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Xiaomi coloca robôs humanoides para trabalhar 8 horas em fábrica de carros e testa IA capaz de executar mais de 50 tarefas dentro de casa

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Escrito por Ana Alice Publicado em 04/11/2026 às 23:36 Atualizado em 04/11/2026 às 23:40
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Xiaomi testa robôs humanoides durante oito horas em fábrica e demonstra IA que realiza mais de 50 tarefas domésticas em um apartamento. - Imagem: Ilustrativa via I.A
Xiaomi testa robôs humanoides durante oito horas em fábrica e demonstra IA que realiza mais de 50 tarefas domésticas em um apartamento. – Imagem: Ilustrativa via I.A
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Fabricante chinesa apresentou dois avanços em robótica: humanoides organizando peças automotivas durante oito horas e um sistema de inteligência artificial realizando mais de 50 tarefas em três cômodos de um apartamento experimental.

Imagine chegar a uma fábrica de automóveis e encontrar robôs com braços, pernas e aparência humana organizando peças durante uma jornada de oito horas. Em outro ambiente, uma máquina recolhe lixo, arruma objetos e percorre diferentes cômodos de uma residência praticamente sem receber instruções para cada movimento.

Esses dois cenários fazem parte dos novos testes de robótica apresentados pela Xiaomi em 3 de novembro de 2026, mostrando como a fabricante chinesa pretende levar a inteligência artificial para atividades que exigem movimentos físicos, reconhecimento de objetos e capacidade de adaptação.

Na fábrica de veículos elétricos da empresa, dois robôs humanoides participaram de uma demonstração de oito horas organizando componentes automotivos. Paralelamente, um sistema baseado na inteligência artificial Xiaomi-Robotics-1 executou sequências de mais de 50 tarefas domésticas em um apartamento experimental.

Os resultados representam avanços importantes, mas ainda fazem parte de programas de testes. A Xiaomi não anunciou a comercialização de um robô doméstico nem confirmou que seus humanoides já estejam trabalhando regularmente nas linhas de montagem sem acompanhamento.

Robôs humanoides passam oito horas organizando peças na fábrica da Xiaomi

O primeiro experimento aconteceu em uma estação de trabalho da fábrica de automóveis da Xiaomi, na China, dedicada à separação de coberturas laterais do console central dos veículos.

Nas imagens divulgadas pela fabricante, dois robôs humanoides aparecem trabalhando entre grandes recipientes de peças e estruturas verticais de armazenamento.

Robôs humanoides da Xiaomi foram testados durante oito horas em uma fábrica de carros. Crédito: Reprodução/Xiaomi, via PCGuia.
Robôs humanoides da Xiaomi foram testados durante oito horas em uma fábrica de carros. Crédito: Reprodução/Xiaomi, via PCGuia.

As máquinas retiram componentes dos recipientes, movimentam os braços para posicioná-los corretamente e os colocam em compartimentos específicos. O processo parece simples quando observado rapidamente, mas exige uma combinação de habilidades que ainda representa um desafio para a robótica.

Diferentemente de um braço industrial fixo, que costuma repetir movimentos em posições previamente determinadas, um robô humanoide precisa controlar o equilíbrio do corpo, ajustar suas mãos e reconhecer a posição dos objetos enquanto executa a tarefa.

Segundo a Xiaomi, os equipamentos conseguiram realizar atividades durante uma demonstração de oito horas, atendendo às necessidades diárias daquela estação de trabalho.

A fabricante também afirma que os robôs podem identificar e corrigir determinadas anomalias sem receber uma instrução específica para cada situação, além de coordenar suas atividades com o sistema da linha de produção.

O vídeo publicado pela Xiaomi Tech utiliza trechos acelerados para mostrar a operação e apresenta um contador de tempo acumulado. Isso permite acompanhar visualmente diferentes momentos do experimento, mas não equivale a uma gravação integral de oito horas em tempo real.

A empresa não informou quantas peças foram organizadas, qual foi a taxa de sucesso durante toda a demonstração ou quantas intervenções humanas eventualmente ocorreram. Também não detalhou publicamente a gestão de energia dos equipamentos ao longo da jornada.

De três para oito horas: como evoluíram os testes industriais

A demonstração representa uma evolução em relação a experiências anteriores realizadas pela própria Xiaomi.

Em março de 2026, a fabricante já havia apresentado robôs humanoides trabalhando por três horas em uma etapa da produção automotiva, envolvendo o posicionamento de porcas em componentes estruturais de veículos elétricos.

Na ocasião, a empresa divulgou uma taxa de sucesso de 90,2% para a operação analisada, respeitando um ciclo de produção de 76 segundos por veículo.

