Iniciativa comunitária feminina transforma rio seco em curso ativo no semiárido indiano, ganha destaque nacional após menção do premiê e passa a enfrentar pressões imobiliárias em área de proteção ambiental.
Um grupo de mais de 30 mulheres transformou um trecho considerado praticamente seco em um curso d’água novamente funcional no norte da Índia, ao improvisar um sistema de retenção com sacos de areia para segurar a água das chuvas e favorecer a recarga hídrica.
A iniciativa, liderada pelas chamadas Jal Sahelis, ganhou projeção nacional após ser mencionada pelo primeiro-ministro Narendra Modi em seu programa de rádio, mas agora enfrenta disputas envolvendo construções nas margens do rio.
Localizado na região de Jhansi, no estado de Uttar Pradesh, o rio Ghurari é descrito por veículos indianos como um curso de cerca de 85 quilômetros que influencia vilarejos também conectados a áreas vizinhas de Madhya Pradesh.
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Reportagens apontam que ele é tributário do rio Betwa e que sua recuperação impacta diretamente o abastecimento doméstico e a irrigação em uma das áreas mais afetadas por estiagens recorrentes.
Retenção de chuva e recuperação do rio Ghurari
Em vez de apostar em uma obra de grande porte, as voluntárias concentraram esforços em um ponto estratégico do leito, onde reforçaram um dique já existente com sacos preenchidos com areia, formando um “check dam” improvisado.
A estrutura teve como objetivo reduzir a velocidade do escoamento superficial durante o período de chuvas e ampliar o tempo de infiltração no solo.
A lógica é conhecida em estratégias de conservação hídrica adotadas em regiões semiáridas: ao conter o fluxo rápido das enxurradas, aumenta-se a recarga subterrânea e a permanência de água no próprio curso.
Com isso, rios intermitentes podem manter trechos com lâmina d’água por mais tempo, reduzindo os efeitos imediatos da seca sobre comunidades rurais.
Segundo relatos divulgados pela imprensa local, a intervenção com sacos de areia ajudou a impedir que a água da chuva fosse perdida rapidamente, favorecendo a reposição do Ghurari em períodos críticos.
A imagem do barramento simples, construído com materiais acessíveis e mão de obra comunitária, passou a simbolizar uma solução de baixo custo diante de um problema estrutural.
O caso ganhou repercussão quando foi citado no programa Mann Ki Baat, no qual Narendra Modi destacou a ideia de reter água para recarregar o rio.
A menção ampliou a visibilidade do grupo e colocou o Ghurari no centro do debate sobre gestão descentralizada de recursos hídricos na região de Bundelkhand.
Jal Sahelis e gestão comunitária da água em Bundelkhand
As Jal Sahelis atuam como uma rede de mulheres organizadas em vilarejos da região, com foco em segurança hídrica e mobilização comunitária.
A iniciativa é associada ao programa criado em 2011 por Sanjay Singh, ligado à organização Parmarth Samaj Sevi Sansthan, voltado à formação feminina para monitoramento e gestão local da água.
Reportagens internacionais descrevem que, ao longo dos anos, a rede se expandiu para centenas de aldeias, alcançando mais de mil integrantes em diferentes pontos de Bundelkhand.
O modelo combina ações práticas, como reabilitação de estruturas tradicionais de retenção, com pressão social por manutenção de reservatórios e fiscalização de intervenções em áreas sensíveis.
No caso de Jhansi, a atuação das voluntárias não se limitou ao reforço do barramento, mas incluiu mobilização comunitária para garantir manutenção contínua do trecho revitalizado.
A permanência da água no leito passou a ser percebida como resultado de acompanhamento constante e não apenas de uma ação pontual.
Pressão imobiliária e disputas em área de proteção
A recuperação do rio, no entanto, trouxe um efeito colateral que costuma acompanhar processos de revalorização ambiental.
Depois que o Ghurari voltou a apresentar fluxo visível e uso cotidiano, surgiram relatos de construções nas proximidades de áreas consideradas de proteção.
Veículos indianos informaram que integrantes do grupo, junto ao ativista ambiental Sanjay Singh, registraram queixa policial sobre uma obra supostamente instalada em faixa de proteção nas imediações de Simrawari, em Jhansi.
A denúncia menciona possível impacto sobre a planície de inundação e sobre o fluxo natural do curso d’água.
Autoridades administrativas teriam realizado vistoria no local após a reclamação, segundo a cobertura da imprensa.
As primeiras avaliações indicaram que o fluxo não estava interrompido naquele momento, mas a demarcação definitiva da área e a verificação completa dependeriam de procedimentos formais e análises técnicas.
A disputa evidencia uma tensão recorrente em áreas revitalizadas, onde o aumento do valor ambiental e econômico desperta interesse imobiliário.
Normas de proteção costumam restringir construções em zonas de inundação, mas a aplicação dessas regras depende de fiscalização contínua e definição clara de limites.
Semiárido indiano e desafios da escassez hídrica
A região de Bundelkhand é frequentemente citada por enfrentar ciclos severos de seca, com impactos diretos na agricultura e no abastecimento rural.
Nesse contexto, iniciativas locais de retenção de água e recuperação de cursos intermitentes ganham importância estratégica para reduzir vulnerabilidades.
Experiências anteriores associadas às Jal Sahelis mostram que pequenas intervenções, quando somadas à organização comunitária, podem gerar efeitos perceptíveis na disponibilidade hídrica.
Ainda assim, especialistas ressaltam que soluções pontuais não substituem políticas públicas estruturais de gestão de bacias e planejamento territorial.
No caso do Ghurari, a revitalização descrita pela imprensa se tornou exemplo simbólico de ação de base, mas também expôs os desafios de proteger um recurso recém-recuperado.
A continuidade dos benefícios depende tanto da manutenção física do barramento quanto da proteção legal das margens e da planície de inundação.
Ao transformar um leito quase seco em um curso novamente funcional com recursos simples e mobilização coletiva, as mulheres de Jhansi recolocaram a água no centro da vida comunitária.
Resta saber se o poder público e a sociedade conseguirão assegurar que o espaço recuperado permaneça protegido diante de novos interesses econômicos e pressões territoriais.


Parabéns as pessoas de iniciativa própria. Caro Sebastião, aqui no Brasil também tem muitos homens que vivem do grande esforços das mulheres. Mas, também fico indignada qdo vejo pessoas cheias de forças e vida, na hora de trabalhar, estando nas filas dos bancos, pegando essas bolsas de família ou coisa similar…
O pessoal do Haiti, Venezuela, etc, vem prá cá e acham local para trabalhar. Muitos brasileiros na preguiça, desculpe os que não podem trabalhar…
Enquanto isso no Brasil, muitas mulheres ficam ociosas esperando o final do mês para cair o bolsa família na conta.
Sebastião J. de oliveira vc reza pra pneu
O Brasil deveria investir em mais contenção de água de chuva para abastecer as cidades ,só assim não faltaria água nunca mais.