A Converse, marca da Nike, pediu desculpas e retirou uma campanha dos tênis Chuck 70 X e Run Star Crush com Karina, do Aespa. Usuários compararam imagens do anúncio a capuzes da Ku Klux Klan e a linchamentos. O congressista americano Troy Carter cobrou mais que um pedido de desculpas
A Converse, marca que pertence à Nike, pediu desculpas e tirou do ar uma campanha de tênis depois que usuários das redes sociais compararam as imagens a um capuz da Ku Klux Klan e a cenas de linchamento. O anúncio tinha como estrela Karina, integrante do grupo de K-pop Aespa.
A marca se pronunciou em 19 de setembro de 2026, em comunicado à revista americana People, depois que as imagens se espalharam pelas redes e passaram a ser chamadas de racistas por fãs e críticos.
Karina, do Aespa, estrelou a campanha do Chuck 70 X

A campanha foi criada para divulgar dois modelos da marca, o Chuck 70 X e o Run Star Crush, e escolheu Karina como rosto das imagens de lançamento.
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Na foto que concentrou as críticas, a cantora aparece sob um holofote em formato de estrela, segurando um par de tênis pretos de cano alto e vestindo uma saia branca na altura da panturrilha.
Luz do holofote formou silhueta que lembrou capuz da Ku Klux Klan

Assim que a imagem começou a circular, muitos usuários passaram a interpretá-la como racista. O ponto mais citado foi a luz do holofote, que desenhava na cena um contorno parecido com o capuz pontudo da Ku Klux Klan.

Sim, o anúncio da Converse é racista.
Sim, parece uma roupa da Ku Klux Klan.
Sim, parece um linchamento.
E não, “é só um anúncio de tênis” não é uma justificativa.”
Outra parte do público chamou atenção para a posição dos tênis. Para esses usuários, o jeito como Karina segurava o par, pendurado nas mãos, remetia a imagens de linchamento.
“É só um anúncio de tênis” não serve de justificativa, disse usuário
Um usuário do X resumiu o que muita gente dizia: “Não, você não está louco. Sim, o anúncio da Converse é racista”.
Na mesma publicação, ele rebateu quem minimizava a polêmica. “Sim, parece uma roupa da Ku Klux Klan. Sim, parece um linchamento. E não, ‘é só um anúncio de tênis’ não é uma justificativa“, escreveu.
Foto de outra campanha mostrava tênis pendurados em galho de árvore
As críticas cresceram quando outra imagem da marca voltou a circular. Nela, duas modelos sobem uma escada de madeira para alcançar pares de tênis pendurados no galho de uma árvore.
Segundo o site Women’s Wear Daily, essa foto era de outra ação: saiu no Instagram da Converse Malásia, na campanha Converse x Palmes para a coleção de tênis Jack Purcell PDM.
Árvore, escada e tênis pendurados ampliaram a revolta
Para parte do público, a segunda foto reforçava a leitura da primeira. “A silhueta da Ku Klux Klan é uma coisa”, escreveu um usuário no Threads.
“Mas a árvore, a escada e a pessoa ao longe olhando para cima enquanto segura um par de tênis Converse. Abominável. Incompreensível. Repugnante“, completou.
Converse admite que errou e diz que imagem é “profundamente perturbadora”
Com a repercussão, a marca se manifestou. “Pedimos desculpas. Entendemos por que essa imagem é profundamente perturbadora e reconhecemos que erramos”, afirmou a Converse à People.
No mesmo comunicado, a empresa disse que removeu o conteúdo dos seus canais e que trabalha para apagá-lo de todos os lugares onde apareceu. “Isso não deveria ter acontecido e faremos melhor”, concluiu.
Clientes antigos queimaram os próprios tênis em vídeos
O pedido de desculpas não encerrou a reação. Fãs de longa data da Converse divulgaram vídeos queimando os próprios tênis e defenderam que o impacto do anúncio importa mais do que a intenção da marca.
Em um vídeo no TikTok, um usuário disse que, mesmo sem intenção, quem aprovou o anúncio no atual clima político merecia perder o emprego. “Capuz pontudo, Converse penduradas, como se alguém estivesse sendo enforcado”, descreveu.
Congressista acusa a Converse de retirar as imagens discretamente
A polêmica chegou ao Congresso dos Estados Unidos. O deputado Troy Carter, da Louisiana, criticou a marca por ter retirado as imagens de forma discreta e divulgou uma nota à imprensa.
“Nike e Converse, em que diabos vocês estavam pensando?”, escreveu. “Sou um homem negro, filho do Sul e membro do Congresso pela Louisiana. De onde eu venho, a imagem de pessoas negras penduradas em árvores não é história antiga.”
“O capuz branco não é uma fantasia inofensiva”, afirma Carter
Carter disse que o tema ainda machuca. “Essa dor ainda persiste em nossas famílias e comunidades”, afirmou.
Ele também rebateu a ideia de que as imagens seriam só uma escolha visual. “O capuz branco não é uma fantasia inofensiva. É um símbolo de terror, assassinato e gerações de violência racial”, declarou.
Carter cobra da Nike mais do que um pedido de desculpas
Para o congressista, “a dor negra não é um artifício de marketing”, e a marca precisa responder pelo que fez. “Linchamento não é um conceito criativo. A Ku Klux Klan não é uma estética”, disse.
Carter afirmou que a campanha nunca deveria ter sido criada, aprovada ou lançada. “Vocês causaram danos reais, e reparar esses danos exigirá mais do que um pedido de desculpas escrito pelo departamento de relações públicas“, concluiu.
Na sua opinião, o pedido de desculpas e a retirada da campanha bastam, ou a Converse e a Nike deveriam mudar a forma como aprovam os anúncios? Deixe sua opinião nos comentários.
