Equipes municipais chegaram a retirar cerca de 90 toneladas de resíduos em um único dia na Praia do Gravatá, contra aproximadamente cinco toneladas em condições normais, enquanto troncos, galhos, plásticos e outros materiais continuam exigindo máquinas e trabalho manual na faixa de areia.
A Praia do Gravatá, em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, passou a exigir uma operação reforçada de limpeza depois que chuvas intensas levaram grandes volumes de galhos, troncos, folhas e lixo para a faixa de areia. Em alguns pontos, o acúmulo dificultou a circulação de moradores e turistas perto do mar.
O cenário ocorre em uma área que passou por alargamento da faixa de areia para enfrentar problemas de erosão. Desde 15 de agosto, porém, o município registra aumento acentuado na quantidade de material que chega à praia e precisa ser removido pelas equipes.
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Em entrevista ao Balanço Geral da NDTV RECORD, reproduzida pelo ND Mais, o prefeito Ricardo Ventura afirmou que a retirada chegou a cerca de 90 toneladas em um único dia.
Em condições normais, o recolhimento fica próximo de cinco toneladas diárias, conforme o prefeito. A relação entre os dois números é de 18 vezes o volume habitual, diferença compatível com a referência aproximada de cerca de 20 vezes usada para dimensionar o aumento no período.
A composição do material também interfere na operação. Troncos e galhos maiores podem exigir máquinas para serem retirados, enquanto resíduos menores são recolhidos manualmente pelos trabalhadores que atuam na faixa de areia.
Com a continuidade da chegada de detritos, o serviço foi intensificado e passou a ocorrer inclusive aos domingos. Mesmo após a limpeza de determinado trecho, o movimento do mar pode levar novamente resíduos para áreas já atendidas.
Chuvas levam galhos, troncos e lixo até a costa
A explicação apresentada pelo prefeito relaciona o acúmulo ao aumento da força do rio Itajaí-Açu durante períodos de chuva intensa. A correnteza pode transportar galhos, troncos, folhas e outros materiais até o mar, de onde parte deles é levada pelas ondas e correntes até a faixa de areia de Navegantes.
Esse movimento ajuda a explicar por que a quantidade de resíduos observada na praia pode variar ao longo dos dias. A retirada feita em terra não impede que novos materiais transportados pelas águas voltem a aparecer depois da passagem das equipes.
Entre os itens encontrados não estão apenas restos de vegetação. Garrafas PET, plásticos e até um sofá foram localizados na areia, misturados a troncos, galhos e folhas trazidos para a costa.
Ventura afirmou ainda que o município precisa arcar com os custos de destinação de tudo o que é recolhido. O trabalho, portanto, não termina com a retirada da areia, porque o material removido também precisa receber encaminhamento depois da limpeza.
A mudança constante das condições da praia é percebida por quem acompanha o serviço. O morador Elias Nau, que observa diariamente a retirada dos resíduos, relatou que parte do material volta à faixa de areia depois de ter sido removida.
“Não fica bonito, mas é a mãe natureza devolvendo o lixo que a gente bota lá, então não tem muito o que fazer”, afirmou Nau.
Praia passou por obra para recuperar a faixa de areia
O acúmulo ocorre depois de uma intervenção destinada a ampliar a Praia do Gravatá, que enfrentava perda de faixa de areia associada à erosão costeira. O serviço de alimentação artificial, conhecido também como engordamento, adiciona areia para aumentar a largura disponível na orla.
A Prefeitura de Navegantes informou que a proposta para a obra ficou em pouco mais de R$ 31,5 milhões, após desconto em relação ao orçamento previsto inicialmente. O projeto abrange aproximadamente 2,3 quilômetros da orla.
A previsão técnica divulgada pelo município era de que, após a acomodação do material utilizado na intervenção, a praia permanecesse com cerca de 70 metros de faixa de areia. A obra tinha como finalidade recompor espaço perdido pelo avanço do mar e ampliar a área disponível junto à orla.
A limpeza realizada desde agosto tem objetivo diferente do alargamento. Enquanto a intervenção alterou a largura da praia, a operação atual concentra-se na retirada de resíduos que chegam à costa durante períodos de chuva intensa e de maior transporte de materiais pelas águas.
A presença de troncos, folhas, plásticos e outros objetos sobre a nova faixa de areia também exige tipos diferentes de resposta das equipes. Materiais mais pesados demandam equipamentos, enquanto itens menores continuam sendo retirados manualmente ao longo da operação.
Para os trabalhadores, a dificuldade adicional é que o resultado de uma limpeza pode mudar com a força do mar. Trechos já atendidos podem voltar a receber resíduos, fazendo com que máquinas e equipes retornem à mesma área para repetir o recolhimento.
Enquanto esse fluxo continuar, a prefeitura mantém a limpeza reforçada na Praia do Gravatá, com retirada manual e mecanizada conforme o tipo de material encontrado e atuação também aos domingos quando necessária.
