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Uma família da Serra catarinense descobriu que parando o charque na metade do processo nascia uma carne especial, e esse frescal de mais de 50 anos feito só com gado de pasto agora sai de São Joaquim rumo ao Paraná com selo de produto artesanal

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/06/2026 às 14:33
Atualizado em 10/06/2026 às 14:35
Assista o vídeoNa Serra catarinense, a família Zandonadi transformou o charque em frescal, uma carne feita só com gado de pasto que sai de São Joaquim rumo ao Paraná.
Na Serra catarinense, a família Zandonadi transformou o charque em frescal, uma carne feita só com gado de pasto que sai de São Joaquim rumo ao Paraná.
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Em São Joaquim, na Serra catarinense, a família Zandonadi transformou uma técnica de conservar carne sem energia no frescal, uma carne salgada e maturada feita só com gado de pasto. Com o Selo Arte, o produto já chega ao Paraná, depois de anos preso ao mercado catarinense.

Em São Joaquim, no alto da Serra catarinense, uma família transformou uma necessidade antiga em iguaria, o frescal. Segundo a reportagem de Aline Leonhardt do Vale Agrícola, a família Zandonadi descobriu que, ao parar o preparo do charque na metade do processo, já obtinha uma carne especial. O resultado virou símbolo da região e leva o nome de São Joaquim para outros pontos do estado e do país.

Com mais de 50 anos de história e feito apenas com gado de pasto da própria serra, o frescal acaba de ganhar um reforço importante. A carne salgada e maturada conquistou o Selo Arte, que a reconhece como produto artesanal e permite a venda fora de Santa Catarina. Com isso, segundo a família, o produto começou a chegar à grande Curitiba e a se expandir pelo Paraná.

Do charque ao frescal, uma descoberta da família

Na Serra catarinense, a família Zandonadi transformou o charque em frescal, uma carne feita só com gado de pasto que sai de São Joaquim rumo ao Paraná.
Para entender o frescal, é preciso voltar a um tempo sem energia elétrica. 

Naquela época, quando se abatia uma rês, era necessário enterrar a carne, trocá-la com os vizinhos ou achar um jeito de conservá-la por mais tempo, e foi assim que surgiu o charque, salgado e secado ao sol.

De acordo com a reportagem de Aline Leonhardt, foi a partir dessa tradição que a família Zandonadi, de São Joaquim, fez a própria descoberta.

O segredo estava em parar no meio do caminho. 

A família percebeu que, na metade do processo do charque, e apenas controlando a temperatura durante a maturação, já tinha em mãos um produto diferente, o frescal.

O fundador foi aprendendo sozinho a curar a carne com sal, sem ninguém para ensinar, e esse conhecimento passou adiante para os filhos, entre eles Hilário, que hoje cuida da produção.

O que é o frescal e por que ele não é charque

Na Serra catarinense, a família Zandonadi transformou o charque em frescal, uma carne feita só com gado de pasto que sai de São Joaquim rumo ao Paraná.
Apesar da origem em comum, frescal e charque não são a mesma coisa. 

De acordo com a reportagem, muita gente confunde o frescal com o antigo charque, mas ele é uma carne salgada e maturada, e não apenas seca.

Por já estar salgada e parcialmente desidratada, ela assa ou cozinha mais rápido e fica macia por causa do processo de maturação.

Na prática, é uma carne versátil na cozinha. 

O frescal rende pratos como o carreteiro e também vai bem assado na brasa ou no forno.

Com mais de 50 anos de história, segundo a família, o produto carrega um modo de fazer próprio, herdado das gerações anteriores, que ajuda a explicar o sabor característico.

Só gado de pasto da Serra catarinense

A qualidade do frescal, segundo a família, começa no campo. 

A produção usa apenas gado da Serra catarinense, criado a pasto e sem confinamento, porque, de acordo com os produtores, o boi de confinamento não entrega um frescal igual ao de animais criados no campo nativo.

No inverno, quando esse campo fica fraco, eles recorrem a pastagens melhoradas para manter a matéria-prima durante quase o ano inteiro.

O acompanhamento técnico completa esse cuidado. 

Na fazenda da família estão as novilhas que vão virar matrizes, e o trabalho conta com assistência veterinária, função do criador Cléberson.

Entre as raças aparecem o charolês e cruzamentos sintéticos que vêm ganhando força, citados na reportagem como geradores de animais de boa qualidade e rendimento de carcaça.

Depois do abate no frigorífico, vem a salga, a passagem por câmaras frias com temperatura controlada e, só então, o envio para o açougue no centro de São Joaquim.

O Selo Arte e a saída para o Paraná

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A nova geração da família entrou no negócio para garantir a continuidade. 

Germana, neta dos fundadores, e o marido Fábio trocaram a engenharia mecânica pela sucessão na empresa.

Segundo eles, pesou tanto a vontade de dar continuidade a uma história ligada à cultura de São Joaquim quanto a chance de investir em algo próprio, cujo êxito dependeria do trabalho da família.

A virada recente foi a conquista do Selo Arte. 

De acordo com a reportagem, o selo reconhece o frescal como um produto artesanal e único da região e permite a venda para todo o Brasil.

Antes, como o abatedouro tinha apenas inspeção estadual, o produto ficava restrito a Santa Catarina.

Agora, a família afirma já ver mercados abrindo, principalmente na grande Curitiba, com expansão para o Paraná, e enxerga potencial de crescimento, embora reforce que o mais importante é o consumidor conhecer bem o produto.

A história do frescal de São Joaquim mostra como uma necessidade antiga virou identidade e renda para uma família inteira. 

O que nasceu como forma de conservar carne sem geladeira se transformou em uma carne salgada e maturada com mais de 50 anos de tradição, ligada ao churrasco e à cultura da Serra catarinense.

Com o Selo Arte, esse saber fazer das antigas gerações começa a ganhar o Paraná e, quem sabe, outros estados.

E você, já provou o frescal ou conhecia a diferença entre ele e o charque? Acha que produtos artesanais como esse deveriam ganhar mais espaço fora dos seus estados de origem? Conte nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem ama carne, churrasco e boas histórias do campo.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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