Toyota GR GT mira lançamento em 2027 como novo superesportivo da Gazoo Racing, equipado com motor V8 4.0 biturbo híbrido de mais de 650 cv e 850 Nm, câmbio automático de oito marchas, tração traseira, estrutura inédita de alumínio, componentes em fibra de carbono e velocidade máxima projetada acima de 320 km/h.
A Toyota está preparando um dos carros de rua mais extremos de sua história. O GR GT, apresentado mundialmente ainda como protótipo em desenvolvimento, combina um novo V8 4.0 biturbo com sistema híbrido de um motor elétrico para entregar mais de 650 cv e mais de 850 Nm, além de ter como meta superar 320 km/h. Segundo a Toyota Motor Corporation, o lançamento é planejado para ocorrer por volta de 2027.
Mais do que simplesmente instalar um motor poderoso em um cupê, a Toyota desenvolveu o GR GT como uma espécie de carro de corrida homologado para as ruas. O projeto traz estrutura inteiramente de alumínio inédita na marca, componentes em fibra de carbono, câmbio automático de oito marchas montado junto ao eixo traseiro, distribuição de peso de 45:55 e peso-alvo inferior ou igual a 1.750 kg.
Motor V8 4.0 biturbo coloca o Toyota GR GT em outro patamar
O coração do GR GT é um motor completamente novo de 3.998 cm³, configuração V8 e dois turbocompressores. A Toyota adotou diâmetro dos cilindros de 87,5 mm e curso de 83,1 mm, criando um conjunto de curso relativamente curto que contribui para reduzir a altura total do propulsor.
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Os dois turbos ficam posicionados dentro do chamado “V quente” formado pelas bancadas de cilindros. O motor utiliza ainda lubrificação por cárter seco, solução tradicional em esportivos e carros de competição porque permite reduzir a altura do conjunto e manter o fornecimento de óleo mesmo sob elevadas forças laterais.
A Toyota afirma que este será seu primeiro V8 4.0 biturbo dessa arquitetura destinado a um veículo de produção. A prioridade foi produzir um motor compacto e leve o suficiente para permitir uma carroceria extremamente baixa sem abandonar a potência esperada de um novo carro-chefe da divisão Gazoo Racing.
Sistema híbrido eleva potência para mais de 650 cv e torque acima de 850 Nm
O V8 não trabalha sozinho. A Toyota adicionou um motor elétrico ao conjunto, formando um sistema híbrido desenvolvido com foco muito mais em desempenho do que simplesmente em economia de combustível.
A meta oficial é alcançar potência combinada superior a 650 PS, equivalentes aproximadamente a 650 cv, e torque superior a 850 Nm.

Esses números ainda são classificados pela fabricante como metas de desenvolvimento, já que o GR GT permanece em fase de testes.
A configuração definitiva poderá receber ajustes antes de o modelo chegar às ruas, mas os valores estabelecem claramente onde a Toyota pretende posicionar o automóvel.
O sistema foi desenvolvido utilizando simuladores empregados em carros de corrida e bancadas capazes de testar todo o conjunto motriz.
A engenharia também precisou trabalhar em gerenciamento térmico, posicionamento dos componentes e emissões para transformar um conjunto criado para desempenho extremo em um veículo legalizado para circulação.
Velocidade do GR GT deverá superar os 320 km/h
O terceiro número que coloca o GR GT em território de supercarros é a velocidade máxima. A ficha técnica preliminar estabelece uma meta de 320 km/h ou mais, colocando o novo Toyota muito além do desempenho normalmente associado aos modelos esportivos de produção em série da fabricante.
A velocidade elevada influenciou diretamente a construção do automóvel. Em vez de desenhar primeiro a carroceria e posteriormente tentar ajustar seu comportamento aerodinâmico, Toyota Gazoo Racing adotou uma abordagem inversa: os requisitos aerodinâmicos e de refrigeração foram determinados antes da forma final do carro.
Engenheiros com experiência no Campeonato Mundial de Endurance, o WEC, participaram desse processo. O objetivo era conseguir estabilidade em velocidades superiores a 300 km/h ao mesmo tempo em que grandes volumes de ar precisam alimentar radiadores, freios e o poderoso conjunto híbrido.
