Tajiquistão constrói Rogun, barragem de 335 metros que deve ser a mais alta do mundo, com 3.780 MW, 13,3 bilhões de m³ de água e mais de 30 mil empregos.
Caminhões despejam toneladas de rocha dentro de um vale estreito enquanto uma enorme parede cresce entre as montanhas do Tajiquistão. No fim de 2025, a barragem já havia alcançado cerca de 151 metros de altura. Quando o trabalho terminar, ela deverá chegar a 335 metros, suficiente para assumir o posto de barragem mais alta do mundo.
Segundo o Banco Mundial, a usina hidrelétrica de Rogun está sendo construída no rio Vakhsh e terá 3.780 MW de potência. O projeto deverá gerar mais de 30 mil empregos diretos e indiretos e melhorar o fornecimento de eletricidade para cerca de 10 milhões de pessoas no Tajiquistão.
Uma parede de pedra de 335 metros fechará o vale
Rogun não será uma barragem comum de concreto. A estrutura principal será feita principalmente com rochas compactadas e terá um núcleo central impermeável para impedir a passagem da água.
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Quando chegar à altura prevista, o topo ficará a cerca de 1.300 metros acima do nível do mar. A diferença entre a base e o topo será de 335 metros, medida que deve colocar Rogun acima de qualquer outra barragem atualmente concluída no mundo.

A obra está sendo levantada em uma garganta estreita do rio Vakhsh, em uma região cercada por montanhas. Essa posição permite represar uma enorme quantidade de água em um espaço relativamente estreito.
Barragem já tinha 151 metros no fim de 2025
A parede final ainda levará anos para atingir os 335 metros, mas a estrutura já cresceu muito. Dados divulgados pelo projeto mostram que, no fim de 2025, a barragem havia chegado a 151 metros de altura.
No mesmo período, o avanço geral das obras se aproximava de 60%. Um relatório do Banco Mundial informou que o contrato específico da barragem principal estava aproximadamente 46% concluído em dezembro de 2025.
Os números são diferentes porque medem partes distintas do projeto. A usina inclui barragem, túneis, turbinas, linhas elétricas, estradas, estruturas de segurança e várias outras obras espalhadas pelo vale.
Seis turbinas somarão 3.780 MW de potência
Toda a água represada terá uma função principal: mover seis grandes turbinas instaladas dentro da montanha. Cada unidade permanente deverá alcançar 630 MW de potência.
Somadas, as seis chegarão a 3.780 MW. A potência colocará Rogun entre os maiores projetos hidrelétricos da região e fará dela a maior usina desse tipo da Ásia Central quando estiver totalmente concluída.
A casa de força será instalada em grandes espaços escavados dentro da rocha. A água descerá pelos sistemas da usina, girará as turbinas e depois voltará ao rio.
Duas turbinas já produzem eletricidade antes da obra terminar
Rogun tem uma característica pouco comum: parte da usina começou a produzir energia enquanto a barragem principal ainda estava sendo construída.
Duas unidades temporárias entraram em funcionamento em 2018 e 2019. Até o fim de 2025, elas já haviam produzido aproximadamente 9,9 bilhões de kWh de eletricidade, segundo dados oficiais do projeto.
O dinheiro obtido com essa energia também pode ajudar a financiar as etapas seguintes. Ao mesmo tempo, os equipamentos temporários passarão por modernização para trabalhar posteriormente em sua configuração permanente.
Reservatório poderá guardar 13,3 bilhões de m³ de água
Atrás da barragem será formado um enorme reservatório. O projeto prevê capacidade total próxima de 13,3 quilômetros cúbicos, ou aproximadamente 13,3 bilhões de metros cúbicos de água.
A superfície deverá ocupar cerca de 170 km², enquanto o lago artificial poderá avançar aproximadamente 70 quilômetros pelo vale do Vakhsh.

O enchimento também será feito aos poucos. Documentos recentes indicam que o reservatório poderá atingir seu nível completo apenas por volta de 2038, anos depois de várias unidades da usina já estarem produzindo eletricidade.
