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Uma draga arrancou da lama do rio, nos Estados Unidos, 19 canhões gigantes de mais de 450 quilos que dormiam esquecidos no fundo havia quase 250 anos e já dispararam na Guerra da Independência americana

Publicado em 11/06/2026 às 19:03
Atualizado em 11/06/2026 às 19:06
Dragagem no rio Savannah, nos Estados Unidos, revelou 19 canhões gigantes da Guerra da Independência, e 17 deles entram em exposição em 2 de julho.
Dragagem no rio Savannah, nos Estados Unidos, revelou 19 canhões gigantes da Guerra da Independência, e 17 deles entram em exposição em 2 de julho.
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Os canhões gigantes foram achados na dragagem do rio Savannah, nos Estados Unidos, e alguns ainda estavam carregados. Testes de radiocarbono apontaram o fim do século XVIII. Restaurados pela Universidade do Texas A&M, 17 deles entram em exposição em 2 de julho, mas a identidade do navio segue como hipótese.

Durante a dragagem de um rio nos Estados Unidos, trabalhadores encontraram 19 canhões gigantes  em 2022 que estavam esquecidos no fundo havia quase 250 anos. Segundo a reportagem do portal smithsonianmag, cada peça pesa mais de 450 quilos e remonta à época da Guerra da Independência americana. Os artefatos estavam submersos no leito do rio Savannah, na divisa da Carolina do Sul com a Geórgia.

De acordo com o material, os canhões foram retirados aos poucos, ao longo de um ano, com o uso de uma draga de concha que removia a lama do fundo. Depois de restaurados por especialistas da Universidade do Texas A&M, 17 deles vão integrar uma exposição no Museu de História de Savannah. O detalhe mais curioso é que alguns canhões ainda estavam carregados.

Como os canhões gigantes foram encontrados

Dois dos canhões recentemente restaurados do Distrito de Savannah, Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, via Flickr sob licença CC BY 4.0
Dois dos canhões recentemente restaurados 
do Distrito de Savannah, Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, via Flickr sob licença CC BY 4.0

Os canhões gigantes apareceram durante a dragagem do rio Savannah, nos Estados Unidos. Segundo a reportagem, os trabalhadores usavam uma draga de concha para retirar a lama do leito do rio quando começaram a encontrar as peças. Ao longo de um ano, foram recuperados 19 canhões, cada um com mais de 450 quilos.

Um dos canhões recentemente restaurados no Museu de História de Savannah, onde em breve estará em exposição. Foto AP/Russ Bynum
Um dos canhões recentemente restaurados no Museu de História de Savannah, onde em breve estará em exposição. 
Foto AP/Russ Bynum

No início, os arqueólogos chamados para examinar os artefatos acreditaram que as armas pertenciam a um navio da Guerra Civil Americana, travada de 1861 a 1865, que teria afundado nas proximidades. De acordo com o material, porém, análises posteriores mostraram que os canhões eram ainda mais antigos. Eles teriam sido usados na Guerra da Independência, ocorrida entre 1775 e 1783, e ficaram submersos por mais de dois séculos.

O mistério do navio e os canhões ainda carregados

Os canhões permaneceram quase 250 anos no fundo do rio Savannah. Mel Orr / Distrito de Savannah, Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA via Flickr sob licença CC BY 2.0
Os canhões permaneceram quase 250 anos no fundo do rio Savannah. 
Mel Orr / Distrito de Savannah, Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA via Flickr sob licença CC BY 2.0

A parte mais intrigante é que alguns dos canhões gigantes foram encontrados ainda carregados. Segundo a reportagem, isso sugere que as armas faziam parte de um navio afundado às pressas. Historiadores acreditam se tratar do HMS Savannah, um navio britânico que teria afundado no rio naquele período, embora a identificação ainda seja uma hipótese.

Operários recuperaram este canhão do rio Savannah em 2022. Distrito de Savannah, Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA via Flickr sob licença CC BY 2.0
Operários recuperaram este canhão do rio Savannah em 2022. Distrito de Savannah, Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA via Flickr sob licença CC BY 2.0

O contexto histórico ajuda a explicar o achado. De acordo com o material, a ocupação britânica de Savannah começou no fim de 1778 e, quando os britânicos viram tropas francesas se aproximando da costa da Geórgia para tentar retomar o controle, afundaram vários de seus próprios navios para bloquear a passagem. Os canhões podem ter vindo dessas embarcações deliberadamente afundadas.

A ciência por trás da descoberta: radiocarbono e restauração

Para confirmar a idade das peças, os especialistas recorreram à datação por radiocarbono. Segundo a reportagem, os testes foram feitos nas tampas de madeira dos canhões e indicaram que o material era do fim do século XVIII, compatível com a Guerra da Independência. Foi esse exame que ajudou a corrigir a hipótese inicial, ligada à Guerra Civil.

Depois de identificados, os canhões gigantes passaram por um cuidadoso trabalho de restauração. De acordo com o material, a tarefa ficou a cargo de especialistas da Universidade do Texas A&M, que recuperaram as armas após mais de dois séculos de imersão. Parte desse conjunto agora está pronta para ser exibida ao público.

A exposição “Lealistas e Liberdade” leva os canhões ao público

Dos 19 canhões gigantes recuperados, 17 vão integrar uma exposição no Museu de História de Savannah. Segundo a reportagem, a mostra vai se chamar “Lealistas e Liberdade” e estará aberta ao público a partir de 2 de julho. A proposta é apresentar de perto um capítulo pouco lembrado da história dos Estados Unidos.

A preparação da exposição exigiu meses de planejamento, segundo a equipe do museu. Em entrevista à Associated Press, a curadora Samantha Moss afirmou que o time “vem se preparando há meses” para exibir com segurança peças tão grandes e especiais. Para isso, foram construídos suportes específicos, capazes de sustentar o peso e o tamanho de cada canhão.

O resgate dos canhões gigantes do fundo do rio Savannah transformou uma obra de dragagem em uma viagem de quase 250 anos no tempo. Entre uma hipótese e outra, o que se confirmou é que as armas datam do fim do século XVIII e atravessaram a Guerra da Independência submersas na lama. A partir de 2 de julho, parte dessa história poderá ser vista de perto na exposição do Museu de História de Savannah.

E você, gostaria de ver de perto esses canhões que passaram quase 250 anos no fundo do rio? Comente o que achou dessa descoberta e troque ideias com outros leitores sobre o que mais pode estar escondido sob as águas.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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