1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / 18 cientistas lançam alerta em novo estudo: eventos extremos podem atingir 36% dos habitats terrestres até 2085 e colocar espécies sob calor, incêndios, secas e inundações em sequência
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

18 cientistas lançam alerta em novo estudo: eventos extremos podem atingir 36% dos habitats terrestres até 2085 e colocar espécies sob calor, incêndios, secas e inundações em sequência

Publicado em 27/04/2026 às 14:40
Atualizado em 27/04/2026 às 14:54
Assista o vídeoEventos extremos, Cientistas
Imagem: Ilustração
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Estudo liderado pelo PIK projeta que 36% dos habitats terrestres podem enfrentar calor, incêndios e inundações até 2085, mas corte rápido nas emissões reduziria a exposição múltipla para 9% no cenário de reversão climática futura

Até 2085, 36% dos habitats terrestres das espécies poderão ficar expostos a múltiplos eventos extremos, como ondas de calor, incêndios ou inundações, se o aquecimento continuar avançando na segunda metade do século.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Estudo reúne 18 cientistas

A conclusão está em estudo publicado recentemente na revista Nature Ecology & Evolution. O trabalho reúne 18 cientistas internacionais, com liderança do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, o PIK.

A autora principal, Stefanie Heinicke, pesquisadora do PIK, afirmou que as mudanças climáticas e os extremos ainda são muito subestimados no planejamento de conservação. Para ela, o risco não será apenas uma elevação gradual da temperatura.

Impacto pode vir em sequência

Uma única onda de calor, inundação ou incêndio já pode devastar populações animais. Quando diferentes eventos extremos acontecem em sequência, os efeitos sobre espécies e habitats se tornam maiores, atingindo áreas de sobrevivência de forma combinada.

Estudos anteriores registraram esse agravamento após os incêndios de 2019-2020 na Austrália. Em áreas que também tinham sofrido seca logo antes, espécies de plantas e animais tiveram declínio de 27 a 40% maior.

Esse dado mostra como a sobreposição de impactos pesa sobre a biodiverisdade. A destruição causada por fogo, seca, calor ou água em excesso pode ser mais severa quando esses fatores não aparecem isolados.

Emissões podem reduzir risco

O mesmo estudo aponta que uma redução rápida das emissões a zero líquido ainda poderia evitar grande parte desses impactos. Nesse cenário, o aquecimento começaria a reverter na segunda metade do século.

Com essa mudança, apenas 9% do habitat dos animais terrestres ficaria exposto a múltiplos tipos de eventos extremos até 2085.

A diferença mostra a distância entre um aquecimento prolongado e um caminho de reversão.

Heinicke afirmou que ainda é possível fazer grande diferença ao reduzir emissões o mais rápido possível. A projeção coloca a ação climática como ponto central para limitar perdas futuras.

Modelagem amplia a análise

A pesquisa analisa impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade terrestre. Em vez de observar a temperatura média, trabalha com modelos de impacto climático e dados mais complexos.

Esses modelos permitem projetar áreas inundadas, incêndios florestais e outros efeitos associados às mudanças climáticas.

Assim, o estudo compara diferentes ameaças sobre habitats terrestres atuais das espécies, dentro de cenários para o fim do século.

No cenário em que o aquecimento global continua na segunda metade do século, 74% dos habitats animais terrestres atuais estarão expostos a ondas de calor. Outros 16% enfrentarão incêndios florestais, 8% secas e 3% inundações fluviais.

Essas áreas incluem regiões importantes de grande biodiversidade na bacia amazônica, na África e no Sudeste Asiático.

O avanço de ameaças simultâneas sobre esses espaços aumenta a preocupação com espécies que dependem desses habitats.

Incêndios aparecem com força

A coautora Katja Frieler destacou o peso das projeções de incêndios florestais. Ela lidera o Projeto de Intercomparação de Modelos de Impacto Intersetorial, o ISIMIP, e chefia um departamento de pesquisa do PIK.

Frieler afirmou que é notável ver projeções tão significativas para incêndios. A cientista também apontou que havia uma lacuna importante sobre a exposição de animais ao fogo em estudos desse tipo.

Para ela, o resultado chama atenção porque os incêndios aparecem como ameaça maior do que a seca. Esse ponto amplia o foco do debate sobre eventos extremos e seus efeitos diretos nos habitats terrestres.

O alerta central do estudo é que o futuro dos habitats depende da trajetória do aqeucimento nas próximas décadas.

Com emissões reduzidas rapidamente, o alcance dos impactos múltiplos pode cair de forma expressiva até 2085.

Com informações de Potsdam.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x