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Veículos elétricos pegam fogo até 100 vezes menos que carros a gasolina

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/12/2025 às 15:25
Dados globais mostram que veículos elétricos pegam fogo com muito menos frequência que carros a gasolina nos EUA, Europa e Austrália.
Dados globais mostram que veículos elétricos pegam fogo com muito menos frequência que carros a gasolina nos EUA, Europa e Austrália.
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Incêndios em veículos elétricos viralizam nas redes, mas dados dos EUA, Europa e Austrália indicam que esses modelos pegam fogo com muito menos frequência que carros a gasolina, influenciando debates sobre segurança, consumo e políticas públicas.

Dados globais desmontam a percepção dominante

Após mais de uma década de uso em larga escala, registros consolidados permitem comparar riscos reais de incêndio entre tecnologias automotivas, revelando diferenças consistentes entre veículos elétricos e modelos a combustão interna.

Nos Estados Unidos, estatísticas compiladas por agências de segurança de transporte e citadas pela Associação Nacional de Proteção contra Incêndios indicam incêndios em veículos a combustão a cada 2 ou 3 minutos.

Esse ritmo resulta em centenas de milhares de ocorrências anuais no país, com predominância esmagadora de automóveis movidos a gasolina ou diesel, segundo os mesmos levantamentos citados pela NFPA.

Análises baseadas em dados de vendas e relatórios de incidentes nos EUA apontam cerca de 25 incêndios para cada 100.000 veículos elétricos vendidos, contra aproximadamente 1.500 incêndios por 100.000 veículos a gasolina.

A diferença coloca os modelos a combustão como responsáveis pela maior parte dos eventos registrados, mesmo em um mercado que vem ampliando rapidamente a presença de veículos eletrificados nos últimos anos.

Evidências europeias reforçam a tendência

Na Europa, dados oficiais da Agência Sueca de Contingências Civis mostram que, em 2022, ocorreram apenas 23 incêndios entre cerca de 611.000 veículos elétricos em circulação.

Essa incidência corresponde a aproximadamente 0,004%, segundo o órgão sueco, em um dos mercados mais eletrificados do mundo, com elevada adoção de carros movidos a bateria.

No mesmo período, a Suécia registrou 3.400 incêndios envolvendo cerca de 4,4 milhões de veículos a gasolina e diesel, o que equivale a uma taxa de 0,08%.

Em termos proporcionais, os veículos a combustão apresentaram probabilidade cerca de 20 vezes maior de pegar fogo do que os elétricos, conforme os dados divulgados pela agência.

Esses números europeus se alinham às estatísticas norte-americanas e ampliam a base internacional de comparação sobre segurança veicular relacionada a incêndios.

Base australiana aponta diferença ainda maior

Na Austrália, a organização EV FireSafe mantém um banco de dados global verificado de incidentes envolvendo veículos elétricos, reunindo registros de diferentes países e contextos operacionais.

Segundo a EV FireSafe, o risco estimado de incêndio em veículos elétricos varia entre 0,001% e 0,002%, com base nos casos documentados globalmente.

Para veículos a gasolina e diesel, a estimativa apresentada pela mesma organização é de aproximadamente 0,1%, considerando frotas em circulação e relatórios disponíveis.

Isso representa um risco entre 50 e 100 vezes maior para veículos a combustão, dependendo de fatores como idade da frota e completude dos registros analisados.

Caso polonês detalha o cenário recente

Dados mais recentes do Serviço Estatal de Bombeiros da Polônia, citados pela Associação Polonesa de Nova Mobilidade em 2025, adicionam granularidade ao debate europeu.

Entre 2020 e 2025, o país registrou 51.142 incêndios em veículos, sendo 50.833 envolvendo modelos com motor de combustão interna.

No mesmo intervalo, foram contabilizados 222 incêndios em veículos híbridos e apenas 87 ocorrências envolvendo veículos totalmente elétricos, segundo o levantamento oficial.

Mesmo após ajustes considerando a menor participação dos elétricos na frota nacional, os dados não indicam maior propensão desses modelos a incêndios em comparação aos convencionais.

Consistência entre diferentes regiões

Ao comparar EUA, União Europeia e Austrália, a tendência observada é consistente: incêndios em veículos elétricos são mais raros do que em veículos a combustão interna.

