Bravo Mining projeta US$ 784,9 milhões para desenvolver Luanga, em Carajás, com mina, beneficiamento e metalúrgica no Pará.
Segundo a Bravo Mining, a companhia canadense colocou nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, um número concreto sobre um projeto que vinha sendo perfurado e estudado há anos no Pará: US$ 784,9 milhões, cerca de R$ 4 bilhões pela ordem de grandeza do câmbio atual, seriam necessários antes do início da produção no projeto Luanga.
O plano une uma mina a céu aberto em Curionópolis, no coração da Província Mineral de Carajás, a uma planta de processamento e uma metalúrgica cerca de 600 quilômetros adiante, em Barcarena. No caminho entre uma estrutura e outra estariam níquel, paládio, platina, ródio e ouro, metais que a empresa pretende extrair, concentrar e processar dentro do próprio estado.
US$ 603,6 milhões ficariam perto da mina
O estudo de pré-viabilidade divide a conta em dois grandes blocos. A maior parte, US$ 603,6 milhões, iria para a mina e a planta de processamento.
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Desse valor, US$ 280,6 milhões aparecem ligados diretamente aos equipamentos mecânicos da usina, enquanto estruturas elétricas, obras civis, barragens, preparação da mina e engenharia completam o pacote.
Outros US$ 181,3 milhões estão previstos para a metalúrgica em Barcarena.
Somadas, as duas frentes levam o investimento inicial aos US$ 784,9 milhões. A companhia ainda calcula US$ 98,2 milhões adicionais em capital de manutenção durante a vida útil da operação.
Luanga fica em Curionópolis, a cerca de 40 km de Parauapebas
A parte mineral do projeto está em Curionópolis, no sudeste do Pará. Luanga ocupa uma área de aproximadamente 7.810 hectares e fica a cerca de 40 quilômetros de Parauapebas, uma das principais cidades da mineração brasileira.
Estradas pavimentadas, ferrovias, energia hidrelétrica e uma cadeia de fornecedores já instalada em Carajás aparecem entre as vantagens citadas pela empresa.
Em vez de começar uma operação mineral numa região completamente isolada, a Bravo está cercada por décadas de infraestrutura construída para atender grandes minas de ferro, cobre e outros minerais de Carajás.
Reserva chega a 86,7 milhões de toneladas
O estudo divulgado agora também trouxe a primeira declaração formal de reservas minerais do projeto. A Bravo calcula 86,7 milhões de toneladas de reservas provadas e prováveis, com teor médio equivalente de 2,77 gramas de paládio por tonelada.
Essa classificação é mais rígida do que simplesmente apontar recursos encontrados no subsolo porque incorpora fatores técnicos e econômicos usados para avaliar a possibilidade de mineração.
Esses 86,7 milhões de toneladas não incluem integralmente os resultados de outros 22.100 metros de perfurações de expansão e adensamento realizados em 2026. Esse trabalho continua sendo incorporado aos estudos geológicos.
Uma semana antes da divulgação do estudo, a empresa havia publicado novas interceptações com níquel e metais do grupo da platina em diferentes partes do depósito.
Planta poderá processar perto de 10 milhões de toneladas por ano
O cenário-base prevê processamento médio de 8,67 milhões de toneladas por ano, chegando a pouco mais de 10 milhões de toneladas anuais nos períodos de maior produção. A vida útil inicial considerada no estudo é de aproximadamente 9,6 anos.
Além das 86,7 milhões de toneladas de minério, o plano estima a movimentação de 576,1 milhões de toneladas de material sem valor econômico suficiente para processamento.
É uma operação de mina a céu aberto em grande escala.
Paládio e platina dominam uma cesta com cinco metais
Luanga chama atenção porque não depende de um único metal. Ao longo da vida útil projetada, o estudo calcula cerca de 2,09 milhões de onças de paládio, 1,51 milhão de onças de platina, 161 mil onças de ródio e 181 mil onças de ouro disponíveis para venda depois das recuperações previstas no processo industrial.
O níquel aparece em outra unidade. A projeção é de aproximadamente 98,2 mil toneladas de níquel pagável durante a operação.