Toyota cria sua primeira estrutura totalmente de alumínio
Outra revolução está escondida embaixo da carroceria. O GR GT será construído sobre a primeira estrutura de carroceria totalmente de alumínio utilizada pela Toyota, desenvolvida para combinar baixa massa com a rigidez necessária para um esportivo de altíssimo desempenho.
Grandes peças fundidas de alumínio foram colocadas em pontos estruturais importantes, combinadas a componentes extrudados e novas técnicas de união. Painéis externos também utilizam alumínio, enquanto materiais como CFRP, plástico reforçado com fibra de carbono, aparecem em áreas selecionadas.

Capô e teto estão entre os elementos nos quais a fibra de carbono ajuda a controlar a massa. A ficha preliminar estabelece 1.750 kg ou menos como meta de peso, número particularmente relevante diante da presença de V8, dois turbos, motor elétrico, bateria e componentes necessários ao sistema híbrido.
Câmbio automático de oito marchas fica instalado no eixo traseiro
O posicionamento da transmissão também foge do convencional. Embora o motor esteja na dianteira, a Toyota deslocou a transmissão para trás, criando um sistema transaxle traseiro que ajuda a distribuir melhor a massa entre os dois eixos.
Nesse conjunto ficam integrados o novo câmbio automático de oito marchas, o motor-gerador elétrico e um diferencial mecânico de deslizamento limitado. Em vez de utilizar um conversor de torque tradicional, a transmissão emprega uma embreagem multidisco úmida para arrancadas.
A força produzida pelo V8 chega ao transaxle através de um tubo estrutural de torque feito em material composto reforçado com fibra de carbono. O arranjo permite que o GR GT mantenha motor dianteiro e tração traseira, mas com grande parte da massa mecânica concentrada mais perto do centro do veículo.
Distribuição de peso de 45:55 favorece o eixo traseiro
A estratégia resultou em uma distribuição preliminar de peso de 45% na dianteira e 55% na traseira. Além da transmissão, componentes pesados como bateria e tanque de combustível foram posicionados considerando diretamente esse equilíbrio.
O conceito inteiro foi desenvolvido em torno de um centro de gravidade extremamente baixo. Toyota Gazoo Racing reduziu tanto quanto possível a posição do motor, da transmissão e do motorista, buscando aproximar o centro de massa do carro da própria posição física de quem está dirigindo.
É uma filosofia diferente de simplesmente perseguir potência máxima. A fabricante coloca controle no limite, comunicação com o motorista e previsibilidade de comportamento entre os pilares do projeto, ideia desenvolvida com participação direta de pilotos profissionais e engenheiros de competição.
GR GT tem apenas 1,19 metro de altura e dois metros de largura
As dimensões ajudam a mostrar visualmente a obsessão pelo baixo centro de gravidade. O protótipo mede 4.820 mm de comprimento, 2.000 mm de largura e apenas 1.195 mm de altura, com distância entre-eixos de 2.725 mm.

Com menos de 1,20 metro de altura, o esportivo coloca motorista e passageiro muito próximos do solo. A cabine possui apenas dois lugares e foi desenhada com prioridade para posição de dirigir, visibilidade e acesso rápido aos comandos durante condução em circuito.
Até a posição e o tamanho das informações exibidas no painel foram testados levando em consideração situações de alta velocidade. Indicadores de troca de marcha e marcha selecionada receberam atenção específica para permanecerem facilmente visíveis quando o motorista está concentrado na pista.
Pneus traseiros de 325 mm mostram a dimensão do desempenho
Para colocar mais de 650 cv no chão, a Toyota adotou pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 desenvolvidos especificamente para o GR GT. Na dianteira, as medidas são 265/35 ZR20; atrás, chegam a impressionantes 325/30 ZR20.
A suspensão utiliza arquitetura independente de duplo braço triangular nas quatro rodas, com braços forjados em alumínio. Todo o conjunto foi desenvolvido desde o início buscando respostas lineares tanto em utilização cotidiana quanto quando o veículo se aproxima de seus limites de aderência.
