1. Início
  2. Indústria
  3. Usiminas investe R$ 1,7 bilhão para reconstruir unidade desativada e prevê 800 empregos em MG
Faça um comentário 6 min de leitura

Usiminas investe R$ 1,7 bilhão para reconstruir unidade desativada e prevê 800 empregos em MG

Imagem de perfil do autor Carla Teles
Escrito por Carla Teles Publicado em 30/10/2026 às 18:39 Atualizado em 30/10/2026 às 18:40
Google News
Usiminas investe R$ 1,7 bilhão para reconstruir unidade desativada e prevê 800 empregos em MG (1)
Usiminas investe R$ 1,7 bilhão para reconstruir a Bateria 4 da Coqueria 2 em Ipatinga, com previsão de 800 empregos e retomada em 2029. Imagem: Mehmet Turgut Kirkgoz/Pexels.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Obra na Coqueria 2, em Ipatinga, vai substituir estrutura fora de operação e permitir que a siderúrgica volte a produzir parte dos insumos usados nos altos-fornos.

A Usiminas iniciou em outubro de 2026 a reconstrução de uma unidade industrial desativada em Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais, com investimento previsto de R$ 1,7 bilhão até 2029. O projeto envolve a substituição da Bateria 4 da Coqueria 2 e deve gerar cerca de 800 empregos durante as obras. A estrutura permitirá ampliar a fabricação própria de coque, insumo utilizado na produção de ferro-gusa, etapa essencial da fabricação de aço.

Segundo informações publicadas pelo Indústria News em 5 de outubro e confirmadas pela Usiminas em comunicado oficial de 1º de outubro, a nova bateria deverá entrar em operação em 2029. Até lá, a empresa continuará executando intervenções em sua infraestrutura siderúrgica para reduzir a dependência de matérias-primas adquiridas de fornecedores externos.

Usiminas vai reconstruir Bateria 4 para recuperar produção própria de coque

Interior de instalação siderúrgica com equipamentos industriais e processo de produção de aço.
Produção siderúrgica em instalação industrial no Irã. Imagem ilustrativa do setor de fabricação de aço. Imagem: Unsplash.

O investimento será aplicado na reconstrução da Bateria 4, equipamento pertencente à Coqueria 2 do Centro Industrial de Ipatinga. O projeto prevê a substituição da estrutura existente por uma nova instalação com tecnologias atualizadas.

A bateria funciona como um conjunto de fornos industriais utilizados na transformação do carvão mineral em coque. Durante esse processo, o material é aquecido a temperaturas elevadas na ausência de oxigênio, liberando gases e outros componentes.

O coque produzido é utilizado nos altos-fornos, onde atua como combustível e agente redutor na transformação do minério de ferro em ferro-gusa.

A produção própria desse insumo permite à siderúrgica controlar parte do abastecimento de suas instalações. Quando a capacidade interna é insuficiente, a empresa precisa adquirir volumes adicionais no mercado.

O projeto de R$ 1,7 bilhão busca reduzir essa necessidade. A Usiminas, porém, não divulgou no comunicado de outubro quantas toneladas de coque a nova bateria poderá produzir anualmente.

A companhia também não apresentou uma estimativa monetária de economia após a conclusão da obra. Portanto, o impacto financeiro dependerá do desempenho da instalação e dos custos de operação e aquisição do insumo.

Nova estrutura deve entrar em operação em 2029 e gerar cerca de 800 empregos

A reconstrução começou com a mobilização dos trabalhos industriais e deverá ser concluída até 2029, prazo previsto para a entrada em operação.

Segundo a Usiminas, aproximadamente 800 postos de trabalho serão gerados durante a execução do empreendimento.

Esse número corresponde à fase de obras e não representa necessariamente 800 contratações permanentes após a conclusão do projeto.

A implantação envolve serviços de construção e montagem industrial, além da instalação de equipamentos necessários ao funcionamento da nova bateria.

Em reportagem publicada em 13 de outubro, o Portal Siderurgia Brasil confirmou que a intervenção inclui a demolição da estrutura desativada e a construção de uma nova unidade.

A obra será realizada dentro do complexo industrial de Ipatinga, onde a Usiminas mantém suas principais operações de produção siderúrgica.

O investimento também amplia a movimentação de serviços associados à construção industrial no Vale do Aço, embora a companhia ainda não tenha detalhado a distribuição das contratações entre empresas e especialidades profissionais.

Em outubro, o CPG mostrou que a indústria de fundição em Minas Gerais enfrenta queda de demanda e pressão das importações, cenário que também afeta decisões de investimento no setor metalúrgico.

