Yamaha Factor 150 faz 55,3 km/l em teste controlado, tem tanque de 15,4 litros, motor flex de 12 cv e autonomia superior a 800 km.
O ponteiro do combustível demora a cair enquanto a Yamaha Factor 150 atravessa quilômetros de trânsito urbano. O número que chama atenção é oficial: 55,3 km/l em teste realizado pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em circuito urbano simulado e ambiente controlado. Segundo a Yamaha Motor do Brasil, combinando esse consumo ao enorme tanque de 15,4 litros, a Factor 2026 tem capacidade para percorrer mais de 800 km sem abastecer. A fabricante alerta que peso, carga, maneira de conduzir e outras condições podem mudar o resultado no uso real.
A moto mantém uma receita simples para chegar a esses números. O motor BlueFlex de 150 cc entrega 11,8 cv com gasolina e 12 cv com etanol, ligado a um câmbio manual de cinco marchas. A linha atual custa a partir de R$ 18.690 sem frete, enquanto a Factor DX aparece por R$ 19.290. Farol de LED, painel digital com indicador ECO, freios combinados e três anos de garantia completam uma motocicleta criada principalmente para enfrentar grandes jornadas dentro das cidades.
Factor 150 alcançou 55,3 km/l em teste controlado
O dado de consumo não surgiu de uma conta feita com relatos de proprietários. A própria Yamaha informa que os 55,3 km/l foram obtidos em testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.
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A medição simulou utilização em circuito urbano e aconteceu em ambiente controlado. Isso é importante porque permite comparar o resultado sem tantas interferências externas, mas não significa que toda Factor fará exatamente 55,3 km/l nas ruas.
Carga transportada, peso dos ocupantes, acelerações, velocidade, trânsito, pressão dos pneus e combustível alteram o consumo. Os 55,3 km/l devem ser tratados como resultado do teste informado pela fabricante, não como consumo garantido para qualquer motociclista.
Tanque de 15,4 litros empurra a autonomia além de 800 km
A Factor tem outro número pouco comum em uma motocicleta urbana pequena: 15,4 litros de capacidade no tanque. É essa quantidade de combustível que transforma o baixo consumo em uma autonomia muito grande.
Se os 55,3 km/l do ensaio fossem mantidos durante todo o tanque, uma multiplicação simples resultaria em cerca de 851 km. A Yamaha adota uma afirmação mais conservadora e diz oficialmente que a moto consegue rodar mais de 800 quilômetros sem precisar abastecer.
Na prática, o alcance varia bastante. Ainda assim, um tanque desse tamanho reduz a frequência de paradas no posto, especialmente para quem percorre dezenas de quilômetros todos os dias trabalhando ou se deslocando pela cidade.
Motor BlueFlex entrega até 12 cv
Debaixo do tanque trabalha um motor monocilíndrico BlueFlex refrigerado a ar. Ele aceita gasolina, etanol ou a mistura dos dois combustíveis, característica que amplia as opções de abastecimento.
Com gasolina, a potência máxima é de 11,8 cv a 7.250 rpm. Abastecida com etanol, a Factor chega aos 12 cv, enquanto o torque máximo informado pela Yamaha é de 1,3 kgfm a 6.000 rpm.
Os números deixam claro que a proposta não é desempenho esportivo. O motor foi calibrado para deslocamentos urbanos, simplicidade mecânica e consumo baixo, exatamente os pontos que sustentam a longa autonomia divulgada pela fabricante.
Câmbio manual mantém cinco marchas
A transmissão segue uma solução tradicional. A Factor usa câmbio manual de cinco velocidades, comandado pelo pedal esquerdo e combinado à embreagem manual.
Não existe transmissão automática, CVT ou sistema de dupla embreagem. O conjunto mantém a arquitetura conhecida das motos urbanas de baixa cilindrada, favorecendo simplicidade e custos de manutenção mais previsíveis.
Na cidade, as primeiras relações atendem saídas e retomadas. A quinta marcha entra principalmente quando a velocidade estabiliza, permitindo que o motor trabalhe com menos variação de rotação.
Painel mostra quando a pilotagem está mais econômica
O baixo consumo não depende apenas da mecânica. A Yamaha adicionou ao painel uma função que tenta ensinar o próprio piloto a gastar menos combustível.
O quadro de instrumentos digital tem visual chamado de Blackout e mostra indicador de marcha. Há também uma função ECO, que aparece quando a motocicleta está sendo conduzida em uma faixa considerada mais econômica.

O recurso não reduz sozinho o consumo nem muda a potência do motor. Ele funciona como uma orientação visual, permitindo que o motociclista perceba quais situações de aceleração e velocidade favorecem o gasto menor de combustível.
Farol de LED moderniza a dianteira da Factor
A geração atual abandonou a aparência mais simples dos conjuntos antigos e passou a utilizar farol de LED. Uma luz de posição integrada completa a assinatura dianteira.
A mudança não transforma a Factor em uma moto cheia de eletrônica. O projeto continua bastante direto, mas elementos como iluminação LED e painel digital deixam o modelo visualmente mais próximo de motos recentes.
