Os trens especiais entram em ação quando nevascas bloqueiam linhas ferroviárias e equipamentos comuns deixam de dar conta, combinando lâminas frontais, asas laterais, sopradores e rotores para remover toneladas de neve; em 2017, Donner Pass exigiu máquinas rotativas após mais de quatro metros cobrirem as Sierras e interromperem a passagem.
Os trens especiais usados contra grandes nevascas entram em operação quando a neve cobre trilhos, bloqueia corredores ferroviários e transforma a passagem de uma locomotiva em uma disputa contra paredões brancos. Em diferentes regiões dos Estados Unidos, Canadá, Noruega, Japão e França, máquinas com arados, sopradores, asas laterais e rotores são utilizadas para recuperar linhas atingidas durante invernos extremos.
Segundo o canal do YouTube AutoMundo, em vídeo publicado em 23 de agosto de 2025, o caso mais extremo apresentado ocorreu em Donner Pass, nos Estados Unidos, em 2017, quando mais de quatro metros de neve acumulados nas Sierras levaram ao retorno de grandes arados rotativos que raramente deixam os depósitos.
Trens especiais entram onde locomotivas comuns já encontram dificuldade

A neve acumulada sobre uma ferrovia pode assumir proporções muito maiores do que uma simples camada sobre os trilhos. Em alguns dos registros apresentados, o paredão branco ultrapassa a altura da própria locomotiva, obrigando as operadoras a utilizar equipamentos específicos ou combinar várias máquinas para empurrar e retirar o material do caminho.
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Os trens especiais cumprem justamente essa função. Dependendo da quantidade e do tipo de neve, uma locomotiva pode receber um grande arado frontal ou trabalhar com equipamentos capazes de lançar o material para longe da linha. Em situações mais severas, a força necessária deixa de ser apenas horizontal e exige sistemas que cortam, trituram ou projetam a neve para fora do corredor ferroviário.
Arados frontais transformam locomotivas em enormes empurradores de neve
Entre as soluções mais simples aparecem os grandes arados instalados na dianteira dos trens. O princípio consiste em aproveitar o peso e a força de tração da composição para romper o acúmulo e deslocar a neve para os lados enquanto a locomotiva avança.
O material mostra operações em que a frente do trem praticamente desaparece dentro da massa branca antes de surgir novamente alguns metros adiante. Em Saskatchewan, no Canadá, uma composição é apresentada enfrentando neve mais alta que a própria locomotiva, enquanto outro exemplo citado no Colorado mostra que nem sempre a força bruta é suficiente: duas locomotivas acabaram presas diante de uma barreira compactada.
Asas de aço aumentam a largura do caminho aberto pelos arados

Alguns equipamentos utilizam mais do que uma lâmina frontal. Os chamados arados do tipo Russell apresentados no material possuem asas laterais de aço que podem se abrir para lançar a neve ainda mais longe do leito ferroviário, aumentando a largura do corredor liberado durante a passagem.
Esse sistema exige atenção especial em pontos da linha onde existem cruzamentos ou outras estruturas próximas aos trilhos. Nesses locais, as asas precisam ser recolhidas e determinados componentes levantados para evitar impactos. No Japão, o vídeo apresenta esse tipo de operação em meio à neve ainda caindo, com o trem avançando enquanto grandes ondas brancas são projetadas para os dois lados.
Japão usa máquinas menores para manter linhas abertas no inverno
Nem toda operação exige equipamentos gigantescos. Em Fukushima, o material mostra um arado Russell menor avançando pela região da estação de Yunokamen, utilizando uma lâmina frontal para afastar blocos de neve do caminho.
Apesar das dimensões inferiores às máquinas usadas em grandes corredores, o objetivo é igualmente importante: preservar condições para que os trens de passageiros continuem circulando. A capacidade necessária varia conforme a ferrovia, o volume acumulado e a intensidade das nevascas enfrentadas em cada trecho.
Sopradores transformam neve acumulada em grandes colunas lançadas para o alto