Paládio, platina e ródio pertencem ao grupo dos metais da platina, conhecidos pela sigla PGM. São materiais utilizados em diferentes aplicações industriais, incluindo sistemas de controle de emissões, química, eletrônica e tecnologias especializadas.
O níquel, por sua vez, continua importante para ligas metálicas, aço inoxidável e determinadas químicas de baterias.
O plano não termina no concentrado saindo da mina
É em Barcarena que a estratégia foge do caminho mais simples. Uma mineradora poderia retirar o minério, produzir um concentrado e mandar esse material para uma metalúrgica em outro país. A Bravo estuda fazer mais uma etapa dentro do Pará.

A subsidiária Bravo Metals recebeu autorização para instalar seu projeto industrial na Zona de Processamento de Exportação de Barcarena, a ZPE. A unidade poderá produzir ligas contendo níquel e metais como paládio, platina e ródio.
Barcarena fica ao lado do Porto de Vila do Conde e já possui uma cadeia ligada a alumínio, fertilizantes, logística e processamento mineral.
O concentrado produzido em Curionópolis viajaria cerca de 600 quilômetros antes de chegar à metalúrgica.
Barcarena também receberia ácido sulfúrico como subproduto
O forno não entregaria apenas uma liga metálica. O estudo estima produção acumulada de aproximadamente 878 mil toneladas de ácido sulfúrico durante a vida útil do projeto. O material surgiria como subproduto do processamento metalúrgico.
A região concentra operações de fertilizantes, e o ácido sulfúrico é usado nessa indústria. A Bravo aponta a possibilidade de vender o produto localmente, reduzindo a necessidade de encontrar um destino distante para parte do material gerado pelo processo.
Porto, indústria e metalurgia ficam então na mesma equação.
Estudo calcula US$ 9,3 bilhões em receita ao longo do projeto
No cenário-base, a receita bruta acumulada durante a vida da mina chegaria a aproximadamente US$ 9,32 bilhões. O EBITDA projetado, antes de juros, impostos, depreciação e amortização, soma US$ 4,2 bilhões.
O valor presente líquido depois de impostos foi estimado em US$ 1,45 bilhão, usando uma taxa de desconto de 8%.
A taxa interna de retorno calculada é de 35,1%, com recuperação do capital em cerca de dois anos depois do início da operação.
São números de um estudo de pré-viabilidade, não dinheiro garantido. Mudanças nos preços de níquel, paládio, platina, ródio e ouro podem mexer bastante nessa conta.
Projeto já tem licença prévia, mas obra ainda não está autorizada
A mina não está pronta para começar a ser construída amanhã. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará concedeu a Licença Prévia em março de 2025, depois do estudo ambiental e da audiência pública.
Esse documento reconhece a viabilidade ambiental da localização e do conceito apresentado, mas não substitui a licença necessária para instalar fisicamente o empreendimento.
A Bravo pretende apresentar o pedido de Licença de Instalação no quarto trimestre de 2026.
Também falta completar o estudo definitivo de viabilidade e chegar à decisão final de investimento, etapa em que a companhia decide se realmente comprometerá o capital necessário para construir o projeto.
O mesmo vale para Barcarena. A autorização para entrar na ZPE abre a porta industrial e fiscal, mas não funciona como licença ambiental para construir a metalúrgica.
O próximo salto acontece entre o estudo e o canteiro de obras
Luanga já passou da fase em que tudo depende apenas de furos exploratórios no chão.
Existe reserva declarada, licença prévia, engenharia de pré-viabilidade, autorização para um projeto industrial na ZPE de Barcarena e uma estimativa detalhada do capital necessário.
Ainda falta a etapa que separa grande parte dos projetos minerais das minas que realmente entram em operação.
A Bravo precisará terminar o estudo definitivo, conseguir a Licença de Instalação, estruturar financiamento e aprovar a decisão final de investimento.
Se esses passos forem cumpridos, os US$ 784,9 milhões deixarão de existir apenas numa planilha de engenharia.
Aí começam cava, planta, linhas elétricas, equipamentos e uma metalúrgica a 600 quilômetros dali.
O plano da canadense é fazer o minério sair de Curionópolis e chegar a Barcarena sem abandonar o Pará na etapa em que os metais ganham mais valor.

