraestrutura semelhante à utilizada atualmente na China.

Legisladores americanos manifestaram apoio à criação dessa infraestrutura, com o objetivo de transformar os Estados Unidos em uma indústria de lítio verticalmente integrada, abrangendo extração, processamento e aplicação industrial.

Obstáculos ambientais e disputas legais

Apesar do potencial econômico, a exploração da Caldeira McDermitt enfrenta resistência significativa. O local de Thacker Pass está situado em terras consideradas sagradas por diversas tribos indígenas americanas, o que gerou oposição pública imediata.

Batalhas judiciais vêm ocorrendo, com alegações de que a mina pode comprometer o patrimônio cultural e violar a legislação federal. Esses processos têm provocado atrasos no cronograma de fornecimento previsto.

Outras preocupações incluem a possível destruição de habitats naturais e as emissões associadas à extração do lítio. A mineração do mineral não é considerada sustentável, o que intensifica o debate ambiental em torno do projeto.

Esses entraves legais e ambientais podem manter os Estados Unidos dependentes de importações no curto prazo, mesmo diante da descoberta considerada notável e estrategica.

Competição internacional e perspectivas

Enquanto os Estados Unidos enfrentam desafios internos, países como Chile, Argentina e Austrália investem na aceleração de sua produção de lítio. O movimento amplia a competição global pelo controle do fornecimento do mineral.

Na América do Sul, um chamado paraíso azul rico em energia também foi identificado, reforçando o apoio americano à expansão da extração de lítio fora de seu território, como parte de uma estratégia complementar.

Com 40 milhões de toneladas de lítio formadas há 16 milhões de anos, os Estados Unidos avançam de forma gradual rumo à redução da dependência externa. Imagens de satélite indicaram ainda a exposição de outra grande mina americana, com 4 trilhões de litros de lítio sob uma área aparentemente comum.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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