Coqueria 2 já recebeu outro investimento de R$ 950 milhões para recuperar capacidade

Instalações industriais e chaminé na área de coqueria da Usiminas, em Ipatinga.
Estruturas industriais da Usiminas em Ipatinga, onde será reconstruída a Bateria 4 da Coqueria 2. Imagem: Divulgação.

A reconstrução da Bateria 4 faz parte de um conjunto maior de intervenções industriais realizadas pela Usiminas em Ipatinga.

Em abril de 2024, a empresa anunciou um investimento de R$ 950 milhões para o reparo a quente da Bateria 3 da mesma Coqueria 2.

Segundo o comunicado oficial publicado naquele ano, o trabalho teria duração prevista de 33 meses e seria realizado sem interromper completamente a operação, com alternância entre os fornos em manutenção e os que continuariam produzindo.

A intervenção foi planejada para recuperar a capacidade nominal do equipamento, com expectativa de ampliar a produção de coque em 12% após a conclusão dos trabalhos.

Na ocasião, a companhia informou que a Coqueria 2 operava somente com a Bateria 3. Também relatou a paralisação da Coqueria 1 em 2012 e a interrupção da produção da Coqueria 3 em dezembro de 2023, após preocupações relacionadas ao desempenho ambiental.

A nova Bateria 4 representa, portanto, outro projeto dentro do programa de recuperação da infraestrutura de coque.

O complexo de Ipatinga também possui iniciativas relacionadas à moagem e injeção de carvão pulverizado, conhecido pela sigla PCI, e à instalação de um novo gasômetro.

Esses equipamentos fazem parte de diferentes etapas do processo siderúrgico e não devem ser confundidos com a reconstrução da Bateria 4.

Compra de coque continua pressionando os custos da siderúrgica

A decisão de reconstruir a bateria ocorre enquanto a Usiminas enfrenta custos elevados para manter sua produção de aço.

No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 30 de outubro, a companhia informou lucro líquido de R$ 243,4 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões registrado no mesmo período de 2025.

Apesar da recuperação contábil, a receita líquida recuou 6,1% na comparação anual, para R$ 6,2 bilhões.

Segundo os resultados divulgados pela companhia e detalhados pelo UOL, o custo por tonelada de aço vendida na divisão de siderurgia subiu 2,4% em relação ao segundo trimestre, alcançando R$ 4.849.

Entre os fatores apontados estavam o encarecimento das placas de aço e do coque, além dos efeitos cambiais sobre as operações.

Os números ajudam a explicar a importância econômica do investimento em Ipatinga. Ao ampliar a fabricação interna de coque, a Usiminas pretende reduzir sua exposição às compras externas desse insumo.

A medida, entretanto, não elimina outros componentes dos custos siderúrgicos, como energia, transporte, minério, manutenção e mão de obra.

O preço da energia também integra as discussões sobre competitividade industrial. Em outubro, uma reportagem do CPG abordou o custo do gás natural para a indústria, com declarações do presidente da Usiminas sobre diferenças de preços entre o Brasil e países vizinhos.

Presidente da Usiminas relaciona investimento à concorrência com aço importado

O presidente da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou no anúncio de outubro que o projeto busca melhorar a competitividade da companhia e substituir uma operação anteriormente desativada.

O executivo também voltou a defender medidas de proteção à indústria nacional contra importações que considera subsidiadas.

A discussão ocorre em um mercado no qual produtos siderúrgicos brasileiros competem com aço importado utilizado por fabricantes de veículos, equipamentos e estruturas industriais.

A Usiminas atua principalmente na produção de aços planos, comercializados em chapas e bobinas para diferentes setores da economia.

Em outubro, o CPG mostrou que as montadoras chinesas ampliaram suas vendas, em meio ao crescimento das importações de veículos no mercado brasileiro.

A siderúrgica sustenta que a modernização de seus processos é necessária para enfrentar a concorrência e melhorar sua estrutura de custos.

A Ternium, acionista controladora da Usiminas, também destacou em comunicado de 9 de outubro sua atuação no mercado brasileiro e os investimentos realizados no setor siderúrgico.

Produção de coque só será retomada após a conclusão da nova bateria

O cronograma divulgado pela Usiminas estabelece 2029 como prazo previsto para o início das operações da Bateria 4 reconstruída.

Até essa data, a companhia deverá concluir a substituição da estrutura, instalar os novos equipamentos e executar as etapas necessárias para colocar a unidade em funcionamento.

A empresa ainda não divulgou a capacidade anual definitiva da nova instalação nem uma previsão de contratações permanentes para sua operação.

O avanço das obras e os resultados das demais intervenções na Coqueria 2 serão os próximos indicadores do programa de modernização de Ipatinga.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x