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Brasil fica atrás só da China na WorldSkills, o mundial das profissões técnicas: 8 medalhas em Xangai, com robótica, CNC e Indústria 4.0

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 27/09/2026 às 20:24 Atualizado em 27/09/2026 às 20:25
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Competidores brasileiros em prova no primeiro dia de competição da WorldSkills Shanghai 2026, em 23 de setembro.
Competidores brasileiros em prova no primeiro dia de competição da WorldSkills Shanghai 2026, em 23 de setembro. Foto: Gabriel Pinheiro/SENAI (Flickr oficial da CNI)
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Com 2 pratas, 6 bronzes e 29 medalhas de excelência, a delegação de alunos e ex-alunos do SENAI e do Senac terminou a WorldSkills Shanghai 2026 em 2º lugar na classificação geral por pontos.

O Brasil terminou a WorldSkills Shanghai 2026 em 2º lugar, atrás só da China, com 8 medalhas: 2 de prata e 6 de bronze, a maioria em provas ligadas à indústria.

O resultado saiu na cerimônia de encerramento deste domingo (27), na Mercedes-Benz Arena, em Xangai. A lista de premiados está na nota da Agência de Notícias da Indústria, da CNI, publicada no mesmo dia.

Além das 8 medalhas, a delegação brasileira somou 29 medalhas de excelência, conforme a CNI. Esse prêmio vai para quem fica acima da média de pontos da própria ocupação.

A seguir, quem subiu ao pódio, em quais profissões, o peso da robótica e da automação no quadro brasileiro e a conta de quantos jovens voltam de Xangai com algum prêmio.

O quadro de medalhas do Brasil na WorldSkills

O Brasil não levou ouro nesta edição. As 8 medalhas se dividem em 2 pratas e 6 bronzes, e a posição final vem da classificação geral por pontos, em que só a China ficou à frente, registra a CNI.

Brasileira no degrau 2 do pódio na cerimônia de encerramento, na Mercedes-Benz Arena, em Xangai.
Brasileira no degrau 2 do pódio na cerimônia de encerramento, na Mercedes-Benz Arena, em Xangai. Foto: Daniel Costa/SENAI (Flickr oficial da CNI)

A China jogava em casa. A competição, que muda de cidade-sede a cada edição, reuniu cerca de 1,4 mil competidores de 70 países, de acordo com a entidade.

Para quem acompanha a formação técnica no país, o dado que pesa é a posição geral: mesmo sem nenhum ouro, o Brasil só ficou atrás da China na soma de pontos, segundo a classificação divulgada pela CNI.

As 2 pratas: moda e robótica

A primeira prata veio em Tecnologia da Moda, com Myllena Vitória de Arruda Nogueira. Pela lista da CNI, foi a única prata individual do Brasil em Xangai.

A segunda veio em Integração de Sistemas Robóticos, disputada em dupla. Alexandre Isaque Almeida Rodrigues e Bruno Gabriel Soares de Oliveira dividem a medalha, informa a nota.

As duas pratas mostram o alcance da delegação. Uma está numa prova de criação e confecção de roupas; a outra, numa das provas mais ligadas à fábrica automatizada.

Os 6 bronzes, do CNC ao drywall

Os bronzes vieram em seis ocupações diferentes. Na lista da CNI, cada uma aparece com o número da ocupação na competição:

Telão da cerimônia de encerramento mostra o bronze de Guilherme Rodrigues Lunardi em Sistemas Drywall e Estucagem.
Telão da cerimônia de encerramento mostra o bronze de Guilherme Rodrigues Lunardi em Sistemas Drywall e Estucagem. Foto: Daniel Costa/SENAI (Flickr oficial da CNI)
  • #07 Fresagem CNC: Alisson Gabriel Genova de Oliveira.
  • #21 Sistemas Drywall e Estucagem: Guilherme Rodrigues Lunardi.
  • #23 Robótica Autônoma: Gustavo Gabriel Dutra Alves e Artur Barud.
  • #48 Indústria 4.0: Gustavo Vitor Martins Pereira de Sousa e João Victor Caliaro Fonseca.
  • #59 Design Industrial: Rafael Seikiti Nishihara Candido.
  • #62 Energias Renováveis: Kevin Gabriel Gonçalves Silva.

Quatro dos seis bronzes são individuais e dois são de dupla, mostra a lista. O único bronze fora da indústria e da tecnologia é o da construção civil, em drywall e estucagem.

Por que são 11 nomes para 8 medalhas

A conta dos nomes confunde quem lê a lista pela primeira vez. São 8 medalhas, mas 11 brasileiros medalhistas, porque três das provas premiadas são disputadas em equipe de dois.

As três são Integração de Sistemas Robóticos, Robótica Autônoma e Indústria 4.0, conforme a nota. Somam 6 pessoas; as outras cinco medalhas são individuais. No total, 6 mais 5 dão 11.

Isso explica também por que a delegação tem mais gente do que ocupações. A CNI informa que as ocupações são disputadas individualmente ou em equipes, de acordo com a modalidade.