A obra deve gerar cerca de 14,4 bilhões de kWh por ano
Quando estiver completamente pronta, Rogun deverá produzir em média cerca de 14.400 gigawatts-hora por ano, o equivalente a 14,4 bilhões de kWh.
O Banco Mundial calcula que isso corresponde a aproximadamente 60% da geração elétrica atual de todo o Tajiquistão. A energia deverá ajudar principalmente nos meses frios, quando o país enfrenta períodos de falta de eletricidade.
A usina também foi planejada para trabalhar junto com outras hidrelétricas existentes no rio Vakhsh. Rogun ficará acima da usina de Nurek, outro grande projeto energético do país.
Cerca de 10 milhões de pessoas podem receber fornecimento mais estável
O Tajiquistão depende muito de suas usinas hidrelétricas, mas a produção de eletricidade muda ao longo do ano. Durante o inverno, a quantidade de água disponível pode diminuir justamente quando a demanda aumenta.
O Banco Mundial estima que Rogun poderá melhorar o acesso a eletricidade confiável para aproximadamente 10 milhões de pessoas. A quantidade corresponde à maior parte da população do país.
A grande capacidade do reservatório também permitirá guardar água para uso em momentos de maior necessidade. Isso aumenta o controle sobre a produção elétrica ao longo das estações.
Parte da eletricidade poderá atravessar fronteiras
Rogun não foi planejada apenas para atender o Tajiquistão. Uma parte importante da eletricidade deverá ser enviada para países vizinhos por novas e antigas linhas de transmissão.
O Banco Mundial cita Cazaquistão e Uzbequistão entre os principais mercados previstos para essa energia. Documentos anteriores do projeto estimavam que cerca de 70% da produção poderia ser exportada em determinadas fases e cenários.
Para o Tajiquistão, essas vendas representam entrada de dinheiro. Para os compradores, significam mais energia disponível em uma região onde a procura continua crescendo rapidamente.
Mais de 30 mil empregos podem ser criados
A construção envolve uma quantidade enorme de trabalhadores porque Rogun não é apenas uma barragem. Existem túneis, escavações subterrâneas, estradas, redes de transmissão, equipamentos elétricos e obras em várias partes da montanha.
Em junho de 2026, o Banco Mundial afirmou que o projeto deverá gerar mais de 30 mil empregos diretos e indiretos. Parte das vagas aparece dentro do canteiro, enquanto outras surgem em transporte, alimentação, fornecimento de materiais e serviços.
A dimensão da obra também exige especialistas estrangeiros e empresas internacionais. Engenheiros, geólogos, operadores de máquinas, eletricistas e trabalhadores da construção participam de diferentes etapas.
Terminar Rogun ainda exige cerca de US$ 6,29 bilhões
A escala aparece com ainda mais clareza quando a conta financeira é analisada. Em 2024, o Banco Mundial calculou que seriam necessários aproximadamente US$ 6,29 bilhões adicionais para concluir a usina.
O dinheiro deverá vir do orçamento do Tajiquistão, da própria venda de eletricidade e de bancos e fundos internacionais. Apenas o Banco Mundial aprovou um programa total de US$ 650 milhões, dividido em diferentes fases.
Em junho de 2026, uma nova parcela de US$ 300 milhões foi aprovada. O recurso será usado em obras civis, equipamentos para geração de energia, segurança e medidas ligadas às famílias afetadas pela construção.
Bancos de vários países entraram no financiamento
O tamanho de Rogun tornou difícil pagar toda a obra apenas com recursos do governo tajique. Por isso, foi montado um grupo internacional para ajudar a financiar o projeto.
Entre as instituições envolvidas ou que demonstraram interesse estão Banco Mundial, Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, Banco Europeu de Investimento, Banco Islâmico de Desenvolvimento e fundos de países do Oriente Médio.
O AIIB, por exemplo, aprovou em 2024 um programa de até US$ 500 milhões, começando com uma primeira fase de US$ 270 milhões.
A barragem tem uma história que começou ainda na União Soviética
A ideia de construir Rogun é muito mais antiga que a obra atual. Os primeiros trabalhos começaram ainda na época soviética, na década de 1970.
