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Um estudo com mais de duas décadas de dados de satélite revelou que os continentes estão secando tão rápido que antigas zonas áridas separadas se fundiram em imensas regiões de “mega-seca” que atravessam países inteiros, e a água que some da terra já contribui mais para a elevação do mar do que o degelo das calotas polares

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 18/07/2026 às 10:51 Atualizado em 18/07/2026 às 10:54
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a água doce está desaparecendo dos continentes
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Estudo com satélites GRACE da NASA mostra perda acelerada de água doce, expansão de mega-secas e impacto direto no nível do mar.

Segundo estudo publicado na revista científica Science Advances, em julho de 2025, os continentes da Terra vêm perdendo água doce em ritmo sem precedentes desde 2002. A pesquisa foi liderada por Hrishikesh Chandanpurkar e James Famiglietti, da Arizona State University, e usou mais de duas décadas de dados das missões GRACE e GRACE-FO, operadas em cooperação pelos Estados Unidos e pela Alemanha.

Segundo a NASA, os satélites mostraram que áreas secas do planeta estão ficando mais secas e que antigos focos isolados de perda de água passaram a se conectar, formando grandes regiões contínuas de secagem. O estudo também aponta um dado de alto impacto: a perda de água doce nos continentes passou a contribuir mais para a elevação do nível do mar do que as grandes calotas de gelo da Groenlândia e da Antártida.

Satélites GRACE da NASA revelaram como a água doce está desaparecendo dos continentes

A base do estudo está nos dados das missões GRACE e GRACE-FO, siglas de Gravity Recovery and Climate Experiment. Segundo a NASA, esses satélites medem pequenas variações no campo gravitacional da Terra, permitindo identificar mudanças na massa de água armazenada em diferentes regiões do planeta.

Como a água tem massa, áreas que perdem ou acumulam grandes volumes alteram ligeiramente a gravidade local.

Satélites GRACE da NASA revelaram como a água doce está desaparecendo dos continentes
Satélites GRACE da NASA revelaram como a água doce está desaparecendo dos continentes

É esse sinal que os satélites conseguem detectar, funcionando como uma espécie de balança orbital capaz de medir a água escondida no subsolo, acumulada na neve, retida no solo ou presente em rios, lagos e aquíferos.

O indicador central da pesquisa é o armazenamento terrestre de água, conhecido pela sigla TWS. Ele reúne toda a água armazenada nos continentes, incluindo aquíferos subterrâneos, umidade do solo, neve, rios, lagos e outras reservas continentais de água doce.

Estudo da Science Advances analisou mais de duas décadas de perda de água doce

A pesquisa publicada na Science Advances analisou o período de abril de 2002 a abril de 2024, usando dados de satélite para mapear onde os continentes ganharam e perderam água ao longo de 22 anos. O resultado revelou uma perda global persistente de armazenamento terrestre de água.

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Segundo os autores, as áreas em processo de secagem se expandem a cada ano por uma extensão equivalente a cerca de duas vezes o tamanho da Califórnia. O fenômeno se intensificou especialmente a partir de 2014, quando a perda de água passou a avançar de forma mais acelerada em várias regiões.

O estudo também mostra um desequilíbrio importante: áreas úmidas tendem a ficar mais úmidas e áreas secas tendem a ficar mais secas, mas as regiões secas estão perdendo água mais rapidamente do que as regiões úmidas conseguem ganhar. Isso aponta para uma perda líquida de água doce continental em escala planetária.

Quatro regiões de mega-seca se formaram no Hemisfério Norte

Um dos achados mais fortes do estudo é a formação de quatro grandes regiões de mega-seca no Hemisfério Norte. Segundo a Arizona State University, esses focos não aparecem mais apenas como manchas isoladas no mapa, mas como áreas continentais contínuas de perda de água.

A primeira região envolve o norte do Canadá e o Alasca. A segunda aparece no norte da Rússia. A terceira conecta o sudoeste da América do Norte à América Central, região já pressionada por seca, irrigação intensiva e extração de água subterrânea.

A quarta é a maior e mais complexa: uma faixa que se estende do Norte da África e da Europa ao Oriente Médio, Ásia Central, norte da China, sul da Ásia e Sudeste Asiático. Segundo a NASA, a expansão recente da seca europeia ajudou a formar essa região de secagem em escala intercontinental.

Cerca de 75% da população mundial vive em países que perderam água doce

A dimensão humana do fenômeno é uma das partes mais alarmantes da pesquisa. Segundo o estudo publicado na Science Advances, desde 2002, cerca de 75% da população mundial vive em 101 países que vêm perdendo água doce.

