Garrafas recolhidas por moradores e estudantes receberam embalagens e outros resíduos inorgânicos compactados antes de serem fixadas às paredes. A técnica preserva fundações, pilares e vigas de concreto armado, enquanto os ecotijolos funcionam como preenchimento dos vãos da construção escolar.
Em Zaculeu, comunidade rural do município de Tecpán, na Guatemala, cerca de 10 mil garrafas plásticas foram incorporadas às paredes de três novas salas de aula depois de serem preenchidas com resíduos inorgânicos e transformadas em ecotijolos.
A construção foi realizada com participação da comunidade e da organização Hug It Forward, responsável pelo modelo conhecido como Bottle Schools. O projeto foi concebido para atender uma escola local e ampliar o espaço disponível aos estudantes.
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O educador Michael Lubelfeld, que participou presencialmente da construção, registrou que aproximadamente 10 mil garrafas foram utilizadas nas três salas. Em seu relato, estimou que a iniciativa alcançaria mais de 386 estudantes, 13 professores e cerca de 600 famílias da região.
Antes da ampliação, a escola primária de Zaculeu possuía dez salas, mas três eram antigas, pequenas e consideradas inadequadas pela organização. As novas unidades ocuparam uma área disponível na comunidade e foram planejadas para aumentar a capacidade da estrutura escolar.
Garrafas ocupam os vãos, mas não sustentam o prédio
O processo começa com a coleta de garrafas PET usadas. Sacolas, embalagens e outros resíduos inorgânicos são inseridos e compactados no interior dos recipientes até que eles fiquem rígidos o suficiente para serem usados como unidades de preenchimento.
Esses ecotijolos, porém, não substituem fundações, colunas ou vigas responsáveis pela estabilidade da construção. A estrutura principal permanece baseada em concreto reforçado, enquanto as garrafas preenchidas ocupam os espaços das paredes entre os elementos estruturais.
Depois da execução da estrutura, telas metálicas são instaladas nos vãos e as garrafas são amarradas à malha, formando painéis contínuos. A superfície recebe então uma camada de cimento, que cobre os recipientes e deixa a parede com acabamento semelhante ao convencional.
A Hug It Forward descreve esse método como uma forma de incorporar resíduos à construção sem transferir ao plástico a função estrutural do edifício. Para uma escola típica de três salas, a organização calcula uma necessidade próxima de 10,5 mil ecotijolos, dependendo das dimensões adotadas.
No caso de Zaculeu, o total informado por Lubelfeld ficou próximo dessa referência. Cada recipiente utilizado continha não apenas o plástico da própria garrafa, mas também resíduos inorgânicos compactados que passaram a permanecer protegidos dentro das paredes depois da aplicação do revestimento.
Crianças e famílias participaram da preparação
A produção dos ecotijolos ocorreu antes de as garrafas chegarem à obra. Crianças, famílias e outros moradores participaram da coleta dos recipientes e do material colocado dentro deles, assumindo uma etapa que podia ser realizada sem equipamentos especializados de construção.
No relato de Michael Lubelfeld sobre o trabalho em Zaculeu, o educador afirma que grande parte das garrafas foi reunida pelas próprias crianças e que resíduos foram recolhidos em casas, ruas e outros pontos da comunidade.
A participação local também avançou para a montagem das paredes, ao lado dos voluntários envolvidos no projeto. O trabalho comunitário, no entanto, não eliminou profissionais nem materiais convencionais necessários para etapas como estrutura, pisos, cobertura, alvenaria e acabamento das salas.
Essa divisão é uma característica do método: moradores conseguem contribuir diretamente com a coleta, o enchimento e a colocação dos ecotijolos, enquanto os componentes responsáveis por suportar as cargas do edifício permanecem ligados a técnicas tradicionais de construção.
O resultado é uma parede na qual as garrafas deixam de ser visíveis depois da aplicação do cimento. O plástico continua no interior, preso à malha e protegido pelo revestimento, enquanto pilares e vigas de concreto armado permanecem responsáveis pela sustentação principal.
Ampliação respondeu à falta de espaço adequado
A construção das três salas partiu de uma necessidade concreta da escola. A Hug It Forward informou que três ambientes existentes haviam sido erguidos após o terremoto de 1976 e já eram considerados pequenos e inadequados diante das necessidades da comunidade escolar.
A organização também registrou que havia a intenção de ampliar ainda mais a estrutura e que o Ministério da Educação da Guatemala apoiaria a utilização dos novos espaços com professores adicionais, condição necessária para que as salas construídas pudessem receber turmas.
Zaculeu é descrita nos relatos do projeto como uma comunidade indígena maia da região de Tecpán. Moradores falam Kaqchikel, além do espanhol, e participaram diretamente de uma obra destinada a atender estudantes da própria localidade.
A primeira etapa não encerrou a expansão da escola. A Hug It Forward registra uma fase posterior com mais duas salas, planejadas para ampliar as possibilidades de continuidade dos estudos dentro de Zaculeu, mantendo o mesmo princípio de participação comunitária empregado nas três unidades iniciais.