Depois do fim da União Soviética, o projeto foi interrompido. Em 1993, uma grande cheia destruiu parte das estruturas que já haviam sido construídas no local.
Décadas depois, o Tajiquistão retomou o plano. A fase atual começou a ganhar força a partir de 2016 e 2017, quando foram iniciadas novas obras na barragem principal e o rio passou por estruturas de desvio.
O rio precisou ser desviado para abrir espaço à barragem
Para construir uma parede de centenas de metros no leito de um rio, os engenheiros primeiro precisam retirar a água daquele trecho.
Em Rogun, o Vakhsh foi conduzido por grandes túneis abertos nas montanhas. Isso permitiu deixar parte do antigo leito seco para receber milhões de toneladas de rocha.
Uma barragem menor, construída antes da estrutura principal, também ajudou a elevar o nível da água. Essa solução permitiu que as primeiras turbinas começassem a funcionar muito antes da conclusão definitiva.
Túneis de segurança precisam controlar cheias gigantes
A água não pode simplesmente ficar presa atrás de uma barragem. Em períodos de cheia, a usina precisa ter caminhos seguros para liberar volumes muito grandes sem danificar a estrutura.
Por isso, Rogun terá um sistema de vertedouro na superfície e diferentes túneis construídos em níveis distintos da montanha. Eles funcionam como grandes saídas de emergência para a água.
O projeto também possui painéis independentes de especialistas para acompanhar a segurança da barragem e os impactos ambientais e sociais. O Banco Mundial afirma que esses grupos analisam os estudos e podem exigir novas verificações quando necessário.
Mais de 50 mil pessoas serão reassentadas
O reservatório gigantesco também tem uma consequência direta para quem vive nas áreas que serão cobertas ou afetadas pela água.
Segundo o Banco Mundial, mais de 50 mil pessoas deverão ser reassentadas durante o projeto. As famílias devem receber recursos para novas casas, além de terra e apoio para reconstruir sua renda nos novos locais.
Escolas, unidades de saúde e outras estruturas também precisam acompanhar essas mudanças. O processo ocorre durante vários anos porque o nível do reservatório sobe lentamente enquanto a construção avança.
Parte da receita da usina deverá ir para programas sociais
O governo do Tajiquistão assumiu o compromisso de separar uma parcela da receita obtida com a venda da eletricidade para programas voltados às famílias mais vulneráveis.
Durante a construção, 3% da receita prevista para esse programa deverá ser direcionada aos benefícios sociais. Depois que a obra terminar, a participação deve subir para 5%.
O objetivo é fazer com que parte do dinheiro gerado pela usina chegue também a pessoas que não trabalham diretamente no projeto.
A terceira unidade deve ser uma das próximas grandes etapas
Enquanto caminhões continuam elevando a barragem, equipes trabalham nos equipamentos que aumentarão gradualmente a produção de energia.
Informações divulgadas pelo projeto em 2026 indicam que novos recursos internacionais deverão ajudar na entrada da terceira unidade geradora. As duas primeiras continuam produzindo enquanto outras partes da usina são montadas.
Essa construção por etapas permite que Rogun gere eletricidade durante sua própria execução. É uma forma de colocar parte da estrutura para trabalhar enquanto a parede principal ainda cresce dezenas de metros acima do rio.
Uma parede de 335 metros mudará o rio Vakhsh
No fim de 2025, a barragem já havia chegado a 151 metros. Caminhões continuavam levando rocha ao vale, enquanto duas turbinas produziam eletricidade de uma usina ainda cercada por máquinas e escavações.
O destino final está muito acima. Rogun deverá alcançar 335 metros de altura, receber seis turbinas de 630 MW e acumular até 13,3 bilhões de metros cúbicos de água em um lago artificial de cerca de 170 km².
A potência final será de 3.780 MW. Mais de 30 mil empregos são esperados, cerca de 10 milhões de pessoas podem receber fornecimento de energia mais estável e parte da eletricidade deverá cruzar as fronteiras do Tajiquistão.
Tudo começa com a mesma cena que ainda domina o vale em 2026: caminhões carregados de pedra subindo continuamente pela montanha enquanto a futura barragem mais alta do mundo cresce metro por metro no caminho do rio.

