Mateo, de Urussanga, trabalha há oito anos em sorveterias na Alemanha e passou por 25 estabelecimentos. À Süddeutsche Zeitung Magazin, relatou jornadas semanais de 80 horas e ambiente tóxico. A reportagem descreve brasileiros registrados como de meio período, embora trabalhem mais horas que a jornada integral de oito horas do país.
Mateo, morador de Urussanga, no Sul de Santa Catarina, afirmou trabalhar há oito anos em sorveterias na Alemanha e ter passado por 25 estabelecimentos espalhados pelo país nesse período. Segundo ele, os empregos compartilhavam dois elementos: jornadas semanais de 80 horas e um ambiente que classificou como tóxico. “Somos tratados como escravos na Alemanha”, declarou.
Segundo reportagem do ND Mais, publicada em 26 de agosto de 2026, os relatos foram dados originalmente à revista alemã Süddeutsche Zeitung Magazin, que ouviu pessoas de Urussanga que viajam para trabalhar em sorveterias no país europeu. A publicação aborda um fluxo de trabalhadores do Sul catarinense e as condições encontradas nesse tipo de emprego.
Mateo passou por 25 sorveterias ao longo de oito anos na Alemanha
A experiência relatada por Mateo não se limitou a um único estabelecimento ou empregador.
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Em oito anos trabalhando em gelaterias, ele afirmou ter passado por 25 locais diferentes distribuídos pela Alemanha.
Segundo o catarinense, mesmo com a mudança de estabelecimento, as longas jornadas e o ambiente considerado tóxico se repetiram.
Jornadas chegavam a 80 horas por semana, segundo trabalhador

Mateo relatou à revista alemã jornadas semanais de 80 horas.
Ao descrever as condições encontradas nesses empregos, ele resumiu sua percepção com a declaração: “Somos tratados como escravos na Alemanha”.
O relato integra a reportagem sobre brasileiros que deixam cidades catarinenses para trabalhar temporariamente no setor de sorvetes alemão.
Migração temporária é comum em Urussanga e Cocal do Sul
A ida de trabalhadores para a Alemanha é descrita como uma prática comum no Sul de Santa Catarina, especialmente em Urussanga e Cocal do Sul.
Essas pessoas deixam suas casas temporariamente para trabalhar em sorveterias italianas instaladas na Alemanha.
A proposta apresentada aos brasileiros envolve salário pago em euro, além de moradia e alimentação custeadas.
Proposta inclui mais de 10 horas por dia durante seis dias da semana
Segundo a reportagem, as condições oferecidas aos trabalhadores seguem um padrão semelhante.
A jornada costuma superar 10 horas diárias durante seis dias por semana.
O ND Mais destaca, com base na reportagem alemã, que essa prática não é compatível com a legislação da Alemanha.
Brasileiros seriam registrados como trabalhadores de meio período
Mateo afirmou que muitos funcionários brasileiros aparecem formalmente como trabalhadores de meio período.
Na prática, segundo o relato, eles cumprem jornadas superiores à carga integral mencionada pela reportagem, indicada como oito horas.
A diferença entre o registro e as horas efetivamente trabalhadas aparece como um dos principais pontos apresentados pela investigação da revista alemã.
Emprego e moradia criam relação de dependência com o chefe
A reportagem da Süddeutsche Zeitung Magazin também aponta uma relação de dependência entre trabalhadores e proprietários das sorveterias.
Além do salário, a moradia está ligada ao emprego, já que o quarto oferecido faz parte das condições associadas ao trabalho.
Esse vínculo teria consequências diretas para quem decidisse denunciar as condições às autoridades.
Trabalhador que procurar autoridades pode perder emprego e quarto
Segundo a reportagem, o brasileiro que falar às autoridades sobre as condições de trabalho corre o risco de perder o emprego e também o quarto onde mora.
A combinação entre trabalho e moradia cria, de acordo com a publicação, um ambiente favorável à exploração desses funcionários.
Para trabalhadores que estão temporariamente na Alemanha, a perda simultânea dessas duas estruturas amplia a dependência em relação ao empregador.
Sorveterias têm principalmente donos italianos e mão de obra brasileira
Outro aspecto destacado é a divisão de nacionalidades envolvida no comércio de gelato na Alemanha.
Segundo a reportagem, a maioria dos proprietários das sorveterias é italiana, enquanto parte significativa da força de trabalho apresentada na matéria é brasileira.
“Milhares de pessoas viajam para a Europa para ganhar dinheiro durante o verão. O gelato na Alemanha é um produto de três origens diferentes: é vendido para clientes alemães, os donos são italianos e os funcionários são brasileiros”, descreve a reportagem.
Salário em euro, moradia e alimentação atraem trabalhadores do Sul de SC
A perspectiva de receber salário em euro, com moradia e alimentação incluídas, está entre os elementos que sustentam esse fluxo temporário de trabalhadores catarinenses.
Urussanga e Cocal do Sul aparecem como cidades onde a prática se tornou comum, com moradores deixando o Brasil para trabalhar durante períodos na Europa.
Os relatos reunidos pela revista alemã, porém, apresentam jornadas extensas e vínculos de dependência que contrastam com as condições inicialmente oferecidas.
Relato de 80 horas semanais expõe condições de brasileiros na Alemanha
A experiência de Mateo, com oito anos de trabalho e passagem por 25 sorveterias, tornou-se um dos relatos utilizados para mostrar as condições enfrentadas por brasileiros nesse mercado.
Segundo ele, as jornadas chegaram a 80 horas semanais, enquanto a reportagem aponta casos de funcionários registrados como trabalhadores de meio período apesar de cumprirem horas superiores à jornada integral indicada no país.
Para você, a vinculação entre emprego e moradia torna esses trabalhadores mais vulneráveis a jornadas excessivas e outras formas de exploração? Deixe sua opinião nos comentários.


Guardem dinheiro,voltem para Brasil e abram suas próprias sorveterias da ” gelatto” em alguma das milhares cidades tropicais do país e sejam patrões mais humanos do que os atuais.. Deus os abençoe!
Sérgio, a ideia de abrir sorveterias é interessante, especialmente considerando a situação de muitos brasileiros. Diante das condições de trabalho lá fora, criar um ambiente mais humano e saudável para os trabalhadores no Brasil é fundamental.