Taxa de desemprego recua para 5,2% no Brasil, enquanto população ocupada atinge recorde de 103,6 milhões e rendimento médio chega a R$ 3.790.
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (30). No mesmo período, o país alcançou um recorde de 103,6 milhões de pessoas ocupadas, enquanto o número de brasileiros sem trabalho diminuiu. O resultado mostra um mercado de trabalho ainda aquecido, embora o ritmo de crescimento das contratações tenha sido menor neste ano.
O percentual ficou abaixo dos 5,4% registrados no segundo trimestre e dos 5,6% observados entre julho e setembro de 2025. A taxa também correspondeu à estimativa de 5,2% apresentada por economistas consultados pela Reuters antes da divulgação dos dados.
Entre as pessoas que estavam desempregadas, houve redução de 4% em relação aos três meses anteriores. Com isso, o contingente de desocupados chegou a 5,6 milhões.
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Brasil atinge recorde de trabalhadores ocupados, com destaque para a construção
O crescimento do emprego levou a população ocupada ao maior patamar da série histórica do IBGE. Ao todo, 103,6 milhões de brasileiros estavam trabalhando no trimestre encerrado em setembro, um aumento de 0,6% em relação ao período imediatamente anterior.
A construção apresentou um dos movimentos de destaque nesse cenário. O setor registrou expansão de 2,8% no número de ocupações, contribuindo para o avanço observado no mercado de trabalho brasileiro.
Apesar dos resultados positivos, o gerente da pesquisa, William Kratochwill, chamou a atenção para o comportamento das contratações ao longo do trimestre. Segundo ele, os meses de julho a setembro costumam apresentar condições favoráveis ao emprego, principalmente porque as empresas intensificam a produção para atender ao consumo de fim de ano.

Em 2026, no entanto, esse crescimento ocorreu em ritmo inferior ao observado normalmente. A diferença levantou questionamentos sobre o comportamento das empresas e a possibilidade de mudanças na velocidade de expansão do emprego nos próximos meses.
Incerteza eleitoral pode ter levado empresas a adiar contratações
Uma das hipóteses apresentadas por William Kratochwill para explicar o crescimento mais lento está relacionada ao período eleitoral. Na avaliação do gerente, algumas empresas podem ter preferido aguardar o resultado das eleições antes de ampliar equipes ou realizar novos investimentos.
Essa possibilidade, entretanto, não foi apresentada como uma conclusão definitiva. O pesquisador ressaltou que será necessário acompanhar os próximos levantamentos para compreender melhor o comportamento do emprego.
Outra questão é identificar se o país está se aproximando de um limite de ocupação, situação que poderia resultar em uma expansão mais lenta das contratações daqui para frente.
Rendimento médio permanece em R$ 3.790 e registra crescimento anual
Além da evolução do emprego, os dados do IBGE mostraram estabilidade na remuneração dos trabalhadores. O rendimento real habitual ficou em R$ 3.790, praticamente sem mudanças em relação ao trimestre anterior.
Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, os rendimentos apresentaram crescimento de 3,6%. O resultado indica uma evolução anual da remuneração, mesmo sem avanço na comparação trimestral.
Esses indicadores fazem parte das informações acompanhadas pelo Banco Central para avaliar o comportamento da economia brasileira. A instituição tem destacado que o mercado de trabalho permanece aquecido, apesar dos sinais de moderação gradual da atividade econômica.
Ao mesmo tempo, o BC observa uma desaceleração dos rendimentos médios. A autoridade monetária considera importante compreender como essas mudanças podem se refletir nos preços, especialmente durante a definição dos próximos passos da política monetária.
Banco Central se prepara para nova decisão sobre a Selic
O comportamento do emprego e dos salários também está no centro das discussões que antecedem a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para a semana seguinte à divulgação dos indicadores.
Até então, o Banco Central havia realizado cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic para 13,75% ao ano.
Antes do segundo turno da eleição presidencial, economistas ouvidos pela pesquisa Focus trabalhavam com a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião seguinte.
As informações são da CNN.
