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Investidores da Usiminas viram a ação cair 8,59% num só dia, para R$ 5, depois que a siderúrgica lucrou 43% menos no 3º trimestre e avisou que o aço importado aperta as margens

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 31/10/2026 às 12:25
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As ações da Usiminas caíram 8,59% nesta sexta-feira (30), para R$ 5,00, depois de um balanço do 3º trimestre com lucro 43% menor e um alerta da própria siderúrgica sobre o aço importado.

O papel USIM5 ficou entre os piores do Ibovespa no dia, segundo a SpaceMoney, que cita apuração do InfoMoney. O balanço foi divulgado na própria sexta.

A queda veio numa semana já ruim para a bolsa. O Ibovespa acumulou perda semanal de 18,12%, a maior desde 2020, segundo o mesmo levantamento.

Mas o tombo da Usiminas tem causa própria: custo subindo mais que o preço, mineração no pior momento e a previsão de um 4º trimestre ainda mais fraco.

O lucro caiu para R$ 243 milhões

A Usiminas lucrou R$ 243 milhões no 3º trimestre de 2026, queda de 43% sobre os R$ 428 milhões dos três meses anteriores, segundo o Times Brasil.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a empresa saiu do vermelho: um ano atrás, havia registrado prejuízo líquido de R$ 3,5 bilhões.

A receita líquida ficou em R$ 6,2 bilhões, 1% acima do trimestre anterior e 6% abaixo do 3º trimestre de 2025. O Ebitda ajustado caiu 27%, para R$ 558 milhões.

Vendeu mais aço e ganhou menos

A siderúrgica vendeu 1,03 milhão de toneladas de aço no trimestre, 5% a mais. O aumento não bastou.

O custo por tonelada vendida subiu 2,4%, enquanto o preço médio recebido caiu 0,3%. Com isso, o Ebitda ajustado da siderurgia recuou 22%, para R$ 538 milhões.

Placas de aço, coque, energia e o real mais fraco diante do dólar pesaram no custo, segundo a análise da XP citada pela SpaceMoney. O JPMorgan calculou o Ebitda do aço 18% abaixo do que esperava.

Bobinas de aço enfileiradas no chão de um galpão industrial com ponte rolante ao fundo
A Usiminas vendeu 1,03 milhão de toneladas de aço no 3º trimestre, mas o custo por tonelada subiu 2,4% (Reprodução/Valor Econômico)

O alerta sobre o aço que vem de fora

No relatório, a Usiminas apontou as importações de aço de países como Vietnã, Coreia do Sul e Egito como pressão sobre o mercado nacional.

A empresa também reclamou dos carros fabricados fora ou montados no Brasil com peças importadas. Cada um deles é aço que deixa de ser comprado das usinas brasileiras.

A preocupação tem endereço: a indústria automotiva respondeu por 38,2% das vendas de aço da Usiminas no mercado interno no trimestre, contra 33,1% um ano antes. A siderúrgica já dizia que todos os carros feitos no Brasil levam aço dela.

Setembro teve 34,6% mais aço importado

Os dados mais recentes do Instituto Aço Brasil mostram 600 mil toneladas de aço importado em setembro, alta de 34,6% sobre o mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a setembro, porém, as importações caíram 15,4%, para 4,3 milhões de toneladas. A entidade cobra atenção também para o aço que chega dentro de carros, máquinas e eletrodomésticos.

A Usiminas defendeu no relatório a continuidade das medidas de defesa comercial. Grandes projetos do setor no país já dependem dessa conta, como a fábrica de bobinas que a ArcelorMittal estuda no Ceará.

Na mineração, uma planta vai parar

A pior parte do balanço ficou na mineração. O Ebitda ajustado da divisão caiu de R$ 71 milhões para R$ 19 milhões, uma retração de cerca de 73%.

As vendas de minério recuaram 18,4%, para 2 milhões de toneladas, e a produção caiu 13,1%, para 1,9 milhão de toneladas. O preço de referência do minério caiu 7,9% no trimestre, e o frete marítimo subiu.

Com a rentabilidade menor, a Usiminas decidiu paralisar temporariamente uma de suas plantas de mineração. A empresa diz que vai retomar a operação quando preços e fretes melhorarem. O balanço, na versão noticiada, não detalhou o número de trabalhadores afetados.

O 4º trimestre deve ser pior

Para os últimos três meses do ano, a Usiminas projeta um recuo moderado no resultado da siderurgia, com vendas internas menores e custos de matéria-prima e energia ainda altos.

A empresa deve exportar mais para compensar a sazonalidade fraca do mercado interno. Só que o aço vendido lá fora rende menos por tonelada do que o vendido aqui.

Na mineração, a previsão é de volumes menores, por causa do preço do minério e do frete.

Os analistas leram a divisão de minério de formas diferentes. Para o BB Investimentos, a margem Ebitda da mineração chegou ao menor patamar histórico. O Itaú BBA também viu deterioração relevante, com minério mais barato, menos volume vendido e frete caro.

O Citi foi o menos pessimista. Segundo o banco, o desempenho da mineração superou as expectativas graças ao controle de custos e despesas, apesar das dificuldades.

Vagões-tanque parados em linha férrea com chaminés de usina siderúrgica ao fundo
Ramal ferroviário ao lado da usina da Usiminas em Ipatinga (MG), em foto de arquivo (Blude/Flickr, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons)

O que dizem os bancos

Itaú BBA, Citi, XP e BB Investimentos viram o mesmo quadro: mais aço vendido, margens apertadas e poucos motivos para otimismo no curto prazo, segundo o Valor Econômico.

O BB Investimentos rebaixou a ação de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 8,50. O Citi manteve compra e alvo de R$ 9. Itaú BBA e XP ficaram em neutro.

Bradesco BBI e Morgan Stanley também ficaram neutros, e o JPMorgan manteve compra, com alvo de R$ 10,50, segundo a SpaceMoney. A XP disse ter preocupação com 2027, por causa dos juros altos.

O caixa ainda segura

Apesar do trimestre fraco, a Usiminas terminou setembro com R$ 471 milhões em caixa líquido. Ou seja, tinha mais dinheiro disponível do que dívidas.

Em paralelo, a empresa tem outro plano em andamento em Minas: R$ 1,7 bilhão para reconstruir uma unidade desativada.

Para quem vive do aço no Vale do Aço, o recado do balanço é que o fim de ano será de margem curta.

Você acha que o Brasil deveria taxar mais o aço e os carros importados para proteger as siderúrgicas daqui?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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