Vale obtém licença para nova planta em Mariana, com capacidade de 21,8 milhões de toneladas anuais e previsão de 3.603 contratações.
Uma nova planta industrial poderá receber milhões de toneladas de minério de ferro por ano em Mariana, Minas Gerais, enquanto milhares de trabalhadores serão mobilizados para construir suas instalações. O empreendimento ficará na Mina Fazendão, onde a Vale pretende instalar equipamentos para processar materiais com menor concentração de ferro. Segundo o Mais Minas, em reportagem publicada em 29 de outubro de 2026, a empresa recebeu autorização ambiental para uma unidade capaz de processar 21,8 milhões de toneladas de minério por ano e produzir até 12,6 milhões de toneladas de concentrado fino.
A implantação prevê 3.603 novas contratações, embora as vagas ainda não estejam abertas. O licenciamento foi deferido em 26 de setembro de 2026 pela Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam).
Nova planta industrial será construída na Mina Fazendão, em Mariana
A Vale pretende instalar a nova estrutura na Mina Fazendão, localizada ao norte de Mariana, próxima ao município de Catas Altas. A região concentra atividades de mineração de ferro desenvolvidas há várias décadas.
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A exploração mineral na área começou em 1963. A Vale assumiu as operações em 1991 e passou a administrar instalações utilizadas para extrair, processar e transportar minério de ferro.
A nova planta será integrada à estrutura existente. O projeto busca aumentar a capacidade de processamento e permitir o aproveitamento de minério com características diferentes das encontradas nas áreas exploradas anteriormente.
Unidade terá capacidade para processar 21,8 milhões de toneladas anualmente
A instalação foi projetada para receber até 21,8 milhões de toneladas de minério bruto por ano. O material passará por equipamentos que separam os componentes ricos em ferro daqueles que não serão aproveitados comercialmente.

Atualmente, a planta existente na Mina Fazendão possui capacidade de processamento de aproximadamente 6 milhões de toneladas anuais. A nova estrutura permitirá trabalhar com volumes maiores e minério de menor teor de ferro.
A capacidade de 21,8 milhões de toneladas representa uma previsão de projeto. O volume efetivamente processado dependerá da conclusão das instalações, do fornecimento de minério e das condições de funcionamento dos equipamentos industriais.
Produção poderá alcançar 12,6 milhões de toneladas de concentrado fino
Depois do processamento, a nova unidade poderá produzir até 12,6 milhões de toneladas de pellet feed por ano. Esse material é um concentrado fino de minério de ferro utilizado na produção de pelotas para a indústria siderúrgica.
As pelotas podem ser empregadas nos processos que transformam minério de ferro em matéria-prima para fabricar aço. Esse metal é utilizado em prédios, pontes, veículos, máquinas e equipamentos industriais.
A diferença entre o volume de minério recebido e a quantidade de concentrado produzido ocorre durante a separação dos materiais. Parte do conteúdo original é retirada para elevar a concentração de ferro no produto final.
Construção poderá mobilizar até 3.858 trabalhadores durante as obras
O estudo ambiental prevê 3.603 novas contratações durante a implantação da unidade. Os profissionais serão necessários para atividades relacionadas à construção, instalação de equipamentos e preparação da infraestrutura industrial.
No período de maior movimentação, o efetivo total poderá alcançar 3.786 trabalhadores na primeira etapa e 3.858 na segunda.
A Vale informou que pretende priorizar profissionais de Mariana, Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais. A documentação também prevê programas de capacitação e medidas para organizar a contratação regional.
Fábrica funcionará 24 horas por dia depois de entrar em operação
O planejamento estabelece funcionamento contínuo, durante os sete dias da semana. A produção dependerá de equipes responsáveis pelo controle dos equipamentos, manutenção, segurança e acompanhamento das diferentes etapas industriais.
A documentação ambiental considera aproximadamente 711 trabalhadores por dia nas atividades da Mina Fazendão. O número inclui profissionais administrativos e operacionais, não apenas funcionários da nova planta.
A operação também exigirá fornecimento regular de água e energia, além de sistemas de controle ambiental. Ainda não existe confirmação pública de uma data definitiva para o início da produção comercial.
Minério seguirá por ferrovia até o Porto de Tubarão, no Espírito Santo
O concentrado produzido será encaminhado ao Terminal Ferroviário de Fazendão. De lá, seguirá pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, utilizada para transportar grandes volumes de minério de ferro até o litoral.
O destino previsto é o Porto de Tubarão, em Vitória, no Espírito Santo. O complexo portuário possui instalações destinadas ao recebimento, armazenamento e embarque de produtos minerais.
A utilização da ferrovia existente faz parte do planejamento logístico do empreendimento. A movimentação futura dependerá da produção efetiva da planta e da capacidade disponível para transportar o material.
Empreendimento ocupará quase 90 hectares e exigirá intervenções ambientais
A área diretamente afetada pela implantação será de 89,42 hectares, equivalente a aproximadamente 894 mil metros quadrados. O espaço receberá instalações e estruturas necessárias ao processamento do minério.
O projeto contempla intervenção em 6,40 hectares de Área de Preservação Permanente, sem retirada de vegetação nativa nessa área específica. Também está previsto o corte ou aproveitamento de 340 árvores nativas isoladas.
Entre as espécies identificadas existem exemplares protegidos pela legislação ambiental. Como compensação, a Vale apresentou medidas que incluem recuperação de áreas degradadas e destinação de terreno para proteção ambiental.
Vale pretende canalizar 700 metros de córrego próximo à ferrovia
Uma das intervenções previstas envolve aproximadamente 700 metros do córrego São Luís. A canalização foi proposta para adequar o escoamento da água na região das instalações ferroviárias.
O objetivo apresentado no estudo é reduzir riscos de inundação e melhorar as condições de funcionamento da infraestrutura. A intervenção deverá seguir os critérios estabelecidos no processo de licenciamento.
A documentação também identificou três cavidades naturais subterrâneas na área estudada. Uma delas apresenta danos que estão sendo tratados em procedimento ambiental separado, conforme as informações divulgadas sobre o empreendimento.
Licença ambiental foi concedida em setembro de 2026
A Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais analisou o empreendimento no processo administrativo nº 34164/2025. A decisão favorável foi publicada em 26 de setembro de 2026.
A nova planta foi classificada como empreendimento de classe 6, categoria que considera atividades de grande porte ou elevado potencial de impacto ambiental. O licenciamento ocorreu na modalidade LAC 1.
Essa modalidade reúne as análises prévia, de instalação e de operação em um mesmo procedimento. A autorização permite avançar conforme as condições estabelecidas pelo órgão ambiental, mas não comprova o início das obras. Meio Ambiente MG
Nova estrutura ainda depende da implantação para começar a produzir
Com a autorização concedida, a Vale poderá avançar nas etapas necessárias à construção da unidade. Os trabalhos deverão envolver preparação do terreno, montagem industrial e integração com os equipamentos existentes.
A mineradora também precisará cumprir as obrigações ambientais estabelecidas no licenciamento. Essas exigências incluem medidas de compensação, monitoramento e controle dos impactos associados ao empreendimento.
