A torre de madeira Mjøstårnet, concluída em 2019 na Noruega, alcança 85,4 metros e 18 pavimentos com estrutura principal de glulam. O edifício combina 22 colunas, quatro grandes treliças nas fachadas, painéis de CLT, conexões de aço e lajes superiores de concreto para controlar cargas, vento e movimento estrutural lateral.
A torre de madeira Mjøstårnet alcançou 85,4 metros e 18 pavimentos na Noruega ao colocar a madeira engenheirada no centro de seu sistema estrutural. Concluído em 2019, o edifício utiliza grandes elementos de glulam para receber cargas e enfrentar o vento, enquanto CLT, aço e concreto aparecem em funções específicas da estrutura.
Segundo reportagem do Monitor do Mercado publicada em 23 de agosto de 2026, o projeto reúne 22 colunas principais e quatro grandes treliças de glulam distribuídas pelas fachadas. Nas regiões inferiores, algumas peças chegam a aproximadamente 625 por 1.485 milímetros de seção, dimensão próxima de 1,5 metro em um dos lados.
Torre de madeira levou peças estruturais a dimensões incomuns

Construir em altura com madeira exige lidar com esforços muito superiores aos encontrados em edifícios baixos. Na Mjøstårnet, isso levou ao uso de pilares e diagonais de grandes dimensões, formando um esqueleto capaz de transferir cargas dos pavimentos até as fundações.
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Nos cantos inferiores, determinadas seções de glulam chegam a aproximadamente 625 milímetros por 1.485 milímetros. Essas dimensões mostram como a torre de madeira depende não apenas das propriedades do material, mas também de peças robustas onde as solicitações estruturais são maiores.
Glulam forma o principal esqueleto da Mjøstårnet
O glulam, ou madeira laminada colada, aparece nas principais vigas, colunas e diagonais do prédio. Suas lâminas são coladas com as fibras predominantemente orientadas na mesma direção, permitindo produzir componentes longos e resistentes.
Essa configuração torna o material adequado para receber grandes esforços. Na Mjøstårnet, o glulam não atua apenas como acabamento ou elemento secundário: ele compõe a estrutura principal que sustenta os 18 pavimentos.
Quatro grandes treliças percorrem as fachadas
Um dos elementos mais importantes da solução estrutural está visível nas fachadas. Quatro grandes treliças de glulam trabalham como sistemas de contraventamento para aumentar a rigidez do edifício.
Quando o vento exerce forças horizontais sobre a torre de madeira, essas treliças ajudam a transportar os esforços até níveis inferiores e às fundações. A solução permite controlar deformações que se tornam cada vez mais relevantes conforme a altura aumenta.
Vento se torna um problema diferente em uma estrutura mais leve
A madeira possui massa menor do que o concreto, característica que traz vantagens, mas também muda o comportamento de uma construção alta diante do vento.
Em um edifício desse porte, o desafio não é apenas impedir uma falha estrutural. É necessário limitar acelerações e movimentos para que os ocupantes não sintam desconforto nos pavimentos superiores, onde a resposta ao vento pode ser mais perceptível.
Concreto aparece nos sete andares superiores
A solução adotada não eliminou completamente o concreto. Nos sete pavimentos superiores, lajes de aproximadamente 300 milímetros de espessura foram apoiadas sobre vigas de glulam.
A presença desse material acrescenta massa justamente na região onde o movimento causado pelo vento poderia ser mais sensível. Assim, a torre de madeira mantém seu sistema principal em madeira engenheirada, mas utiliza concreto estrategicamente para melhorar o comportamento dinâmico.
CLT desempenha funções diferentes das grandes treliças