O novo teste é diferente. Em vez de repetir a instalação de componentes de fixação, as máquinas precisam separar e movimentar peças de acabamento, ajustando a posição dos braços e das mãos conforme as características dos objetos.

Assista o vídeo
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Essa mudança importa porque uma fábrica reúne atividades bastante distintas. Algumas exigem força, outras dependem de precisão, e muitas envolvem materiais que podem mudar de posição ou oferecer resistência durante o manuseio.

Quanto maior a variedade de tarefas que um robô consegue executar, maior pode ser sua utilidade em diferentes etapas da produção.

Ainda assim, a duração da demonstração não comprova, isoladamente, que as máquinas sejam economicamente competitivas com os sistemas tradicionais de automação ou que estejam prontas para trabalhar permanentemente sem supervisão.

O avanço está na validação inicial de uma operação mais longa, em condições próximas às exigências de uma linha industrial.

Dentro de casa, inteligência artificial executa mais de 50 tarefas

Enquanto os humanoides eram testados na fábrica, outra equipe da Xiaomi apresentava resultados de um experimento realizado em apartamentos da própria companhia.

Dessa vez, o objetivo não era organizar peças automotivas, mas descobrir se uma inteligência artificial conseguiria coordenar diferentes atividades domésticas sem depender de comandos separados para cada movimento.

A tecnologia utilizada foi a Xiaomi-Robotics-1, um modelo de inteligência artificial desenvolvido para ajudar robôs a compreender ambientes físicos e transformar informações recebidas pelos sensores em ações.

Segundo a Xiaomi, o sistema completou uma sequência de mais de 50 tarefas ao longo de pouco mais de 30 minutos, percorrendo três cômodos de um apartamento.

Entre as atividades demonstradas estavam organizar mesas, recolher lixo, separar objetos e colocá-los nos lugares adequados. O sistema também realizou inspeções nos ambientes e uma verificação final dos cômodos.

O número de mais de 50 tarefas refere-se às etapas da sequência executada, e não necessariamente a 50 tipos diferentes de serviços domésticos.

Outro detalhe importante é que o equipamento utilizado nessa experiência não era o mesmo humanoide de duas pernas apresentado na fábrica. O teste doméstico envolveu uma plataforma robótica com braços manipuladores, adaptada à movimentação em ambientes internos.

A Xiaomi informou que a tecnologia iniciou uma operação experimental em seus apartamentos destinados a jovens funcionários, permitindo avaliar o sistema em um ambiente residencial, embora ainda controlado pela empresa.

Como a IA permite que os robôs decidam o próximo movimento

A principal dificuldade de um robô doméstico não é apenas pegar um objeto ou empurrar uma cadeira. É descobrir o que precisa ser feito, escolher uma sequência de ações e continuar trabalhando quando encontra situações diferentes daquelas previstas inicialmente.

Pense em uma mesa com copos, papéis e embalagens vazias. Para organizá-la corretamente, a máquina precisa reconhecer cada objeto, distinguir o que deve ser descartado e decidir onde colocar aquilo que será guardado.

Depois, precisa executar os movimentos sem derrubar os demais itens e avaliar se a tarefa foi concluída.

É esse tipo de comportamento que a Xiaomi procura desenvolver com a chamada inteligência artificial incorporada, também conhecida como IA física. Nesse conceito, o sistema não se limita a produzir respostas em uma tela: ele interpreta o ambiente e orienta ações de máquinas no mundo real.

O Xiaomi-Robotics-1 foi treinado previamente com mais de 100 mil horas de registros de operações físicas, segundo os dados divulgados pela fabricante. Essa experiência alimenta um modelo que pode ser adaptado a diferentes plataformas robóticas e tarefas.

No teste doméstico, a empresa combinou o modelo com um sistema de agentes de inteligência artificial capaz de planejar, executar e acompanhar sequências de atividades.

A proposta é que o robô consiga realizar diferentes etapas de uma mesma tarefa sem precisar receber uma programação completamente nova para cada movimento.

Apesar disso, ainda existem obstáculos importantes. Casas possuem objetos variados, espaços apertados, pessoas circulando e situações difíceis de prever. Um robô que funciona em um apartamento preparado para testes pode apresentar resultados diferentes em outras residências.

A Xiaomi ainda não divulgou uma taxa completa de sucesso para as mais de 50 tarefas, nem anunciou preços, disponibilidade comercial ou uma data para levar essa tecnologia às casas dos consumidores.

Por enquanto, os dois experimentos mostram caminhos diferentes para a mesma tecnologia: na indústria, aumentar a capacidade dos humanoides de executar atividades por períodos prolongados; dentro de casa, desenvolver sistemas capazes de planejar e realizar sequências de tarefas em ambientes menos previsíveis.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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