A trajetória da energia renovável no Brasil
A história da energia renovável no Brasil se entrelaça com a busca por autonomia energética. Desde os anos 1970, quando o país enfrentou a crise do petróleo, surgiram respostas que ampliaram o uso de fontes limpas. O Programa Nacional do Álcool, criado em 1975, marcou uma virada significativa, segundo o Governo Federal.
As décadas seguintes reforçaram essa jornada. O avanço das hidrelétricas, a chegada da energia eólica nos anos 1990 e a rápida expansão da energia solar após 2012 formaram um setor robusto. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil lidera a América Latina em potência instalada de fontes renováveis.
Entretanto, o setor vive hoje um debate decisivo. O veto do presidente Lula ao dispositivo que beneficia empresas de geração renovável gerou preocupação. A Absolar, segundo informou o Diário do Nordeste, alertou que o ato pode provocar fechamento de companhias, perda de empregos e fuga de investimentos.
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O veto e suas consequências
O governo afirmou que o dispositivo vetado contraria o interesse público. A justificativa, publicada no Diário Oficial da União, indica que o trecho criaria distorções no mercado.
Ainda assim, o setor reagiu. Segundo a Absolar, milhares de empresas podem ser afetadas. Muitas delas atuam em regiões onde a energia renovável fortalece a economia local. Por esse motivo, líderes do setor argumentam que o veto ameaça a continuidade de projetos estratégicos.
Além disso, especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste afirmam que o veto surge em um momento de transição energética global. Países investem fortemente em inovação sustentável. Assim, qualquer instabilidade regulatória pode afastar investidores.
O impacto na transição energética e na sustentabilidade ambiental
A adoção de energias renováveis sempre fez parte do plano do Brasil para reduzir emissões de gases de efeito estufa, diversificar a matriz e garantir segurança energética.
Com investimentos consistentes e políticas de incentivo, o país avançou nos últimos anos.
Entretanto, o veto fragiliza esse cenário. Sem garantias mínimas de estabilidade e proteção contra cortes, o setor renovável perde competitividade.
Além disso, a retirada da compensação para curtailment pode gerar um ciclo perverso: cortes frequentes, inviabilidade econômica, desmobilização de projetos e menos alternativas verdes para abastecer o país. Em curto prazo, há risco real de desmonte de capacidades renováveis.
Consequências socioeconômicas e para o mercado de energia
Quando empresas de energia renovável enfrentam risco financeiro, o impacto não se limita ao setor. Comunidades locais, trabalhadores, fornecedores, redes de suporte e todo o ecossistema que depende dessas usinas ficam vulneráveis.
Segundo a Absolar, o veto pode causar perda de empregos diretos e indiretos, e estimular a migração de capitais para outros países ou setores mais seguros.
Assim, regiões que investiram pesado em energia limpa sofrem duplamente: com o fim da atividade econômica sustentável e com a frustração de expectativas de desenvolvimento.
Além disso, empresas em fase de planejamento ou construção podem desistir, reduzindo a expansão da oferta limpa. Isso afeta inclusive consumidores: com menos renováveis, o Brasil pode depender mais de térmicas ou fontes mais poluentes, o que contraria metas ambientais e aumenta o risco climático.
Histórico recente: avanços e retrocessos na regulação energética
Nos últimos anos, o Brasil conseguiu avanços importantes. Por exemplo, com a lei que regulamenta a geração de energia eólica offshore, sancionada em 10 de janeiro de 2025, o país abriu caminho para ampliar a produção limpa a partir do mar.
Na prática, essas medidas representavam confiança no futuro renovável. Investidores viam o Brasil como promotor da transição energética. Isso estimulou projetos de infraestrutura, geração, emprego e inovação.
Todavia, com o veto à compensação para cortes de geração, esse progresso corre risco.
A voz dos atores do setor
Representantes da indústria renovável não ocultam sua preocupação.
Como reporta a Absolar, “os empreendedores e investidores que acreditaram no Brasil estão sendo duplamente prejudicados: além de terem sua geração de energia limpa comprometida, foram obrigados a arcar com os custos dos cortes, feitos em benefício do sistema e em prol de todos os consumidores”.
Por outro lado, o governo justifica o veto afirmando que o dispositivo “contraria o interesse público”.
Que está em jogo: o futuro da sustentabilidade energética no Brasil
Com a decisão presidencial, o Brasil enfrenta uma encruzilhada.
Ou consolida um marco regulatório favorável às renováveis — com incentivos, segurança jurídica e respeito aos contratos — ou corre o risco de desacelerar a transição energética, prejudicando investimentos, empregos e o meio ambiente.
Se as renováveis perderem espaço, o país pode voltar a depender mais de fontes poluentes, o que eleva emissões, degrada o meio ambiente e compromete metas climáticas.
Dessa forma, a sustentabilidade surge não apenas como ideal ambiental, mas como critério de sobrevivência econômica, de justiça social e de responsabilidade com as próximas gerações.

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