Robótica, CNC e Indústria 4.0: onde o Brasil subiu ao pódio

Separando as 8 medalhas por área, 6 estão em ocupações ligadas à indústria e à tecnologia: robótica em duas provas, fresagem CNC, Indústria 4.0, design industrial e energias renováveis.

Competidor brasileiro trabalha ao lado de um braço robótico no segundo dia de provas, em 24 de setembro.
Competidor brasileiro trabalha ao lado de um braço robótico no segundo dia de provas, em 24 de setembro. Foto: Gabriel Pinheiro/SENAI (Flickr oficial da CNI)

Na conta da redação, são 75% das medalhas brasileiras. As outras duas, segundo a lista da CNI, ficaram com a moda (prata) e com a construção civil (bronze em drywall e estucagem).

A fresagem CNC é o trabalho de usinar peças em máquina controlada por computador. A Indústria 4.0 junta automação, dados e máquinas conectadas na linha de produção.

Na robótica, o Brasil subiu ao pódio duas vezes na WorldSkills Shanghai 2026: prata na integração de sistemas robóticos e bronze na robótica autônoma. As duas provas foram disputadas em dupla.

As 29 medalhas de excelência e o que elas medem

A medalha de excelência é outro tipo de prêmio. Segundo a CNI, ela é concedida aos competidores que alcançam pontuação acima da média da sua ocupação, mesmo sem chegar ao pódio.

Competidor brasileiro em prova no primeiro dia de competição, em Xangai.
Competidor brasileiro em prova no primeiro dia de competição, em Xangai. Foto: Gabriel Pinheiro/SENAI (Flickr oficial da CNI)

Foram 29 no total. Uma é de equipe, em Mecatrônica, com Daniel Henrique Bianquini Moraes Oliveira e Arthur Maia, registra a nota. As outras 28 são individuais, o que dá 30 nomes.

Entre os premiados com excelência estão Gustavo Carvalho Santos, em Mecânica Industrial, Leonardo Enrique Cruz, em Tornearia CNC, e Felipe de Sousa Rocha, em Soldagem, mostra a lista.

Também aparecem Davi da Silva Padilha, em Manutenção de Aeronaves, e Kauan Henrique Martinello Nazario, em Tecnologia Automotiva. A relação completa, com as 29 ocupações, está na nota da CNI.

Em que áreas vieram as medalhas de excelência

Agrupando as 29 ocupações da lista da CNI por área, a indústria e a tecnologia da informação dividem a liderança, com 8 cada. O agrupamento é leitura da redação, a partir dos nomes das ocupações.

  • Indústria e manufatura (8): Mecânica Industrial, Mecatrônica, Desenho Mecânico em CAD, Tornearia CNC, Soldagem, Eletrônica, Tecnologia da Água e Tecnologia Optoeletrônica.
  • Tecnologia da informação e digital (8): redes, aplicativos móveis, software para negócios, tecnologias web, gestão de redes, design gráfico, mídias digitais e arte 3D para jogos.
  • Construção (4): revestimentos cerâmicos, instalações elétricas residenciais, alvenaria e pintura decorativa.
  • Transporte (3): manutenção de aeronaves, tecnologia automotiva e pintura automotiva.
  • Serviços e ofícios (6): joalheria, cabeleireiro, cozinha, serviço de restaurante, recepção de hotel e cuidados sociais.

Somando pódio e excelência, 22 das 37 ocupações premiadas estão na indústria ou na tecnologia da informação, na conta da redação: 6 com medalha e 16 com excelência, ou 59,5%.

A conta da delegação: 71 competidores em 64 ocupações

A delegação brasileira teve 71 competidores, entre alunos e ex-alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), informa a CNI.

A delegação disputou todas as 64 ocupações da competição, individualmente ou em equipes, conforme a modalidade. A diferença de 7 pessoas entre competidores e ocupações vem das provas em equipe.

Na média, cada um dos 70 países levou cerca de 20 competidores a Xangai, na conta do CPG (1,4 mil dividido por 70). A delegação brasileira teve mais que o triplo disso.

Quantos brasileiros voltam da WorldSkills premiados

Juntando os dois tipos de prêmio, 41 brasileiros voltam com medalha: 11 com medalha de pódio e 30 com medalha de excelência. Sobre os 71 competidores, a conta da redação dá 57,7%.

Por ocupação, a conta é parecida. Foram 8 ocupações com pódio e 29 com excelência, total de 37 das 64 disputadas, ou 57,8%, conforme os números da CNI.

Mais da metade das ocupações que o Brasil disputou na WorldSkills Shanghai 2026 terminou com algum brasileiro premiado. O pódio veio em 8 delas, o que corresponde a 12,5% das 64.

O tamanho da WorldSkills Shanghai 2026

A WorldSkills é realizada a cada 2 anos, em uma cidade-sede diferente. A edição de Xangai reuniu cerca de 1,4 mil competidores de 70 países, em 64 ocupações, pelos números da CNI.