Outra solução apresentada são equipamentos capazes de lançar a neve para fora dos trilhos em vez de apenas empurrá-la. Na Noruega, o vídeo mostra um soprador identificado como Balehack em operação, projetando duas grandes colunas de neve para longe da ferrovia.
Máquinas desse tipo são utilizadas em regiões onde nevascas intensas fazem parte da rotina ferroviária. O efeito visual lembra uma enorme fonte branca, mas sua função é operacional: retirar rapidamente o material acumulado e evitar que a neve removida permaneça próxima o suficiente para voltar a ocupar a linha.
Donner Pass exigiu uma das máquinas mais extremas da ferrovia

Quando equipamentos convencionais deixam de ser suficientes, entram em cena os grandes arados rotativos. Em Donner Pass, o vídeo destaca o Rotary Snow Plow, máquina equipada com um enorme rotor frontal capaz de atacar diretamente grandes volumes de neve.
O funcionamento é diferente de um arado tradicional. O rotor gira e corta a massa acumulada, lançando toneladas de neve para fora dos trilhos, enquanto outras locomotivas fornecem a força necessária para que o conjunto avance. Pelo porte, custo operacional e necessidade muito específica, essas máquinas permanecem guardadas durante longos períodos e são acionadas em situações excepcionais.
Mais de quatro metros de neve fizeram máquinas raras voltarem aos trilhos em 2017
Foi justamente uma situação excepcional que ocorreu em 2017. Segundo o material, mais de quatro metros de neve acumulados nas Sierras atingiram a região de Donner Pass, fazendo com que a Union Pacific recorresse novamente aos grandes arados rotativos conhecidos no vídeo como “War Wagons”.
Essas máquinas são descritas como equipamentos que podem passar anos sem serem necessárias. Quando a neve fecha completamente o corredor, porém, tornam-se uma das poucas alternativas capazes de atacar um volume tão elevado. A missão é recuperar uma ligação ferroviária considerada vital no sistema dos Estados Unidos e permitir que as demais composições voltem a circular.
França também colocou trens com arados em ação após nevada excepcional
O vídeo apresenta ainda um episódio ocorrido na Normandia, em março de 2013, quando uma nevada excepcional cobriu estradas e ferrovias. Diante do acúmulo, a SNCF colocou trens equipados com arados frontais em operação para tentar manter a circulação.
Vista da cabine, a composição parece avançar por um corredor completamente branco, empurrando a neve à medida que segue pela linha. A cena evidencia uma das dificuldades desse tipo de operação: o maquinista precisa continuar avançando em um ambiente no qual o próprio traçado ferroviário pode praticamente desaparecer sob a camada acumulada.
Nem a combinação de várias locomotivas garante vencer um paredão compacto
A quantidade de potência disponível não significa que toda barreira possa ser rompida. Entre Genoa e Limon, no Colorado, uma operação da Kyle Railroad apresentada no vídeo utilizou duas locomotivas na dianteira para enfrentar um grande acúmulo.
Dessa vez, a neve compactada conseguiu interromper o avanço e deixou o comboio preso. O episódio mostra por que diferentes tecnologias existem para situações distintas: dependendo da profundidade, densidade e extensão do bloqueio, simplesmente empurrar pode deixar de ser suficiente e exigir a entrada de equipamentos específicos.
Quando a neve engole os trilhos, manter a ferrovia aberta vira uma operação de engenharia
Arados tradicionais, asas laterais, sopradores e rotores gigantes cumprem funções diferentes, mas compartilham o mesmo objetivo. Os trens especiais precisam abrir novamente um caminho que muitas vezes deixou de ser visível, permitindo que linhas de passageiros ou de carga recuperem sua operação depois das grandes nevascas.
Donner Pass representa o extremo dessa disputa: máquinas que podem permanecer anos armazenadas voltam à ferrovia quando metros de neve fecham o corredor e soluções convencionais já não bastam. Você imaginava que existiam locomotivas equipadas com rotores gigantes apenas para enfrentar neve desse tamanho? Qual dessas máquinas mais chamou sua atenção? Deixe sua opinião nos comentários.


