Máquina Mary está agora totalmente montada, seguirá por 3,9 km entre West Potomac Park e Georgetown e ainda passará por uma conversão de mais de dois meses antes de trocar o solo mais macio por rocha dura.
Uma tuneladora com cerca de 215 metros de comprimento acaba de atingir uma etapa decisiva debaixo de Washington, nos Estados Unidos. A Mary, máquina usada no Potomac River Tunnel, recebeu seu último módulo de suporte e agora pode trabalhar com sua estrutura completa no projeto de US$ 819 milhões, que pretende reduzir em 93% o volume de transbordamentos de águas pluviais e esgoto que chegam ao rio Potomac. Conforme informou a DC Water em 27 de agosto de 2026, a montagem transforma o conjunto subterrâneo em uma espécie de fábrica móvel capaz de escavar, retirar material e instalar o revestimento do túnel.
A escala aparece antes mesmo de considerar a distância que a máquina ainda terá de percorrer. Com todos os módulos conectados, Mary mede 706 pés, aproximadamente 215 metros, de uma extremidade à outra. Segundo a DC Water, isso representa mais que o dobro do comprimento de dois campos de futebol americano.
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Agora, porém, começa outra etapa complexa. A tuneladora deverá avançar aproximadamente 350 pés, cerca de 107 metros, antes de parar para uma conversão que levará mais de dois meses. Só depois disso ela estará preparada para deixar o terreno mais macio próximo ao rio e enfrentar rocha dura durante o restante de sua jornada.
Tuneladora Mary vira fábrica móvel subterrânea com 215 metros de comprimento
A enorme cabeça de corte instalada na frente da Mary é responsável pela escavação. Entretanto, ela representa apenas uma parte da operação.
Atrás dela segue uma longa sequência de módulos, chamados de gantries, que reúne sistemas essenciais para manter a máquina funcionando.
Essas estruturas fornecem energia, sistemas hidráulicos e suporte logístico. Além disso, ajudam a transportar terra e rocha para fora da escavação, carregam equipamentos envolvidos na instalação do revestimento de concreto e fornecem ventilação e espaço para as equipes.
É justamente essa combinação que levou Matthew T. Brown, gerente-geral interino da DC Water, a descrever o conjunto como uma “fábrica móvel subterrânea”.
A comparação ajuda a dimensionar o projeto. Mary não funciona simplesmente como uma broca gigante: conforme avança, uma cadeia de equipamentos precisa manter simultaneamente escavação, logística, revestimento e condições de trabalho dentro do túnel.
Esse tipo de integração também mostra como a tecnologia aplicada a equipamentos pode transformar máquinas especializadas em sistemas completos de operação.
Módulos de 30 toneladas tiveram de descer separadamente pelo poço
O tamanho criou um problema ainda antes da operação em capacidade total.
Mary e seus gantries eram grandes demais para serem baixados como uma única estrutura pelo poço de acesso. Por isso, a montagem ocorreu por etapas no subsolo.
Enquanto a tuneladora avançava, um guindaste baixava individualmente cada módulo, com 30 toneladas. Em seguida, outra máquina puxava a estrutura para dentro do túnel, onde as equipes faziam a conexão.
A própria cabeça de corte já havia dado uma dimensão do desafio meses antes. Em janeiro, a DC Water informou que o componente tinha 21 pés de diâmetro, cerca de 6,4 metros, e precisou ser baixado separadamente até o túnel de partida, localizado aproximadamente 100 pés, ou 30 metros, abaixo da superfície.
A montagem do último gantry encerra, portanto, uma etapa que vinha acompanhando o avanço inicial da máquina.
Com isso, Mary finalmente reúne atrás da cabeça de corte toda a infraestrutura necessária para continuar a escavação em sua configuração completa.
Mary avançará mais 107 metros antes de parar por mais de dois meses
Estar totalmente montada não significa que a tuneladora seguirá continuamente até o destino.
Primeiro, Mary deverá escavar aproximadamente 350 pés adicionais, equivalentes a cerca de 107 metros. Depois, as equipes vão interromper seu avanço para preparar a máquina para uma mudança importante nas condições geológicas.
Até esse ponto, a operação ocorre em material mais macio próximo ao rio. Entretanto, o restante da rota exigirá que a máquina trabalhe em rocha dura.
A conversão será feita com Mary parada dentro do próprio túnel e deverá consumir mais de dois meses.
Somente depois desse processo a máquina retomará o deslocamento rumo ao norte.
A necessidade de alterar a configuração mostra como grandes obras subterrâneas não dependem apenas da potência de escavação. Mudanças no terreno podem exigir preparação específica para que o equipamento continue trabalhando nas condições encontradas pela frente.