Mercedes-Benz Arena, em Xangai, durante a cerimônia de encerramento de 27 de setembro.
Mercedes-Benz Arena, em Xangai, durante a cerimônia de encerramento de 27 de setembro. Foto: Daniel Costa/SENAI (Flickr oficial da CNI)

A entidade chama o evento de competição mundial de educação. Nas provas, os jovens executam tarefas práticas da ocupação e são avaliados por pontos, dentro da própria modalidade.

A CNI descreve a WorldSkills como uma vitrine global para a educação profissional, que reúne jovens de dezenas de países em provas práticas de alto padrão.

Quatro dias de prova e a espera pelo resultado

As provas ocorreram de 23 a 26 de setembro. Foram 4 dias de disputa, com os competidores concentrados nas bancadas de cada ocupação, em horas de trabalho sob pressão, relata a entidade.

Integrantes da delegação brasileira comemoram no último dia de provas, em 26 de setembro.
Integrantes da delegação brasileira comemoram no último dia de provas, em 26 de setembro. Foto: Gabriel Pinheiro/SENAI (Flickr oficial da CNI)

As bancadas foram fechadas no sábado (26). Segundo a CNI, o fim das provas veio com lágrimas, abraços, risadas e sensação de alívio, com os brasileiros circulando pelo evento para torcer pelos colegas.

O resultado só foi conhecido no domingo (27), na cerimônia de encerramento da WorldSkills Shanghai 2026. Foi lá que o Brasil recebeu as 8 medalhas e a confirmação do 2º lugar geral.

O brasileiro do ouro de 2015 que voltou em 2026

Entre os brasileiros em Xangai estava Luís Machado, de 31 anos, que foi como visitante. Em 2015, aos 20 anos, ele representou o Brasil e ganhou o ouro em Tecnologia Automotiva, conta a CNI.

Na mesma edição, Luís se tornou o primeiro brasileiro a conquistar o Prêmio Albert Vidal, concedido a competidores que alcançam a maior pontuação geral, segundo a entidade.

Em Xangai, ele acompanhou a competição, fez contatos e apoiou as delegações do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos, onde mora hoje. “É um sentimento de pura nostalgia”, disse à CNI.

Da oficina em Bauru ao trabalho em Abu Dhabi

Depois da competição, Luís trabalhou como trainee no SENAI entre 2015 e 2016. Em seguida, abriu uma oficina em Bauru (SP), onde recebeu a proposta para trabalhar em Abu Dhabi, relata a nota.

Ele vive nos Emirados Árabes Unidos desde janeiro de 2017. Lá, treinou competidores para a WorldSkills até a edição de Lyon e coordenou a equipe técnica até junho de 2026, informa a CNI.

Hoje, formado em Engenharia de Software e pós-graduado em Gestão Empresarial, ele cuida da gestão de uma oficina em Abu Dhabi e acompanha uma empresa de diagnóstico automotivo em Bauru, detalha a entidade.

Para Luís, o SENAI e a competição foram decisivos. “Sem o aprendizado no SENAI e a vivência na WorldSkills, com certeza eu não teria alcançado metade das oportunidades”, afirmou.

O conselho de quem já ganhou

Para os jovens que encerram a competição agora, o conselho de Luís é continuar investindo na formação mesmo depois da volta ao Brasil, segundo o relato publicado pela CNI.

Ele cita as chamadas soft skills: comunicação, inteligência emocional e capacidade de construir relacionamentos. “Invistam em soft skills”, aconselhou o medalhista à entidade.

A trajetória dele cabe em três datas: o ouro de 2015, aos 20 anos, a mudança para Abu Dhabi em 2017 e a volta à WorldSkills em 2026, aos 31, como visitante.

Quem acompanhou a preparação da delegação brasileira para o mundial sabe que o resultado de domingo começou a ser construído bem antes das provas.

O SENAI em números

O SENAI já qualificou mais de 95,3 milhões de trabalhadores desde a fundação, em 1942, de acordo com a nota da CNI. A instituição está presente em todos os estados brasileiros.

A rede tem mais de 3,2 milhões de matrículas por ano e 1.034 unidades escolares, informa a entidade. Dividindo um número pelo outro, a média fica em cerca de 3,1 mil matrículas anuais por unidade.

Os cursos vão da aprendizagem ao técnico, passando por graduação, pós-graduação e soluções em tecnologia para a indústria. Em Xangai, a delegação reuniu alunos e ex-alunos do SENAI e do Senac.

Aichi, no Japão, recebe a próxima WorldSkills

A próxima WorldSkills está prevista para 2028, em Aichi, no Japão, conforme a CNI. Será a segunda edição seguida na Ásia, depois de Xangai.

Pelo ritmo de uma edição a cada 2 anos, são 2 anos até a próxima disputa. Quem compara com a edição de Lyon pode ver como o Brasil chegou ao mundial anterior.

Na WorldSkills Shanghai 2026, a régua ficou marcada: 8 medalhas, 29 de excelência e o 2º lugar geral, com a China à frente e o pódio concentrado em robótica, usinagem e automação.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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