O edifício também emprega madeira laminada cruzada, conhecida pela sigla CLT. Nesse produto, as camadas são sobrepostas com as fibras orientadas em diferentes direções.
Na Mjøstårnet, painéis de CLT aparecem em escadas, poços de elevadores e outros componentes, além de elementos de determinadas varandas. Eles não substituem, porém, as grandes treliças de glulam responsáveis pela principal estabilidade lateral.
Glulam e CLT não exercem o mesmo trabalho
Embora ambos sejam produtos industrializados de madeira engenheirada, a configuração de suas fibras faz com que sejam utilizados de maneiras distintas.
O glulam permite criar elementos lineares longos, como vigas, pilares e diagonais. O CLT, por sua vez, forma grandes painéis. A torre de madeira combina os dois produtos conforme a função estrutural necessária em cada parte da construção.
Aço continua presente nas conexões estruturais

Outro material tradicional não desapareceu do projeto. Placas, pinos e outras peças de aço são responsáveis por transferir esforços entre componentes de madeira.
Muitas dessas conexões permanecem embutidas dentro das próprias peças. A estratégia não serve apenas para unir os elementos: também contribui para proteger componentes metálicos contra as condições que poderiam comprometer seu desempenho durante um incêndio.
Projeto precisou considerar comportamento da madeira no fogo
A utilização de grandes peças maciças muda a forma como a madeira responde às chamas. Quando a superfície é exposta ao fogo, uma camada carbonizada começa a se formar.
Essa carbonização avança progressivamente para o interior. O dimensionamento da torre de madeira levou esse comportamento em consideração, calculando a perda de seção que poderia ocorrer durante exposições prolongadas sem depender da ideia de que a madeira permaneceria intacta.
Sprinklers e compartimentação complementam proteção estrutural
A segurança contra incêndio não depende apenas da dimensão das peças. O edifício possui sprinklers e compartimentação entre ambientes para limitar a propagação do fogo.
Rotas de fuga recebem proteção com placas resistentes, enquanto aberturas e conexões contam com soluções adicionais. Materiais intumescentes também são utilizados em pontos específicos associados às conexões metálicas embutidas.
Estrutura híbrida não significa que concreto sustente a torre
A presença de concreto e aço poderia levar à impressão de que a construção utiliza apenas uma aparência de madeira sobre um esqueleto convencional. O sistema descrito pela fonte mostra outra configuração.
As principais colunas, vigas, diagonais e treliças resistentes são de glulam. Concreto, aço e CLT aparecem onde suas propriedades oferecem vantagens específicas, formando uma estrutura híbrida sem retirar da madeira engenheirada o papel central.
22 colunas ajudam a levar cargas até as fundações
O sistema inclui 22 colunas principais, responsáveis por parte essencial da transferência das cargas verticais geradas pelos pavimentos.
À medida que essas forças descem pela torre de madeira, as seções precisam responder ao peso acumulado dos níveis superiores e aos esforços associados ao restante da estrutura. É justamente nos níveis inferiores que aparecem algumas das peças mais robustas do projeto.
85,4 metros ampliaram debate sobre prédios altos de madeira
Quando a Mjøstårnet foi concluída em 2019, seus 85,4 metros mostraram que a madeira engenheirada podia assumir funções estruturais relevantes em uma escala antes fortemente associada ao concreto e ao aço.
O edifício não demonstrou que esses materiais tradicionais deixaram de ser necessários. O que mudou foi a proporção e a função de cada um: a madeira forma o sistema principal, enquanto aço e concreto solucionam conexões, massa e necessidades específicas.
Torre de madeira mostrou que altura exige combinar materiais com precisão
A Mjøstårnet não alcançou 18 pavimentos simplesmente aumentando componentes usados em construções menores. O projeto reuniu 22 colunas principais, quatro grandes treliças de glulam, painéis de CLT, conexões metálicas protegidas e lajes superiores de concreto para responder a cargas, vento, movimento e incêndio.
Com 85,4 metros, a torre de madeira mostra que a disputa entre materiais não precisa terminar com a exclusão de concreto ou aço, mas com uma escolha mais específica para cada função estrutural. Você confiaria em morar ou trabalhar em um prédio de 18 andares cuja estrutura principal é feita de madeira engenheirada? Deixe sua opinião nos comentários.