Isso acontece sem abandonar a postura tradicional da Factor. Guidão alto, assento amplo e pedaleiras posicionadas para uma condução pouco inclinada continuam formando a ergonomia da motocicleta.
Suspensão tem 120 mm de curso na dianteira
O asfalto ruim aparece rapidamente na rotina de quem trabalha sobre duas rodas. Na frente, a Factor usa garfo telescópico com 120 mm de curso, medida suficiente para absorver boa parte das pequenas irregularidades encontradas na cidade.
Atrás, o conjunto utiliza balança com dois amortecedores. A Yamaha informa 111 mm de curso para a suspensão traseira na apresentação oficial da linha 2026.
A escolha está ligada ao uso diário. Buracos, lombadas, remendos e mudanças de nível fazem parte do terreno que a Factor enfrenta com muito mais frequência do que estradas perfeitas ou circuitos fechados.
Freios são combinados, mas Factor não tem ABS
Na dianteira existe um disco de 245 mm. A traseira utiliza freio a tambor, solução mais simples e comum em motocicletas desse segmento.
O sistema é combinado. Quando o freio traseiro é acionado, o UBS, sigla usada pela Yamaha para o sistema unificado de frenagem, distribui parte da força para ajudar na desaceleração da motocicleta.
A Factor atual não utiliza ABS. Esse é um ponto importante para diferenciar o modelo de motocicletas mais caras da própria Yamaha, como a FZ15, que adota sistema antitravamento no freio dianteiro.
Rodas de 18 polegadas usam pneu traseiro mais largo
As duas rodas têm 18 polegadas. Na dianteira, o pneu mede 80/100-18, enquanto atrás aparece uma medida 100/80-18.
A Yamaha destaca justamente o pneu traseiro mais largo como um dos elementos do desenho atual. Além da aparência, rodas grandes ajudam a atravessar pequenas irregularidades do pavimento de maneira menos brusca.
Não são pneus criados para trilha. A Factor continua sendo uma street, ou seja, uma motocicleta desenhada principalmente para ruas, avenidas e deslocamentos sobre pavimento.
Peso de 133 kg ajuda nas manobras urbanas
O Motonline informa 133 kg em ordem de marcha para a Factor 150. O banco fica a aproximadamente 785 mm do solo, combinação que facilita o apoio dos pés para muitos motociclistas.
Esses números ganham importância quando a moto precisa passar o dia entrando e saindo de vagas, corredores e pequenas ruas. Uma motocicleta urbana é movimentada em baixa velocidade várias vezes durante uma jornada.
O guidão elevado também ajuda nesse cenário. O piloto mantém o tronco em posição mais natural do que em uma esportiva, reduzindo a necessidade de permanecer muito inclinado sobre o tanque durante longos períodos.
Factor custa atualmente R$ 18.690
Quando a linha 2026 foi apresentada em fevereiro, a Factor convencional tinha preço sugerido de R$ 18.490, sem frete. Desde então, a tabela mudou.
Em outubro de 2026, o site oficial da Yamaha apresenta a Factor por R$ 18.690, também sem frete. Considerando frete e seguro de frete exibidos pela própria fabricante, o valor de referência chega a R$ 19.800 nas condições informadas no site.
A Factor também participa do programa Move Brasil para trabalhadores elegíveis, como entregadores e mototaxistas, sujeito às regras e à análise de crédito da iniciativa.
Garantia é de três anos
Factor e Factor DX são vendidas com três anos de garantia. A Yamaha também mantém seu programa de Revisão Preço Fixo, que permite consultar antecipadamente os valores previstos para determinadas manutenções.
Para uma motocicleta que pode acumular muitos quilômetros rapidamente, esse ponto ganha peso. Quem percorre longas distâncias diariamente chega aos intervalos de manutenção em menos tempo do que um proprietário que usa a moto apenas ocasionalmente.
O consumo baixo reduz uma parte do custo de utilização, mas óleo, pneus, relação de transmissão, freios e revisões continuam fazendo parte das despesas normais de uma motocicleta usada todos os dias.
Os 800 km explicam por que a Factor continua tão ligada ao trabalho urbano
A Factor não tenta chamar atenção com potência elevada, tela TFT gigante ou pacote sofisticado de assistentes eletrônicos. Seu número mais impressionante aparece justamente em algo mais simples: quantos quilômetros consegue percorrer usando pouco combustível.
No teste divulgado pela Yamaha, foram 55,3 km/l. Com 15,4 litros disponíveis no tanque, a própria fabricante fala em mais de 800 km entre abastecimentos, embora ressalte que as condições reais alteram esse resultado.
O motor flex chega a 12 cv, o câmbio mantém cinco marchas, o painel mostra quando a condução está econômica e a versão de entrada custa atualmente R$ 18.690 sem frete. Para quem passa o dia inteiro sobre duas rodas, quantas idas ao posto poderiam ser evitadas com uma moto capaz de atravessar centenas de quilômetros antes de pedir outro tanque?

