Em outubro de 2026, 22.737 referências de automóveis ficaram mais baratas na Tabela Fipe. A queda pode ajudar quem quer comprar um usado, mas também tirar dinheiro de quem vai vender ou usar o carro como entrada no próximo.
O preço do seu carro pode ter caído enquanto ele estava parado na garagem. Sem batida, pane ou quilometragem a mais: bastou a Tabela Fipe mudar de setembro para outubro de 2026. De uma atualização para a outra, 22.737 referências de automóveis ficaram mais baratas, segundo a fipeX. Quase oito em cada dez versões e anos-modelo comparados entraram na lista de quedas.
Quem quer comprar um usado pode encontrar a oportunidade que faltava para negociar. Quem contava com o próprio carro para dar entrada em outro pode levar um susto ao ouvir a avaliação da loja. O mesmo preço menor que anima o comprador tira dinheiro da mão de quem está vendendo.
Quase oito em cada dez versões caíram de preço em um único mês
O levantamento comparou 29.831 referências de automóveis presentes nas tabelas de setembro e outubro. Dessas, 22.737 caíram, 6.743 subiram e 351 não mudaram. A parcela em queda chegou a 76,2%, com redução mediana de 1,11%. Em outubro do ano passado, 68,3% dos registros haviam ficado mais baratos, e a queda mediana foi de 0,32%.
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Há um detalhe que muda o jeito de ler esse número: a tabela traz um preço para cada modelo, versão, motorização e ano-modelo, inclusive referências de carros novos. São quase 30 mil cotações acompanhadas, não 30 mil automóveis vendidos. E uma queda mediana de 1,11% não quer dizer que todo proprietário perdeu exatamente esse percentual.
Um Jeep perdeu R$ 88 mil na Fipe; um Clio antigo caiu quase R$ 3 mil
Um dos tombos mais impressionantes foi o do Jeep Grand Cherokee 80 Anos 3.0 turbo diesel automático, ano-modelo 2021. Em setembro, a tabela marcava R$ 398.589. Em outubro, passou a R$ 310.201. Uma diferença de R$ 88.388, equivalente a 22,2%, sem que fosse preciso vender um único carro para o número mudar.
O Renault Clio Expression 1.0 de três portas, ano-modelo 2005, também apareceu entre as maiores quedas. Sua referência passou de R$ 16.253 para R$ 13.521: são R$ 2.732 a menos. Já o Kia Niro SX Prestige híbrido, ano-modelo 2026, recuou de R$ 205.998 para R$ 173.652, diferença de R$ 32.346.

Esses são alguns dos maiores extremos publicados pela fipeX, que também mantém na lista variações fora do padrão. A perda do Grand Cherokee de 2021, por exemplo, não deve ser aplicada a qualquer Jeep ou a qualquer SUV: a comparação vale para a versão e o ano-modelo apontados.
Na troca, o dono pode perder duas vezes: na tabela e na proposta da loja
Você chega à loja pensando em usar o carro atual como metade da entrada do próximo. O vendedor consulta a tabela, examina o veículo e volta com uma proposta menor do que a que você imaginava. O preço de referência caiu, e a loja ainda tira uma parte para conseguir revender o usado.
Em reportagem do UOL Carros, lojistas relataram que avaliações antes próximas de 80% da Fipe passaram a ficar perto de 75%. Em alguns SUVs, houve relatos de ofertas de 73% da tabela. Não é uma regra para todos os carros, mas mostra o tamanho da diferença que pode surgir entre a cotação e o dinheiro que entra na troca.
Veja como a perda pode bater no bolso. Em uma simulação, seu carro aparecia por R$ 100 mil na Fipe de setembro e a loja oferecia 80% disso: R$ 80 mil. Em outubro, a referência cai para R$ 99 mil, e a loja passa a oferecer 75%: R$ 74.250. Você chega à compra seguinte com R$ 5.750 a menos. É só um exemplo para entender a conta; não é cotação de nenhum modelo.
Para comprar um usado, a história vira do avesso
Do outro lado do balcão está quem guardou dinheiro e esperava encontrar um carro mais barato. Se o modelo desejado caiu na Fipe e o vendedor precisa ajustar o preço pedido para competir, esse comprador ganha argumento para negociar. Um carro que parecia longe do orçamento em setembro pode ficar mais próximo em outubro.
Mas vale olhar a versão exata. Entre os registros comparados, 6.743 ficaram mais caros. Mesmo entre os que recuaram, um automóvel muito rodado, com manutenção atrasada ou histórico de reparos pode sair caro depois. A Fipe é ponto de partida: preço anunciado e preço pago costumam ser diferentes.
Até os zero-quilômetro entram na disputa e mexem com a conta da troca
Quem vai usar o carro antigo como entrada de um zero enfrenta uma segunda comparação. Descontos, bônus e condições oferecidos para veículos novos, inclusive SUVs híbridos e elétricos, podem tornar um modelo recém-saído da fábrica mais próximo do preço de um seminovo.

A Tabela Auto B3 encontrou queda média de 3,9% nos preços realmente pagos por usados nos doze meses até agosto de 2026. Em SUVs e picapes compactas, a queda foi de 7,4% em cada categoria; crossovers perderam 7,1%. Já os zero-quilômetro tiveram aumento médio de 2,7% somente em agosto, de acordo com a mesma pesquisa. Há ofertas pontuais, mas o preço dos novos não caiu de forma igual em todas as lojas.
Quem vende o usado agora para comprar um zero precisa pedir duas contas fechadas: quanto a loja efetivamente paga no seu carro e quanto custa o veículo novo depois dos descontos. Um desconto atraente no zero pode perder parte do brilho quando a avaliação do usado vem baixa.
Usados continuam movimentando milhões de negócios, mas nem todos saem ganhando
O mercado brasileiro de seminovos e usados já somava 14.205.505 veículos negociados entre janeiro e setembro de 2026, 5,4% acima do mesmo período do ano anterior, segundo a Fenauto. O total inclui também motos e outros tipos de veículo. Só em setembro foram 1.673.017 negociações, um pouco menos que em agosto.
A Fenauto fechou essa conta antes de a Fipe de outubro entrar em cena. Com os novos valores, um carro que ficou mais atraente para quem compra pode render menos ao dono que precisa vendê-lo para levar outro.
Comprar o usado mais barato ou vender para sair de zero: qual lado da balança pesa mais?

Para quem vai comprar um usado sem entregar outro carro, a queda da Fipe é uma boa notícia possível: há mais referências baixas e espaço para comparar anúncios. Para quem vai vender o próprio carro, especialmente como entrada de um zero, a mesma queda pode significar menos dinheiro disponível e uma diferença maior a financiar.
O zero-quilômetro pode valer a troca quando o desconto real, a garantia e as condições compensam a avaliação menor do usado. E manter o carro atual pode ser mais vantajoso se a loja oferecer pouco e a diferença para o próximo veículo ficar alta. Nenhuma dessas contas pode ser resolvida apenas pela porcentagem da Fipe.

Antes de fechar negócio, olhe a Fipe de setembro e outubro para a mesma versão e ano-modelo, ouça mais de uma oferta pelo carro que você tem e pergunte o preço final do próximo, sem bônus escondido na avaliação. O número decisivo não é o desconto anunciado: é quanto falta tirar do bolso para trocar de carro.
Com os usados mais baratos, você aproveitaria para comprar ou pensaria duas vezes antes de vender? Conte nos comentários e compartilhe a reportagem.
