Em vídeo publicado no canal Will Stelter em 27 de agosto do ano passado, o cuteleiro visitou a Fortaleza de San Martino, na Itália, um complexo histórico perto de Florença que reúne construções militares antigas, uma igreja milenar, túneis, marcas da Segunda Guerra Mundial e uma coleção impressionante de bigornas e ferramentas raras ligadas à metalurgia europeia.
Em um vídeo publicado em 27 de agosto do ano passado no canal Will Stelter, o cuteleiro e criador de conteúdo norte-americano visitou um lugar pouco comum até mesmo para quem está acostumado a ver oficinas, ferramentas antigas e peças históricas: uma fortaleza italiana com centenas de bigornas, morsas gigantes, blocos de forja e estruturas preservadas de diferentes períodos.
A visita foi organizada por Oliver Goldschmidt, cuteleiro que trabalha perto de Florença, na Itália. Segundo Will Stelter, ele já sabia que conheceria algo especial, mas a experiência acabou se mostrando muito maior do que uma simples coleção particular.
O local, descrito como a Fortaleza de San Martino, fica em uma região montanhosa e o acesso já indica o isolamento estratégico da construção: uma estrada difícil, onde um veículo com tração nas quatro rodas parece necessário.
-
DNA revela que menino pode ter dois pais biológicos após morte de peão em rodeio e caso vai parar na Justiça
-
Rover da NASA flagra “rosto cansado” em Marte e imagem intrigante revela como o cérebro humano enxerga figuras onde só existem rochas
-
Microcasas impressas em 3D viram aposta inédita contra a falta de moradia na Califórnia: vila com 40 unidades permanentes e 14 temporárias foi construída em 10 meses, oferece banheiro, cozinha compacta e atendimento social para ajudar moradores a sair de acampamentos
-
Jogar papel higiênico no vaso sanitário é um gesto repetido diariamente em milhões de banheiros brasileiros, mas o hábito pode estar comprometendo aos poucos o encanamento de toda a casa sem que ninguém perceba

A construção militar que atravessou séculos sem ser usada em guerra
Durante o passeio, o grupo explica que a fortaleza tem mais de 400 anos e foi construída com função militar, embora nunca tenha sido usada diretamente em uma guerra. Mesmo assim, sua posição era estratégica. O local domina uma passagem importante rumo a Florença, servindo como ponto de controle para quem viesse do norte tentando alcançar a cidade.
O complexo é enorme. No vídeo, é mencionado que a área interna chega a cerca de 20 acres, o equivalente a pouco mais de 80 mil metros quadrados. Também é dito que ela é considerada a maior fortaleza da Itália. Em meio às estruturas antigas, Stelter percorre áreas que teriam servido como alojamentos, cozinhas, espaços de guarda, depósitos e zonas de defesa.
Um dos pontos mais curiosos é um antigo reservatório de água, descrito como fundamental para permitir que os ocupantes resistissem por longos períodos caso fossem sitiados. O espaço teria volume comparável ao de uma construção próxima, reforçando a dimensão da estrutura subterrânea.
Igreja milenar, túneis e marcas da Segunda Guerra Mundial
Além da parte militar, a fortaleza guarda uma igreja com cerca de mil anos. Stelter destaca o impacto de encontrar uma construção tão antiga ainda preservada no alto da fortaleza, cercada por muros, pedra, ferramentas históricas e uma vista ampla da Toscana.
A história mais recente também aparece no passeio.
Uma placa de mármore é apresentada como um agradecimento dos moradores locais que teriam se refugiado na fortaleza durante a Segunda Guerra Mundial.
Segundo a explicação no vídeo, a população usou o local para se proteger da passagem de fascistas pela região. Para Stelter, esse detalhe mostra que a construção, mesmo séculos depois de erguida, ainda teve papel importante na proteção de pessoas em um momento de ameaça.
O grupo também caminha por túneis e áreas inferiores da fortaleza, onde havia pontos de defesa e espaços destinados a canhões. No fim da visita, eles ainda procuram alguns animais que vivem no local, como burros e ovelhas, que circulam pela área e pastam entre as ruínas e os campos ao redor.
Centenas de bigornas e ferramentas raras reunidas em um só lugar
A parte mais impressionante da visita, no entanto, é a coleção de ferramentas.
Will Stelter começa a contar as bigornas que encontra pelo caminho e chega a 419 peças vistas durante o passeio. Segundo ele, havia cerca de 260 bigornas apenas na área externa, antes mesmo de entrar no prédio onde outras estavam guardadas.
As peças variam muito em origem, idade, formato e função. Há bigornas italianas, francesas, alemãs, suíças, inglesas, belgas e russas.
Algumas têm centenas de anos. Outras foram feitas para usos muito específicos, como fabricação de canos de armas, cutelaria, ferraria naval, trabalhos com cobre ou produção de limas.
Stelter chama atenção para o tamanho de várias delas. Uma bigorna russa é apresentada com 770 quilos, algo próximo de 1.700 libras.
Outra peça, de 435 quilos, chega perto de 1.000 libras.
Para ele, é impressionante imaginar que blocos tão grandes de ferro e aço já estiveram incandescentes e foram trabalhados manualmente com martelos.
O vídeo também mostra morsas gigantes, especialmente modelos italianos de poste. Uma delas é descrita com cerca de 400 quilos, com mandíbulas muito maiores do que as normalmente encontradas em oficinas norte-americanas. Para Stelter, essas morsas foram algumas das peças mais marcantes de toda a coleção.
Um acervo que mostra como a metalurgia mudou com o tempo
Ao longo da visita, o criador observa como cada região produziu bigornas com características próprias. Pequenas diferenças no formato da base, da face, do chifre ou do corpo revelam tradições distintas entre fabricantes suíços, alemães, austríacos, franceses, ingleses e italianos.
As peças mais antigas chamam atenção pela aparência irregular. Muitas têm marcas de uso intenso, faces deformadas, bordas gastas e sinais de marteladas acumuladas por décadas ou séculos. Para Stelter, isso mostra uma época em que ferro e aço eram mais difíceis de produzir e em que fabricar uma bigorna grande exigia esforço monumental.
A visita à Fortaleza de San Martino, portanto, vai além da curiosidade visual. O vídeo apresenta um encontro raro entre arquitetura militar, história local, memória da Segunda Guerra Mundial, religião, metalurgia e preservação de ferramentas.
Para quem acompanha o universo da cutelaria e da ferraria, o lugar aparece como uma espécie de museu vivo, bruto e impressionante, onde cada bigorna carrega não apenas peso físico, mas também séculos de trabalho e história.

