O Grupo SHC, representante da JAC Motors, voltou a pedir recuperação judicial com R$ 239,5 milhões em dívidas e 44 empresas envolvidas. A Justiça discute o processo enquanto proprietários acompanham a operação.
A JAC Motors entrou no Brasil com uma promessa de conquistar ruas, abrir lojas e até fabricar carros no país. Quinze anos depois, o grupo responsável por sua representação vive outra batalha, desta vez nos tribunais: a SHC, de Sérgio Habib, pediu uma nova recuperação judicial com R$ 239,5 milhões em dívidas, pouco mais de um ano depois de encerrar o processo anterior.
O pedido reúne 44 empresas e foi apresentado à Justiça de São Paulo em outubro de 2026. O caso interessa a quem lembra da ofensiva da marca chinesa e também a clientes e profissionais que dependem de sua operação nacional. Mas é importante distinguir as coisas: a crise informada diz respeito ao conglomerado brasileiro representante da JAC, não a um anúncio de falência da montadora chinesa.
Grupo tentou negociar com credores e voltou à Justiça
Segundo documentos analisados pelo UOL e pela Exame, o Grupo SHC buscava uma reestruturação privada antes de protocolar o novo pedido. As dívidas sujeitas ao processo somam R$ 239,5 milhões. Há ainda cerca de R$ 130,66 milhões em créditos extraconcursais, que seguem regras diferentes e não entram automaticamente na negociação da recuperação judicial.
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O conglomerado já havia enfrentado uma recuperação anterior, encerrada em maio de 2025. A volta ao Judiciário tão cedo mostra a dificuldade da empresa para reorganizar seus compromissos num mercado automotivo que mudou radicalmente desde a chegada da JAC ao Brasil.
A recuperação judicial é um mecanismo pelo qual uma empresa em dificuldade busca renegociar dívidas sob supervisão da Justiça e seguir operando. A apresentação do pedido, entretanto, não equivale ao deferimento judicial nem representa decretação de falência.
Justiça questiona por que processo foi aberto em São Paulo
Antes de analisar os próximos passos do pedido, a Justiça paulista levantou uma questão sobre a competência para julgar o caso. Documentos indicam sedes de empresas do grupo no Rio de Janeiro, enquanto a ação foi distribuída à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

Em despacho relatado pela Folha de S.Paulo, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira deu 15 dias para o grupo comprovar onde fica seu principal centro de comando, sob possibilidade de remessa do processo à Justiça fluminense. Até a atualização jornalística consultada, o pedido ainda aguardava definição dessa etapa.
A definição sobre o tribunal competente é um dos próximos atos necessários para o pedido seguir seu curso.
De quase 70 concessionárias a uma loja: como a JAC perdeu espaço
A chegada da JAC, em 2011, foi marcada pela abertura simultânea de dezenas de pontos de venda. A operação terminou aquele ano com aproximadamente 70 concessionárias e 23,7 mil emplacamentos. Também houve anúncio de uma fábrica na Bahia, empreendimento que nunca se concretizou.

O cenário de 2025 foi muito diferente. A marca registrou 988 automóveis e comerciais leves emplacados, ante 2.022 no ano anterior, segundo dados da Fenabrave citados pelo UOL. A queda chegou a 51,1%. O mesmo levantamento apontou somente uma concessionária em operação no país, localizada em São Paulo.
A JAC passou a apostar mais em veículos elétricos e comerciais, mas a participação nos automóveis encolheu. Entre janeiro e julho de 2026, os automóveis elétricos somaram 129 emplacamentos, contra 375 no mesmo período de 2025. Já os comerciais leves elétricos avançaram de 12 para 44 unidades.
E quem comprou um JAC no Brasil, fica como?
Para o proprietário, o dado mais importante é que um pedido de recuperação do representante não estabelece automaticamente o fim de garantias, da assistência ou do fornecimento de peças. A continuidade desses serviços depende de contratos, da rede e da operação efetiva de cada empresa envolvida.
Quem tem um carro da marca e precisa de reparos pode consultar os canais oficiais para confirmar assistência disponível, agendamentos e fornecimento de componentes. A situação individual do veículo não pode ser deduzida apenas do total de dívidas divulgado no processo.
A JAC ainda mantém presença no segmento de veículos comerciais elétricos. Segundo o UOL, foram 101 caminhões elétricos emplacados de janeiro a julho de 2026, o que deu à marca 57,39% desse mercado específico, apesar do volume pequeno em números absolutos.
O próximo fato decisivo será a definição judicial da competência e do processamento da nova recuperação. Quem acompanhou o início da JAC no Brasil viu uma rede crescer depressa; agora, o desafio do grupo é reorganizar as dívidas sem interromper os serviços que restaram.
Você já teve um JAC ou conhece alguém que ainda usa um? Relate nos comentários como está o acesso a concessionárias, manutenção e peças na sua região.
