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Quatro meses depois de assinar contrato de quatro anos com o empresário, Luva de Pedreiro rompeu o vínculo, passou quatro anos acumulando derrotas na Justiça, teve contas congeladas e sigilo quebrado e agora vê restabelecida a multa de R$ 5,2 milhões

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 15/08/2026 às 12:42 Atualizado em 15/08/2026 às 12:45
Luva de Pedreiro perdeu recurso no TJ do Rio, que restabeleceu multa de R$ 5,2 milhões ao ex-empresário; conta total da condenação passa de R$ 10 milhões
Luva de Pedreiro perdeu recurso no TJ do Rio, que restabeleceu multa de R$ 5,2 milhões ao ex-empresário; conta total da condenação passa de R$ 10 milhões
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A 21ª Câmara de Direito Privado do TJ do Rio negou o recurso de Luva de Pedreiro, rejeitou a tese de analfabetismo funcional, manteve danos morais e materiais e somou honorários de 10%, elevando a conta total da condenação para além de R$ 10 milhões na estimativa divulgada pela imprensa

O influenciador Iran Ferreira, o Luva de Pedreiro, sofreu mais uma derrota na batalha judicial contra o ex-empresário Allan Jesus, dono da ASJ Consultoria. Em julgamento realizado nesta semana, a 21ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou o recurso da defesa e restabeleceu a multa de R$ 5,2 milhões pelo rompimento do contrato. As informações são da revista Crusoé, em reportagem publicada em 13 de agosto de 2026.

A decisão encaminha o desfecho de uma disputa que se arrasta desde 2022, quando o criador do bordão “receba” rescindiu, apenas quatro meses depois da assinatura, o contrato de representação artística de quatro anos firmado com a empresa. Somando indenizações, honorários e encargos, o valor total da condenação deve ultrapassar R$ 10 milhões.

Multa de R$ 5,2 milhões voltou a valer no Tribunal do Rio

Luva de Pedreiro perdeu recurso no TJ do Rio, que restabeleceu multa de R$ 5,2 milhões ao ex-empresário; conta total da condenação passa de R$ 10 milhões
Luva de Pedreiro perdeu recurso no TJ do Rio, que restabeleceu multa de R$ 5,2 milhões ao ex-empresário; conta total da condenação passa de R$ 10 milhões

O julgamento desta semana derrubou a última esperança recente da defesa do influenciador na segunda instância. Os desembargadores da 21ª Câmara de Direito Privado consideraram que houve ruptura imotivada do vínculo contratual e violação da cláusula de exclusividade que ligava Luva de Pedreiro à ASJ Consultoria.

A corte também blindou o valor da punição. Para o tribunal, o contrato foi firmado livremente e a multa de R$ 5,2 milhões não é excessiva diante do potencial econômico do influenciador e dos investimentos realizados pelo empresário na carreira dele. Com isso, a penalidade que a defesa tentava afastar voltou a valer integralmente.

Tese do analfabetismo funcional foi rejeitada pelos desembargadores

O principal argumento da defesa de Iran Ferreira caiu no julgamento. Os advogados alegavam que o influenciador, revelado numa cidade do interior da Bahia e alçado à fama repentina, seria analfabeto funcional e, portanto, não teria plena compreensão do contrato que assinou em fevereiro de 2022.

Os desembargadores não acolheram a tese. Na avaliação da corte, o vínculo foi firmado de forma livre e consciente, o que mantém válidas todas as obrigações do contrato de quatro anos, inclusive a cláusula de exclusividade cuja quebra originou a multa milionária. A rejeição do argumento fecha uma das principais portas jurídicas que a defesa vinha explorando desde o início do processo.

Conta total da condenação deve ultrapassar R$ 10 milhões

A multa restabelecida é só a parte mais visível da fatura. A sentença mantém também as condenações por danos morais e materiais impostas ao influenciador, além do pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios de 10% calculados sobre o valor atualizado da dívida.

Parte do dinheiro já está retida pela Justiça. O processo acumula depósitos judiciais superiores a R$ 4 milhões, feitos anteriormente como garantia de execução, e a soma de multa, indenizações, honorários e encargos deve empurrar a condenação total para além dos R$ 10 milhões. É uma cifra que transforma os quatro meses de contrato entre as partes num dos rompimentos mais caros da história dos influenciadores brasileiros.

Rompimento veio quatro meses depois da assinatura

Luva de Pedreiro perdeu recurso no TJ do Rio, que restabeleceu multa de R$ 5,2 milhões ao ex-empresário; conta total da condenação passa de R$ 10 milhões
Luva de Pedreiro perdeu recurso no TJ do Rio, que restabeleceu multa de R$ 5,2 milhões ao ex-empresário; conta total da condenação passa de R$ 10 milhões

A origem de tudo está no primeiro semestre de 2022. Em fevereiro daquele ano, no auge da explosão dos vídeos de finalizações e do bordão que conquistou o país, Iran Ferreira assinou com a ASJ Consultoria um contrato de representação artística com duração prevista de quatro anos.

Em junho de 2022, poucos meses depois de alcançar projeção nacional nas redes sociais, veio a ruptura. O influenciador rescindiu o contrato unilateralmente, alegando falta de transparência nos repasses das publicidades e estranhando os valores baixos que encontrava na própria conta bancária. Allan Jesus respondeu acionando a Justiça para exigir o cumprimento da multa rescisória, e a guerra judicial que dura até hoje estava declarada.

Contas congeladas e sigilo quebrado marcaram o meio do caminho

A disputa escalou com o passar dos anos e atingiu o bolso do influenciador antes mesmo da decisão desta semana. Em julho de 2024, a Justiça determinou a quebra do sigilo bancário e o congelamento das contas de Luva de Pedreiro.

As medidas duras tiveram justificativa processual. As ordens foram motivadas por alegações de descumprimento de parcelas devidas e de omissão de rendimentos por parte do influenciador ao longo da execução do processo. O episódio marcou o momento em que a batalha contratual deixou de ser apenas uma discussão de cláusulas e passou a alcançar diretamente o patrimônio e a movimentação financeira do criador de conteúdo.

Caso ainda pode subir para STJ e STF

Apesar do placar acumulado contra o influenciador, a guerra não terminou em definitivo. A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação e os valores, mas o caso ainda não transitou em julgado, e a defesa pode interpor recursos às instâncias superiores.

Os caminhos restantes são estreitos e técnicos. No Superior Tribunal de Justiça, a defesa precisaria demonstrar violação a leis federais ou divergência de interpretação jurídica; no Supremo Tribunal Federal, o recurso teria de apontar questões constitucionais, como supostos vícios no processo. São teses de alcance limitado, que podem prolongar o desfecho, mas dificilmente reverter o cenário desenhado pelas seguidas derrotas.

Quatro meses de contrato viraram quatro anos de tribunal

O saldo da história é desproporcional em todos os números: um contrato de quatro anos que durou quatro meses, uma disputa que já consumiu quatro anos de Justiça e uma conta que caminha para os R$ 10 milhões. Luva de Pedreiro segue como um dos maiores fenômenos de popularidade da internet brasileira, mas carrega junto o exemplo mais caro de como a fama repentina cobra preparo jurídico à altura. O “receba”, desta vez, ficou do lado do ex-empresário.

E para você, quem tem razão nessa história: o influenciador que alegou falta de transparência nos repasses ou o empresário que investiu na carreira e cobrou a multa do contrato? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

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