Os freios acompanham a mesma proposta. Discos de carbono-cerâmica fornecidos pela Brembo aparecem tanto no eixo dianteiro quanto no traseiro, uma escolha coerente com um automóvel desenvolvido para alcançar velocidades superiores a 320 km/h e também enfrentar circuitos.
Nürburgring e Fuji Speedway fazem parte do desenvolvimento
O GR GT não nasceu exclusivamente dentro de computadores. A Toyota realizou testes reais em pistas como Fuji Speedway e Nürburgring, além do centro técnico de Shimoyama e outros circuitos ao redor do mundo.
A metodologia utiliza simuladores no início do processo para acelerar mudanças em chassis e sistemas, mas depois transfere os protótipos para situações reais de altíssimo esforço. Toyota Gazoo Racing afirma que os carros são levados ao limite, reparados e novamente testados dentro da filosofia desenvolvida pela divisão de competição.
Também ocorreram testes em estradas públicas. Isso acontece porque, apesar de sua origem ligada às pistas, o GR GT precisa permanecer utilizável fora delas. A própria fabricante define o projeto como uma máquina de corrida construída para as ruas.
GR GT pretende seguir a linhagem do Toyota 2000GT e Lexus LFA
A Toyota não trata o novo esportivo como apenas mais um integrante da família GR. Oficialmente, ele ocupa posição de carro-chefe da Toyota Gazoo Racing, seguindo uma linhagem simbólica que inclui o Toyota 2000GT e o Lexus LFA.
O envolvimento de profissionais que trabalharam no desenvolvimento do LFA também faz parte da estratégia.
A Toyota afirma que veteranos estão transferindo técnicas e conhecimentos acumulados durante aquele projeto para uma nova geração de engenheiros.
Akio Toyoda, presidente do conselho da Toyota e piloto conhecido internamente como Morizo, participa diretamente dessa filosofia. Pilotos profissionais como Tatsuya Kataoka, Hiroaki Ishiura e Naoya Gamou também colaboraram com engenheiros desde as primeiras etapas do desenvolvimento.
GR GT3 leva o mesmo V8 para as pistas de competição
Paralelamente ao carro de rua, a Toyota está desenvolvendo o GR GT3, derivado da mesma arquitetura básica e criado especificamente para obedecer às normas internacionais da categoria FIA GT3.
O modelo de competição compartilha diversos conceitos estruturais com o GR GT, incluindo arquitetura de alumínio, suspensão de duplo braço triangular e o novo motor V8 4.0 biturbo. O GR GT3, porém, dispensa o sistema híbrido descrito para o automóvel de rua.
A estratégia permite que desenvolvimento de competição e automóvel homologado caminhem juntos. Conhecimentos obtidos em aerodinâmica, estrutura, suspensão e durabilidade podem circular entre os dois programas, repetindo a lógica que a Gazoo Racing já aplica em outras áreas da Toyota.
Toyota GR GT deverá chegar ao mercado por volta de 2027
A Toyota afirma que tanto o GR GT quanto o GR GT3 permanecem em desenvolvimento e estão sendo preparados para lançamento por volta de 2027. Por esse motivo, potência, torque, peso e velocidade divulgados até agora são tratados oficialmente como metas ou medições internas de desenvolvimento.
Preço, volume de produção e mercados que receberão o esportivo ainda não foram detalhados no anúncio mundial. O que já está definido é a arquitetura fundamental: V8 4.0 biturbo, assistência híbrida, motor dianteiro, tração traseira, oito marchas, estrutura de alumínio e aerodinâmica preparada para superar 320 km/h.
Se as especificações chegarem à produção próximas das metas anunciadas, o GR GT representará uma mudança profunda na imagem do esportivo de topo da Toyota.
Depois do lendário 2000GT e do Lexus LFA com seu V10, a fabricante prepara agora um sucessor espiritual equipado com V8 biturbo híbrido, mais de 650 cv e torque superior a 850 Nm, criado desde o primeiro desenho para funcionar como um carro de corrida que também pode circular pelas ruas.
