Um raio atingiu um dos tanques de etanol da Viralcool em Ibitiúva, distrito de Pitangueiras (SP), na manhã de domingo (25), e o incêndio mobilizou bombeiros, Defesa Civil e caminhões-pipa de usinas vizinhas, que passaram o dia resfriando os outros reservatórios da unidade; a empresa diz que não houve vítimas.
A versão da usina veio em nota divulgada à tarde. Segundo a Viralcool, o raio caiu sobre o reservatório durante as fortes tempestades que atingiam a região, e o fogo começou em seguida.
Funcionários da empresa já tinham contado a mesma história de manhã, quando as primeiras imagens circularam. Os vídeos mostravam chamas altas e fumaça escura sobre o tanque, com caminhões e equipes no pátio molhado.
Chovia em Pitangueiras desde o começo da manhã
De acordo com o g1, chovia em Pitangueiras e nas cidades das regiões de Ribeirão Preto e Franca desde as primeiras horas do domingo. Ibitiúva fica a cerca de 150 quilômetros de Franca, segundo o GCN.
-
Os EUA produziram 1,22 bilhão de litros de etanol em uma única semana, o equivalente a 16% de todo o etanol de milho que o Brasil fez em 2024
-
A Sergas tem 347 km de gasodutos, quer pôr biometano na rede e ainda não há nenhuma usina do combustível em operação no estado
-
Usinas do Centro-Sul vendem 3,15 bilhões de litros de etanol no mercado interno em agosto, recorde histórico, e as vendas do hidratado, o da bomba, crescem 15,42%
-
Rio Verde, em Goiás, ganha fábrica de etanol de milho de R$ 2,4 bilhões que vai processar 2 milhões de toneladas de milho por ano e gerar até 2,7 mil empregos, e a previsão é terminar até o fim de 2026
A Prefeitura de Pitangueiras informou que o incêndio começou por volta das 9h.
O primeiro chamado aos bombeiros falava em explosão
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 9h23 para uma ocorrência na Fazenda Santa Cecília, conforme a Folha de S.Paulo. O registro inicial citava a explosão de uma bomba, seguida da propagação do fogo.
Esse registro não esclarece de que equipamento se tratava. Por isso, a própria Folha ressalvou que a causa ainda não estava confirmada oficialmente, embora a empresa atribua o incêndio ao raio.
A versão do raio é a da usina. A confirmação oficial depende da investigação.

Sete viaturas e caminhões-pipa emprestados pelas vizinhas
Os bombeiros mandaram quatro viaturas para o combate, segundo a Folha. A Defesa Civil mobilizou outras três, de acordo com o Diário de São Paulo, o que somou sete veículos dos dois órgãos na usina.
O reforço que mais chamou atenção veio de fora. Usinas da região enviaram caminhões-pipa para ajudar no resfriamento, e a Viralcool agradeceu publicamente às vizinhas na nota.
O ACidade ON também registrou brigadistas com caminhões-pipa no local.
A prioridade foi esfriar os tanques que não pegaram fogo
Segundo a empresa, todos os esforços se concentraram em extinguir o fogo com segurança. Ao mesmo tempo, as equipes trabalharam no resfriamento contínuo dos demais tanques de combustível do complexo.
A Viralcool explicou que o objetivo era preservar a estrutura da unidade e conter os riscos na área industrial. Diretores e gestores acompanharam a operação no local, de acordo com a nota.
À tarde, a usina informou que o incêndio estava sob controle. Ainda assim, disse que só voltaria a se pronunciar quando a área estivesse totalmente segura.
Ninguém se feriu, segundo a usina e a prefeitura
O secretário de Segurança de Pitangueiras, Junio César, informou ao ACidade ON que não houve vítimas. A Viralcool repetiu a informação no comunicado e agradeceu aos colaboradores e às autoridades.
Até a última atualização das reportagens, nenhum órgão tinha informado feridos. O GCN chegou a registrar, de manhã, que ainda não havia confirmação sobre vítimas, dado que veio depois pela empresa e pela prefeitura.
O que ainda não foi dito sobre o tanque e a produção
Ficaram sem resposta algumas perguntas básicas. Nem a empresa nem os órgãos públicos divulgaram a capacidade do tanque atingido, o volume de etanol que havia dentro dele ou a quantidade perdida no fogo.
Também não há informação sobre danos à estrutura industrial ou sobre efeitos nas atividades da usina, como registrou o Diário de São Paulo. Esses números dependem do novo posicionamento que a Viralcool prometeu.
Confesso que é o dado que mais faz falta. Sem ele, não dá para dizer se o incêndio mexe com a oferta de etanol da empresa nas próximas semanas.

A usina produz etanol, açúcar, energia e levedura de cana
Segundo o site da empresa, a Viralcool fabrica etanol, açúcar, energia e levedura a partir da cana-de-açúcar. Atende distribuidores de combustível, indústrias de alimentos e químicas no Brasil e no exterior.
Entre os destinos citados estão Reino Unido, Europa, África, Oriente Médio, América do Sul e Ásia. Além de Pitangueiras, a companhia tem unidade em Castilho, no oeste paulista, de acordo com as publicações do próprio site.
O grupo também cresceu neste ano. Em março, este site noticiou que a Usina Furlan vendeu uma unidade à Viralcool por R$ 150 milhões, dentro de um processo de recuperação judicial.
A empresa promete novo comunicado quando a área estiver segura
A nota da Viralcool encerrou com o compromisso de um novo posicionamento público. A empresa disse que a diretoria seguia dedicada à segurança das pessoas, à proteção da unidade e ao controle total do incêndio.
Até a noite de domingo, a íntegra do comunicado estava reproduzida pelo Andravirtual, e nenhuma atualização sobre perdas tinha sido publicada.
Usinas com tanques de etanol a céu aberto deveriam ser obrigadas a divulgar como se protegem de raios em dias de tempestade?
