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Etanol na gasolina: aumento da mistura exige cautela com motores e incentivos ao consumidor, apontam especialistas

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 30/10/2026 às 15:07
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Ampliação da mistura de etanol na gasolina exige avaliações técnicas, segurança regulatória e incentivos ao consumidor, segundo especialistas reunidos na Datagro.
Ampliação da mistura de etanol na gasolina exige avaliações técnicas, segurança regulatória e incentivos ao consumidor, segundo especialistas reunidos na Datagro. (imagem ilustrativa feita com IA)
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Ampliação da mistura de etanol na gasolina exige avaliações técnicas, segurança regulatória e incentivos ao consumidor, segundo especialistas reunidos na Datagro.

O impacto de uma possível ampliação da mistura de etanol na gasolina sobre os motores dos veículos brasileiros foi um dos temas discutidos na 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizada na terça-feira (27 de outubro), em São Paulo. Durante o encontro, representantes do governo, da pesquisa e do setor produtivo destacaram que o avanço do biocombustível exige avaliações técnicas, além de medidas regulatórias e econômicas capazes de estimular seu uso na transição energética.

Embora a indústria automotiva brasileira já disponha de tecnologias voltadas à redução das emissões, os participantes ressaltaram que a adoção dessas soluções também depende das condições oferecidas ao mercado. O desafio envolve tanto a segurança dos veículos que já circulam no país quanto a criação de incentivos para que o motorista considere alternativas de menor impacto ambiental.

Mudanças na mistura de etanol precisam considerar os motores em circulação

Antes de elevar a proporção de etanol adicionada à gasolina, é necessário compreender como essa alteração poderá afetar os automóveis em uso no Brasil. Esse foi um dos alertas apresentados por Renato Romio, gerente da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, durante as discussões sobre o futuro dos combustíveis renováveis.

Segundo o pesquisador, três aspectos merecem atenção especial: o funcionamento mecânico dos motores, a quantidade de combustível consumida e os níveis de emissões. Essas avaliações fornecem informações importantes para orientar decisões regulatórias e verificar os efeitos de eventuais mudanças na composição da gasolina.

Romio também destacou o papel da pesquisa científica nesse processo. Para ele, a ampliação do uso do biocombustível precisa estar apoiada em conhecimento técnico, permitindo que os avanços ambientais sejam acompanhados por análises sobre o desempenho dos veículos.

Indústria brasileira domina tecnologias, mas híbridos a etanol ainda enfrentam desafios

Na avaliação de Renato Romio, a capacidade de desenvolver soluções automotivas eficientes já faz parte da realidade da indústria nacional. O obstáculo está em criar condições que favoreçam uma adoção mais ampla de veículos híbridos movidos a biocombustíveis.

O pesquisador considera que os avanços de engenharia, embora importantes, não são suficientes para garantir maior presença dessas tecnologias no mercado. A expansão também exige incentivos adequados, disponibilidade de soluções tecnológicas e informações que ajudem o consumidor a compreender os benefícios das alternativas de baixo carbono.

Ampliação da mistura de etanol na gasolina exige avaliações técnicas, segurança regulatória e incentivos ao consumidor, segundo especialistas reunidos na Datagro.
Imagem ilustrativa feita com IA

Nesse cenário, a regulamentação tem um papel que vai além de estabelecer exigências para o setor automotivo. Ela também pode contribuir para que as tecnologias desenvolvidas pela indústria encontrem condições favoráveis de utilização, aproximando a inovação das escolhas feitas pelos motoristas.

Governo destaca programas de inovação e defende estímulos ao uso do etanol

A necessidade de incentivar o consumidor também foi abordada por Marlon Arraes, diretor do Gabinete da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Durante o evento, ele avaliou que o Brasil já dispõe de instrumentos regulatórios importantes para apoiar a modernização da indústria automotiva.

Arraes mencionou o Mover, o Inovar-Auto e o Rota 2030 como exemplos de iniciativas relacionadas à inovação industrial e à eficiência energética dos motores. Apesar desses avanços, o representante do governo considera necessário fazer com que os benefícios das alternativas menos intensivas em carbono sejam percebidos de maneira mais clara pelo público.

A avaliação apresentada no painel é que o desenvolvimento tecnológico precisa caminhar junto com estímulos capazes de tornar o etanol uma opção mais interessante para quem utiliza veículos no dia a dia. Dessa forma, a escolha por combustíveis renováveis não ficaria restrita às possibilidades oferecidas pela engenharia.

Precificação das emissões pode valorizar vantagens ambientais do biocombustível

Outro tema levantado por Marlon Arraes foi a possibilidade de atribuir um preço às emissões associadas aos combustíveis fósseis. O mecanismo foi defendido como uma ferramenta econômica capaz de reconhecer as diferenças ambientais entre os derivados de petróleo e alternativas renováveis.

Na avaliação do representante do governo, a precificação pode contribuir para valorizar os benefícios do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A proposta busca fazer com que os impactos das emissões também sejam considerados nas condições de mercado, fortalecendo a competitividade das opções de menor intensidade de carbono.

A discussão mostra que o avanço dos biocombustíveis não está relacionado apenas à capacidade de produção ou ao desenvolvimento dos motores. Os instrumentos econômicos também podem influenciar as condições necessárias para ampliar sua participação no setor de transportes.

Ampliação da mistura de etanol na gasolina exige avaliações técnicas, segurança regulatória e incentivos ao consumidor, segundo especialistas reunidos na Datagro.
Ampliação da mistura de etanol na gasolina exige avaliações técnicas, segurança regulatória e incentivos ao consumidor, segundo especialistas reunidos na Datagro. (imagem ilustrativa feita com IA)

Universidades, montadoras e órgãos reguladores precisam manter cooperação

O encontro, que contou com a mediação de Hugo Cagno, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), também destacou a importância da colaboração entre diferentes instituições para orientar os próximos passos do setor.

Os participantes defenderam uma atuação contínua entre universidades, fabricantes de veículos e autoridades responsáveis pela regulamentação. A integração permitiria reunir conhecimento científico, experiência industrial e instrumentos regulatórios para fundamentar decisões relacionadas aos combustíveis renováveis.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica. Contato: ruthrodriguesm@gmail.com

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