Em projetos de infraestrutura, sistemas de medição e levantamento contínuo também ganham importância justamente porque pequenas mudanças nas condições físicas podem alterar a maneira como equipamentos e equipes executam o trabalho.
Tuneladora Mary terá de escavar 3,9 km até Georgetown
Depois da conversão, Mary continuará rumo ao norte para executar o restante de uma seção de 2,4 milhas, aproximadamente 3,9 quilômetros, entre West Potomac Park e Georgetown University.

A escavação começou em abril de 2026, quando a DC Water anunciou a primeira rotação da cabeça de corte como o início efetivo da jornada subterrânea da máquina. Naquele momento, o projeto passou de anos de planejamento e preparação para a fase de escavação ativa.
Mary, porém, não trabalha sozinha no sistema.
Outra tuneladora, chamada Emily, ficará responsável por escavar 2,1 milhas, cerca de 3,4 quilômetros, em direção ao sul, rumo à Joint Base Anacostia-Bolling.
Assim, duas máquinas atuarão em diferentes partes de uma infraestrutura muito maior.
Túnel de US$ 819 milhões terá 8,85 km e ficará a cerca de 30 metros de profundidade
O Potomac River Tunnel faz parte do Clean Rivers Program, programa de longo prazo da DC Water criado para reduzir a poluição que chega aos cursos d’água da região.
O sistema completo terá 5,5 milhas de extensão, aproximadamente 8,85 quilômetros, e diâmetro de 18 pés, cerca de 5,5 metros. Além disso, o túnel ficará aproximadamente 100 pés, ou 30 metros, abaixo da superfície.
O custo informado pela DC Water é de US$ 819 milhões.
O cronograma atualmente apresentado pela autoridade prevê conclusão em 2030, enquanto a duração da construção é estimada em cerca de 6,5 anos.
Portanto, embora a montagem completa de Mary seja um marco importante, ainda existe um longo percurso de escavação, conversão da máquina e construção até que todo o sistema entre em sua configuração final.
A escala lembra outro aspecto presente em grandes sistemas tecnológicos: trocar processos fragmentados por uma plataforma integrada pode simplificar tarefas extremamente complexas. Até em tecnologias assistivas, por exemplo, um aplicativo gratuito substituiu planilhas usadas durante 10 anos para centralizar mais de 1.100 testes de configuração.
No caso de Washington, essa integração acontece dezenas de metros abaixo das ruas.
Sistema pretende reduzir em 93% o volume de transbordamentos no rio Potomac
Toda essa engenharia subterrânea tem uma finalidade ambiental específica.
Em períodos de chuva, partes de Washington utilizam um sistema combinado no qual águas pluviais e esgoto passam pela mesma infraestrutura. Quando o volume supera a capacidade disponível, podem ocorrer descargas no rio Potomac.
Segundo a DC Water, em um ano de precipitação média ocorrem aproximadamente 74 eventos de transbordamento, responsáveis por despejar cerca de 654 milhões de galões de fluxo combinado no Potomac.
Quando o Potomac River Tunnel estiver concluído, a autoridade estima reduzir o volume desses transbordamentos em 93%.
Além disso, a previsão é diminuir a quantidade de eventos de aproximadamente 74 para apenas quatro em um ano típico.
Isso significa que a dimensão da tuneladora, os módulos de 30 toneladas e os quilômetros de escavação são apenas os meios para alcançar o resultado principal: armazenar e conduzir volumes que hoje podem acabar descarregados diretamente no rio durante períodos de chuva.
De máquina montada a 215 metros de comprimento ao desafio da rocha dura
Mary chegou a um ponto importante de sua trajetória subterrânea.
Depois de ser montada progressivamente cerca de 30 metros abaixo da superfície, a tuneladora agora possui todos os gantries conectados e alcança aproximadamente 215 metros de comprimento.
Porém, o próximo desafio já está definido.
A máquina avançará mais cerca de 107 metros, ficará parada por mais de dois meses para a mudança de configuração e, então, começará a enfrentar a rocha dura no caminho para Georgetown.
Se o cronograma do projeto for cumprido, o sistema completo deverá ficar pronto em 2030. A partir daí, a expectativa da DC Water é que uma obra de US$ 819 milhões e 8,85 quilômetros ajude a derrubar em 93% o volume de transbordamentos que chegam ao Potomac.
Você acredita que obras subterrâneas desse porte, mesmo com custos de centenas de milhões de dólares e anos de construção, deveriam ganhar mais espaço em grandes cidades para reduzir enchentes e despejos de esgoto nos rios?

