Vendedor de balinhas esquece celular em carro de aplicativo, tenta recuperá-lo e, mais de um mês depois, continua esperando a devolução.
Um vendedor de balinhas que trabalha nas ruas ficou sem o próprio celular depois de esquecer o aparelho dentro de um carro de aplicativo durante uma corrida em Goiás. Segundo o R7, mesmo após tentar recuperar o telefone, o trabalhador continuava sem o aparelho mais de um mês depois, porque o motorista ainda não havia feito a devolução quando a reportagem foi exibida pelo Goiás Record em 2 de setembro de 2026.
A situação ganhou repercussão justamente pelo contraste entre o objeto perdido e a realidade de quem o perdeu. A reportagem identifica o passageiro como um vendedor de balinhas que depende do trabalho nas ruas e afirma que ele já enfrentava outros problemas antes de ficar também sem o telefone.
Celular ficou dentro do carro depois de uma corrida por aplicativo
O episódio começou durante uma situação absolutamente cotidiana. O vendedor utilizou um serviço de transporte por aplicativo e, em algum momento da corrida, deixou o telefone dentro do veículo.
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O caso divulgado pela Record Goiás é apresentado como o esquecimento de um bem pessoal no interior do automóvel. O problema surgiu depois, quando o passageiro tentou reaver aquilo que havia deixado para trás e a devolução não ocorreu.
A matéria televisiva foi exibida em 2 de setembro de 2026 e disponibilizada pelo R7 no dia seguinte, às 13h55. No resumo publicado junto ao vídeo, o veículo deixa claro que o vendedor já estava havia mais de um mês sem conseguir o aparelho de volta.
Isso significa que a situação não correspondia mais às primeiras horas de procura por um objeto recém-perdido. Quando o caso chegou à televisão, semanas já haviam transcorrido.
Trabalhador vende balinhas nas ruas e ficou sem uma ferramenta cada vez mais importante
O R7 identifica o personagem apenas como um vendedor de balinhas que trabalha nas ruas. A publicação não detalha sua renda, idade ou rotina diária, portanto não é possível atribuir a ele condições financeiras específicas além das descritas pela própria reportagem.
Ainda assim, perder um celular atualmente significa perder temporariamente muito mais que um aparelho destinado a chamadas.
Smartphones concentram contatos, aplicativos de mensagem, dados de localização, contas, documentos digitais, fotografias e ferramentas utilizadas para pagamentos e comunicação profissional.
Mais de um mês passou sem que o aparelho retornasse ao dono
O período é um dos elementos mais relevantes da história. Um objeto esquecido em um veículo poderia, em princípio, ser localizado logo depois da corrida, especialmente quando passageiro, viagem e motorista ficam vinculados a registros digitais na plataforma.
No caso mostrado pela Record Goiás, contudo, a espera ultrapassou um mês. O resumo oficial publicado pelo R7 afirma expressamente que, depois desse intervalo, o motorista ainda não havia devolvido o celular.
Encontrar um objeto perdido não transfere sua propriedade para quem o encontrou
Independentemente do aplicativo envolvido, a legislação brasileira possui regras específicas para coisas perdidas.
O artigo 1.233 do Código Civil estabelece que quem encontra coisa alheia perdida deve restituí-la ao proprietário ou ao legítimo possuidor. Caso não saiba quem é o dono, a pessoa deve procurar localizá-lo e, se isso não for possível, entregar o objeto à autoridade competente.
A regra derruba uma ideia popular equivocada de que encontrar algo significaria automaticamente poder ficar com o bem. Um celular esquecido, uma carteira caída na rua ou qualquer outro objeto perdido continua pertencendo ao seu proprietário.
O Código Civil ainda prevê, no artigo seguinte, que quem efetivamente restitui uma coisa encontrada pode ter direito a recompensa não inferior a 5% do valor do objeto, além da indenização de determinadas despesas de conservação e transporte, se o proprietário não preferir abandonar o bem.
Código Penal também trata da apropriação de coisa achada
A legislação brasileira vai além das regras civis. O Código Penal prevê o crime de apropriação de coisa achada.
O artigo 169 determina pena de detenção de um mês a um ano, ou multa, para determinadas modalidades de apropriação de coisa alheia.
No caso específico de coisa perdida, o inciso II do parágrafo único alcança quem encontra o bem e se apropria dele, total ou parcialmente, deixando de devolvê-lo ao dono ou de entregá-lo à autoridade competente dentro de 15 dias.
Dono continua tendo direito de recuperar o celular que perdeu
O Código Civil também estabelece, no artigo 1.228, que o proprietário possui o direito de reaver um bem de quem injustamente o possua ou detenha. A simples perda física de um objeto não equivale, portanto, à transferência voluntária de propriedade.
No caso de um telefone esquecido em um carro, esse princípio é particularmente simples de visualizar. O passageiro pode ter deixado de ter a posse física do aparelho quando desembarcou, mas isso não significa que tenha desistido de sua propriedade.
O próprio esforço de recuperação descrito pelo R7 demonstra justamente o contrário: o vendedor queria o celular de volta.
Até a atualização publicada às 14h de 3 de setembro de 2026, o texto do R7 continuava registrando que a devolução não havia ocorrido.
Mais de um mês depois, vendedor ainda esperava pelo telefone que deixou no carro
A história começa com um erro cotidiano que poderia acontecer com qualquer passageiro: desembarcar de um carro e perceber tarde demais que o celular ficou para trás.
Para o vendedor de balinhas mostrado pela Record Goiás, porém, o esquecimento não terminou com uma ligação, um encontro marcado e uma devolução algumas horas depois. A espera atravessou semanas.
Quando a matéria foi exibida em 2 de setembro de 2026, ele continuava sem o aparelho. No dia seguinte, o R7 publicou o caso e manteve a informação de que o motorista não havia realizado a devolução mesmo depois de mais de um mês.
A legislação brasileira é clara ao estabelecer que coisa alheia perdida deve ser restituída ao dono e também prevê consequências quando alguém encontra um objeto e deliberadamente se apropria dele. Isso, contudo, não autoriza concluir sem investigação que houve crime no episódio específico mostrado pela televisão.
O que permanece documentado é a situação que levou a história ao noticiário: um homem que trabalha nas ruas vendendo balinhas perdeu o celular dentro de um carro de aplicativo, tentou recuperá-lo e viu mais de um mês de sua vida passar sem ter novamente nas mãos o aparelho que havia esquecido durante uma única corrida.

