Desenvolvido pelo construtor alemão Andreas Froese em Honduras, o sistema utiliza embalagens compactadas como módulos de preenchimento das paredes e foi aplicado em moradias e outras estruturas, com participação de comunidades locais no preparo e no assentamento das garrafas.
Garrafas PET descartadas podem substituir parte dos blocos usados em paredes quando são preenchidas e compactadas com areia ou terra. Foi com esse princípio que Andreas Froese desenvolveu, em Honduras, uma técnica de bioconstrução voltada ao reaproveitamento de resíduos plásticos e ao uso de materiais disponíveis nas próprias comunidades.
Uma reportagem da Smithsonian Magazine registrou, em 2006, que Froese havia construído quase uma dúzia de casas com garrafas preenchidas com areia ao longo dos cinco anos anteriores. O trabalho também havia sido levado a comunidades de baixa renda de Honduras.
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Froese começou a testar o reaproveitamento das embalagens quando trabalhava em um parque ecológico hondurenho e se deparou com grande quantidade de plástico descartado após eventos locais. Em vez de encaminhar todo o material ao lixo, passou a experimentar formas de usar as garrafas como módulos de construção.
Como as garrafas entram nas paredes
O método consiste em preencher os recipientes até que o conteúdo fique compacto e a embalagem perca boa parte da flexibilidade. Depois de tampadas, as garrafas são posicionadas lado a lado, estabilizadas com amarrações e incorporadas às paredes com argamassa ou misturas que podem incluir terra e outros materiais disponíveis no local.
Esse processo não transforma literalmente o PET em tijolo cerâmico ou bloco de concreto. A garrafa funciona como módulo de preenchimento da parede, enquanto a argamassa, as amarrações e os demais componentes fazem a ligação entre as peças e dão acabamento ao conjunto.
Na prática, a proposta combina o reaproveitamento das embalagens com materiais disponíveis no próprio local da obra. O método preserva a função das garrafas como módulos de preenchimento, enquanto os elementos de ligação e acabamento permanecem responsáveis pela formação da parede acabada.
A Eco-Tec, organização criada por Froese, informa que o sistema começou a ser desenvolvido em 2001 e combina garrafas PET com terra, entulho e outros resíduos na bioconstrução. A entidade registra aplicações do método em diferentes tipos de obra.
Os registros da organização indicam que a técnica não ficou restrita à primeira experiência residencial. A Eco-Tec afirma ter empregado o sistema em dezenas de obras de diferentes tipos, embora esse conjunto reúna construções com finalidades distintas e não apenas moradias destinadas a famílias de baixa renda.
Custo e participação das comunidades
No contexto documentado pela Smithsonian, projetos que combinavam esse tipo de parede com soluções como telhados verdes e banheiros de compostagem chegavam a custar aproximadamente metade de uma construção convencional. A comparação se refere às experiências relatadas naquele período em Honduras e não representa uma redução automática para qualquer obra atual.
Parte da proposta era permitir que os próprios moradores participassem da construção. Os projetos incluíam treinamento para coleta, enchimento, compactação e assentamento das garrafas, de modo que o conhecimento pudesse ser reproduzido localmente sem depender apenas de equipes especializadas.
A participação comunitária aparecia desde o preparo das embalagens até etapas do assentamento, conforme os projetos relatados. A aplicação do método, no entanto, variava conforme o tipo de estrutura construída e os materiais empregados em cada experiência.
As garrafas também foram usadas em estruturas além das residências. Em Roatán, ilha hondurenha no Caribe, Froese trabalhou com educadores ambientais e estudantes na construção de uma cisterna com capacidade para 3.500 litros, enquanto os participantes aprenderam a preparar a argamassa, posicionar as embalagens e fazer as amarrações.
A Eco-Tec registra ainda aplicações em salas de aula, reservatórios, iglus e uma réplica de aqueduto. Em um projeto no Ecoparque Zamorano, em Honduras, uma casa ecológica utilizou cerca de 8 mil garrafas e recebeu telhado verde, além de outros sistemas de aproveitamento de recursos locais.
Resistência depende do projeto construído
Algumas afirmações sobre resistência divulgadas ao longo dos anos vieram do próprio Froese. Ele relatou que as garrafas compactadas poderiam suportar esforços elevados e que determinadas construções receberam telhados verdes pesados, mas essas declarações não equivalem a uma certificação universal para qualquer projeto feito com PET.
Os próprios exemplos registrados envolvem estruturas com funções diferentes, como casas, cisternas, salas de aula e reservatórios. Por isso, os resultados relatados para uma construção específica não podem ser transferidos automaticamente para todas as aplicações da técnica.
O marco de quase 12 casas pertence ao período documentado pela Smithsonian em 2006 e não corresponde a uma contagem atual de residências construídas com o método. Nos primeiros cinco anos relatados pela revista, a técnica já havia sido empregada em diferentes moradias e estruturas comunitárias em Honduras.
A Eco-Tec mantém registros de projetos realizados fora de Honduras e de aplicações que vão além das casas, incluindo estruturas comunitárias e de apoio. O reaproveitamento de garrafas PET permanece entre os elementos centrais do sistema apresentado pela organização.
