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Uma indústria de 4 mil anos foi descoberta após arqueólogos encontrarem dois tecidos queimados com índigo raro e técnica inédita

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 22/02/2026 às 14:36
Atualizado em 22/02/2026 às 14:38
Beycesultan, Siedlungshügel bei Çivril na província turca ocidental de Denizli, bronzezeitliches Grabungsareal
Beycesultan, Siedlungshügel bei Çivril na província turca ocidental de Denizli, bronzezeitliches Grabungsareal
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Descoberta em Beycesultan Höyük, no oeste da Anatólia, a identificação de dois tecidos queimados de 4.000 anos, datados entre 1915 e 1595 a.C., revelou a evidência mais antiga de nålbinding e de tingimento com índigo na Idade do Bronze, indicando produção têxtil organizada

Escavações realizadas em 2016 e 2018 em Beycesultan Höyük, no oeste da Anatólia, identificaram dois tecidos queimados de 4.000 anos que revelam a evidência mais antiga de nålbinding e de tingimento com índigo na região, com datações entre 1915 e 1595 a.C., ampliando o conhecimento sobre a indústria têxtil da Idade do Bronze.

Dois tecidos queimados de 4.000 anos revelam uma indústria têxtil perdida da Idade do Bronze

As escavações na Turquia trouxeram à luz dois fragmentos têxteis muito pequenos, mas considerados extremamente importantes. Eles representam a evidência mais antiga já encontrada de uma técnica de tricô com agulha única conhecida como nålbinding e de tecido tingido com índigo na Anatólia da Idade do Bronze.

Tabuletas cuneiformes indicam que a indústria têxtil era altamente sofisticada durante a Idade do Bronze, no período da Antiga Colônia Assíria e do Império Hitita. No entanto, vestígios físicos raramente sobrevivem, segundo o estudo.

Em 2016 e 2018, fragmentos têxteis queimados com 4.000 anos foram descobertos em Beycesultan Höyük, um antigo assentamento no oeste da Anatólia.

O achado proporcionou aos arqueólogos uma visão rara de uma indústria outrora próspera que praticamente desapareceu.

Estruturas, recipientes e indícios de oficina

Os dois tecidos queimados foram encontrados dentro de estruturas da Idade do Bronze Média e Tardia. Permanece a dúvida se pertenciam a um único edifício ou a um complexo maior.

Ao longo da parede do pátio central, que possui uma lareira quadrada, foram identificados recipientes, potes de armazenamento e bacias de barro. Os autores suspeitam que o cômodo onde um dos tecidos foi localizado funcionava como oficina, pois restos de cestos feitos de galhos foram encontrados nas proximidades.

O segundo fragmento, denominado Tx2, estava em uma grande casa doméstica destruída por incêndio. O imóvel continha seis divisões repletas de recipientes de armazenamento e caixas de barro. Quatro buracos de poste em uma divisão adjacente podem indicar a antiga presença de um tear.

Além dos tecidos, foram encontrados instrumentos e artefatos associados à produção têxtil, como agulhas e uma espada de tecelagem. Esses elementos demonstram que Beycesultan foi um importante assentamento produtor de têxteis durante a Idade do Bronze.

Datação, fibras e técnicas identificadas

A datação por radiocarbono situou o fragmento Tx1 entre aproximadamente 1915 e 1745 a.C. Ao microscópio, os pesquisadores verificaram que a fibra era proveniente do cânhamo e que as alças foram formadas com uma única agulha.

A análise revelou o exemplo mais antigo de nålbinding nesse contexto arqueológico. Trata-se de uma técnica historicamente conhecida, mas nunca antes identificada nessa região e período.

A análise química detectou o composto responsável pelo corante azul, tornando Tx1 o exemplo mais antigo conhecido de tecido tingido com índigo na Anatólia da Idade do Bronze. Segundo o estudo, essa tonalidade normalmente aparecia apenas em vestimentas da elite ou da realeza.

O fragmento Tx2 foi datado entre 1700 e 1595 a.C. Ele foi produzido em um tear utilizando uma trama simples de tafetá. O achado indica a existência de um tear com pesos em Beycesultan.

Produção organizada e relevância regional

Como ambos os fragmentos foram encontrados em salas com ferramentas têxteis, os arqueólogos acreditam ter identificado indícios de produção organizada em larga escala. A presença de instrumentos e estruturas reforça essa interpretação.

Os autores concluem que as descobertas oferecem um vislumbre único da indústria têxtil da Idade do Bronze Média e Tardia, tanto no sítio quanto na região em geral.

Segundo o estudo, os artefatos Tx1 e Tx2 indicam que Beycesultan produzia uma variedade de tecidos, incluindo materiais exóticos e de luxo, compatíveis com reconstruções da estrutura econômica e social baseadas em outros achados materiais.

Até o momento, nenhum texto cuneiforme foi descoberto em Beycesultan, e o nome antigo do assentamento permanece desconhecido. Ainda assim, os achados têxteis e os vestígios de oficinas indicam que o local pode ter sido uma capital regional ligada à indústria têxtil e à produção em escala organizada.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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