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Tecido “zumbi” de pepino-do-mar sobrevive por mais de 3 anos fora do corpo, cicatriza sozinho e intriga cientistas sobre os limites entre vida e morte

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 09/06/2026 às 10:14
Atualizado em 09/06/2026 às 10:17
Estrutura biológica semelhante a um tecido de pepino-do-mar fixada sobre uma rocha no fundo marinho, ilustrando a descoberta de fragmentos capazes de sobreviver por anos fora do organismo original.
Fragmentos de tecido de pepino-do-mar permaneceram vivos por mais de três anos após serem separados do animal, segundo estudo publicado na Science Advances.
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Fragmentos de tecido de pepino-do-mar continuaram ativos por anos, cicatrizaram feridas e surpreenderam pesquisadores no Canadá

Uma descoberta científica incomum está chamando atenção por desafiar conceitos tradicionais sobre vida, morte e envelhecimento celular. Pesquisadores da Memorial University, no Canadá, identificaram que fragmentos de tecido da espécie Psolus fabricii, um tipo de pepino-do-mar, permaneceram vivos por mais de três anos após serem separados do corpo do animal. O estudo, publicado na revista Science Advances, mostrou que esses tecidos não apenas resistiram ao tempo, mas também mantiveram funções típicas de organismos vivos. Os fragmentos cicatrizaram lesões, reorganizaram estruturas internas, absorveram nutrientes e apresentaram atividade celular e imunológica, o que levou a equipe a chamá-los de “tecidos zumbis”.

Descoberta inesperada muda o rumo da pesquisa

A observação começou de forma acidental durante um experimento de rotina conduzido pela pesquisadora Sara Jobson. Pequenos pedaços de tecido foram deixados em tanques com água do mar corrente, e a expectativa era que se deteriorassem rapidamente, como ocorre com tecidos animais separados do organismo. O resultado, porém, foi diferente. Primeiro, os fragmentos permaneceram intactos por semanas. Depois, continuaram vivos por meses. Com o passar dos anos, os cientistas perceberam que estavam diante de um fenômeno ainda não documentado e iniciaram uma investigação detalhada para entender como aqueles tecidos mantinham funções biológicas por tanto tempo.

Tecidos cicatrizam feridas e mantêm atividade celular

Logo após a separação, os fragmentos reagiram aos danos provocados pelo corte. As áreas lesionadas passaram por um processo intenso de limpeza celular, enquanto partes comprometidas foram eliminadas e novas células surgiram para reparar os ferimentos. Em menos de uma semana, todas as amostras analisadas fecharam completamente as lesões. Os pesquisadores também observaram mitose, processo de divisão celular, e apoptose, mecanismo que elimina células danificadas de forma programada. Células imunológicas chamadas celomócitos migraram para as regiões feridas, ajudando na defesa contra infecções e na remoção de material danificado.

Imagem microscópica de fragmentos de tecido do pepino-do-mar Psolus fabricii, estrutura estudada por cientistas após permanecer funcional por mais de três anos fora do organismo original.
Tecido que permaneceu vivo por anos desafia a ciência.

Sobrevivência sem boca, estômago ou sistema digestivo

Um dos pontos mais intrigantes do estudo envolveu a fonte de energia dos tecidos. Os fragmentos não tinham boca, estômago ou qualquer sistema digestivo, mas testes mostraram que eles conseguiam absorver aminoácidos dissolvidos diretamente na água do mar. Essa capacidade foi mais intensa nas primeiras semanas após a separação, justamente quando a demanda energética para cicatrização era maior. Os autores também indicam que os tecidos podem reutilizar reservas internas para sustentar suas funções biológicas. Dessa forma, os fragmentos conseguiram manter atividade mesmo sem depender de um organismo completo.

Ambiente natural reforça mistério científico

Outro fator chamou atenção dos pesquisadores. Normalmente, tecidos mantidos fora do corpo precisam de ambientes estéreis, soluções específicas e controle rigoroso em laboratório. No caso do Psolus fabricii, porém, os fragmentos sobreviveram em água do mar natural, com bactérias, fungos, microrganismos e partículas orgânicas. Ainda assim, os tecidos continuaram vivos. Para os cientistas, essa resistência sugere mecanismos imunológicos e bioquímicos altamente eficientes, capazes de evitar infecções e degradação.

Crescimento continua mesmo após anos de separação

Com o passar do tempo, os fragmentos também passaram por mudanças físicas relevantes. Inicialmente, eles diminuíram de tamanho após o corte. Meses depois, recuperaram as dimensões originais. Em alguns casos, ficaram maiores do que eram logo após a separação. A estrutura interna também mudou. Os tecidos musculares desapareceram gradualmente, enquanto o tecido conjuntivo passou a dominar o fragmento. Segundo os autores, essa alteração pode representar uma adaptação para reduzir gasto energético com estruturas sem função fora do corpo original. Mesmo após mais de três anos, os pesquisadores não encontraram sinais claros de envelhecimento ou perda funcional.

Fenômeno não aparece em outras espécies testadas

Para verificar se essa capacidade era comum entre equinodermos, os cientistas repetiram os testes com outras espécies. Esse grupo inclui estrelas-do-mar, ouriços-do-mar e outros pepinos-do-mar. Alguns tecidos sobreviveram por semanas ou meses, mas todos acabaram se degradando. Nenhum apresentou a longevidade observada no Psolus fabricii. Por isso, os pesquisadores acreditam que o fenômeno pode ser exclusivo dessa espécie ou depender de mecanismos biológicos ainda desconhecidos.

Descoberta abre novas perguntas para a ciência

Os cientistas ainda não sabem qual vantagem evolutiva poderia explicar essa resistência e evitam afirmar que os tecidos sejam imortais. O estudo mostra, no entanto, que eles permaneceram vivos e funcionais por mais de três anos sem sinais evidentes de deterioração. O resultado pode contribuir para pesquisas em medicina regenerativa, engenharia de tecidos, envelhecimento celular e novos modelos biológicos. Os chamados “tecidos zumbis” oferecem uma oportunidade rara para estudar como estruturas complexas mantêm funções vitais de forma autônoma por longos períodos.

O que você acredita ser mais surpreendente: a capacidade de cicatrização dos tecidos ou o fato de eles continuarem vivos por anos fora do corpo?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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