Nenhum dos conjuntos de dados analisados mostra evidência estatística de que carros elétricos queimem com mais frequência, contrariando percepções amplamente difundidas.

Ainda assim, a narrativa pública frequentemente sugere o oposto, influenciada por episódios isolados de grande visibilidade e circulação massiva nas redes sociais.

Visibilidade explica a persistência do mito

Incêndios em carros a gasolina são eventos rotineiros e ocorrem com tanta frequência que raramente se tornam notícia nacional, salvo quando há mortes ou grandes danos materiais.

Já os incêndios em veículos elétricos são relativamente incomuns, o que faz com que cada ocorrência seja tratada como um evento excepcional e amplamente documentado.

Vídeos de um único carro elétrico em chamas podem gerar milhões de visualizações, sendo repetidamente compartilhados, analisados e reutilizados em diferentes contextos online.

Essa assimetria de cobertura cria uma percepção distorcida, na qual eventos raros parecem mais frequentes do que realmente são, influenciando consumidores e debates políticos.

Comportamento técnico dos incêndios

Outro fator de destaque é o comportamento distinto dos incêndios envolvendo baterias de íon-lítio, tecnologia central dos veículos elétricos modernos.

Esses incêndios podem durar mais tempo, resistir a métodos convencionais de combate e, em alguns casos, reacender após aparentarem estar controlados, exigindo protocolos específicos.

As cenas prolongadas com bombeiros, bloqueios de vias e operações complexas reforçam a impressão de gravidade excepcional, mesmo quando o evento é estatisticamente raro.

Imagens virais também são frequentemente reutilizadas fora de contexto, às vezes atribuídas incorretamente a falhas espontâneas de baterias, segundo registros analisados.

Causas reais dos incêndios em elétricos

A maioria dos incêndios em veículos elétricos tem origem em danos aos sistemas de baterias, e não em ignição espontânea durante o uso normal.

Colisões severas que comprometem a estrutura das baterias, defeitos internos de fabricação, infiltração de água após inundações ou falhas de carregamento estão entre os fatores citados.

Em casos raros, esses eventos podem levar à chamada fuga térmica, quando o calor se propaga rapidamente entre células da bateria, dificultando o controle inicial.

Diferenças em relação aos veículos a combustão

Nos carros a gasolina, incêndios estão majoritariamente ligados a vazamentos de combustível, rompimentos de tanques, superaquecimento do motor ou falhas elétricas.

A presença de combustível líquido altamente inflamável sob pressão cria um risco inerente de ignição contínua, especialmente em veículos mais antigos ou colisões de alto impacto.

A distinção central é que incêndios em elétricos são tecnicamente complexos, porém pouco frequentes, enquanto incêndios em motores a combustão são mais simples, mas muito mais comuns.

Avaliações de reguladores e especialistas

A NFPA e corpos de bombeiros dos EUA destacam que incêndios em veículos elétricos impõem desafios específicos aos socorristas, sobretudo no resfriamento das baterias.

Ao mesmo tempo, a entidade enfatiza que esses veículos representam apenas uma pequena fração do total de incêndios veiculares registrados anualmente no país.

Uma investigação conduzida em 2023 pela Battelle para a Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos EUA concluiu que a propensão e a gravidade desses incêndios são comparáveis ou ligeiramente inferiores às dos combustíveis tradicionais.

Segundo a NHTSA, essa conclusão foi corroborada por órgãos europeus de segurança no transporte e por pesquisadores independentes que analisam incêndios pós-acidente.

Dados superam narrativas

Os veículos elétricos não são imunes a incêndios, mas os números disponíveis indicam que eles queimam menos que carros a gasolina, às vezes por diferenças superiores a dez vezes.

O mito persiste devido à combinação de impacto visual, raridade estatística e cobertura desproporcional, não por maior frequência real desses eventos na frota global.

Com dados acumulados ao longo de anos e em múltiplas regiões, a evidência empírica já não é ambígua, apesar da percepção publica ainda resistir aos números.

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Roberto Capiva
Roberto Capiva
28/04/2026 08:46

As estatísticas disponíveis de incêndios em veículos elétricos são precárias. Algumas, como da AutoinsuranceEZ são completamente erradas, que além de não respeitar os requisitos de amostragem equalizada, colocou afirmações falsas sobre o trabalho do NTSB. Um estudo que mostrou os erros de tais estatísticas está em: https://****4pOECNO

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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