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Isso significa que a tendência não se limita a desertos distantes ou regiões pouco povoadas. A perda de água continental já afeta países com grandes populações, áreas agrícolas intensivas, megacidades e regiões dependentes de aquíferos para abastecimento humano e produção de alimentos.

A Arizona State University destacou que a perda de água doce tem implicações diretas para segurança hídrica, agricultura, estabilidade econômica, risco alimentar e nível do mar. O problema, portanto, não é apenas ambiental: ele atinge infraestrutura, produção e capacidade de adaptação de países inteiros.

Água subterrânea responde por 68% da perda fora das regiões com geleiras

Quando se fala em seca, a imagem mais comum é a de rios baixos, reservatórios vazios e solo rachado. Mas o estudo mostra que uma parte decisiva do problema está escondida no subsolo.

Segundo a Science Advances, a extração de água subterrânea responde por cerca de 68% da perda de armazenamento terrestre de água nas regiões continentais que não são cobertas por geleiras. Isso coloca os aquíferos no centro da crise hídrica global.

O ponto é grave porque muitos aquíferos demoram séculos ou milhares de anos para se formar e podem se recarregar muito lentamente. Quando a retirada para irrigação, cidades e indústria supera a reposição natural, a água é consumida como uma reserva finita, até que o sistema entra em declínio persistente.

Agricultura e irrigação aumentam a pressão sobre os aquíferos

O estudo não aponta uma única causa isolada para a perda de água doce. O processo combina mudanças climáticas, secas mais intensas, aquecimento global e uso humano da água, especialmente por irrigação e abastecimento.

A agricultura aparece como uma das frentes mais sensíveis porque depende de grandes volumes de água doce e, em muitas regiões, recorre intensamente a aquíferos subterrâneos. Quando a retirada de água supera a recarga, a produção agrícola passa a depender de uma reserva que diminui ano após ano.

Isso não significa que todas as regiões estejam na mesma situação. Algumas áreas ainda conseguem recuperar parte das reservas em períodos chuvosos, enquanto outras apresentam declínio contínuo. O alerta central do estudo é que, no balanço global, a perda continental de água doce está avançando em velocidade inédita.

Água que sai dos continentes já pesa mais na elevação do nível do mar do que as calotas de gelo

Um dos pontos mais surpreendentes da pesquisa é a ligação entre a secagem dos continentes e a alta dos oceanos. À primeira vista, os fenômenos parecem opostos: a terra perde água enquanto o mar sobe. Mas o estudo mostra que esses processos fazem parte do mesmo ciclo.

Segundo a Science Advances, a água doce perdida pelos continentes acaba contribuindo para o aumento da massa de água nos oceanos. Parte vem da extração de aquíferos, parte do escoamento e parte da redistribuição provocada por mudanças no armazenamento terrestre.

A pesquisa concluiu que os continentes passaram a contribuir mais para a elevação do nível do mar do que as calotas de gelo da Groenlândia e da Antártida. Isso não reduz a gravidade do degelo polar, mas mostra que a perda de água doce em terra firme ganhou peso muito maior do que se imaginava nessa conta.

Estudo alerta para segurança hídrica global, mas não transforma projeções em certeza absoluta

O estudo documenta com dados robustos uma tendência clara de perda de água doce nos continentes entre 2002 e 2024. Essa constatação é sustentada por duas décadas de medições gravitacionais das missões GRACE e GRACE-FO.

Ao mesmo tempo, o futuro exato da crise hídrica depende de fatores que ainda podem mudar. Políticas de gestão da água, práticas agrícolas, uso de irrigação, proteção de aquíferos, redução de desperdício e adaptação ao clima podem influenciar a velocidade e a gravidade do processo.

Por isso, a pesquisa funciona menos como uma sentença fechada e mais como um alerta científico de grande escala. Ela mostra que a água doce não está desaparecendo apenas em crises regionais visíveis, mas em um movimento continental amplo, mensurável e cada vez mais conectado.

Perda invisível de água doce tornou-se um dos sinais mais graves da crise climática

O valor do estudo está em tornar visível um fenômeno que normalmente passa despercebido. A perda de água subterrânea não aparece com a mesma força visual de uma enchente, de um incêndio ou de um rio completamente seco, mas pode comprometer a segurança hídrica de regiões inteiras.

Ao medir a Terra do espaço, os satélites GRACE e GRACE-FO mostraram que o planeta está perdendo reservas continentais de água doce em escala preocupante. O dado mais forte não é apenas a seca em si, mas a conexão entre áreas antes separadas, formando regiões de mega-seca no Hemisfério Norte.

A mensagem científica é direta: a crise da água deixou de ser um problema local e passou a ter dimensão planetária. A forma como países, cidades, agricultores e setores industriais usam a água doce será decisiva para conter a perda de um recurso que se torna cada vez mais estratégico.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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