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Grandes invenções nem sempre vêm de cientistas: Criança de 12 anos criou um sistema à base de ferrofluido que aproveita a energia do movimento para gerar eletricidade

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 17/09/2026 às 17:55 Atualizado em 17/09/2026 às 18:55
Aos 12 anos, Ahmed Abdelsalam criou sistema com ferrofluido que transforma movimentos em eletricidade e chegou à final da 3M.
Aos 12 anos, Ahmed Abdelsalam criou sistema com ferrofluido que transforma movimentos em eletricidade e chegou à final da 3M.
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Finalista de competição da 3M, Ahmed Abdelsalam desenvolveu o VERDA com ferrofluido e peças impressas em 3D para aproveitar movimentos de passos, vento e ondas, embora o protótipo ainda não tenha desempenho elétrico divulgado publicamente.

Aos 12 anos, Ahmed Abdelsalam desenvolveu um protótipo capaz de transformar energia do movimento em eletricidade usando ferrofluido, bobinas e peças impressas em 3D. Batizado de VERDA, o projeto colocou o estudante de Cambridge, nos Estados Unidos, entre os dez finalistas do 3M Young Scientist Challenge de 2026.

Aluno do sexto ano da Darby Vassall Upper School, em Cambridge, Massachusetts, Ahmed criou o equipamento para aproveitar parte da energia mecânica presente em movimentos cotidianos.

A proposta considera fontes como passos, vento e ondas, embora o protótipo ainda esteja em desenvolvimento e não tenha dados públicos de potência ou eficiência.

A seleção de Ahmed foi anunciada oficialmente pela 3M em 6 de julho de 2026. A competição reúne estudantes do quinto ao oitavo ano de diferentes regiões dos Estados Unidos. O vencedor receberá US$ 25 mil e o título de principal jovem cientista do país naquele ano.

Energia do movimento inspirou criação do VERDA

A ideia começou quando Ahmed caminhava e pensou na energia produzida pelo próprio corpo durante o deslocamento. A partir dessa observação, ele passou a investigar maneiras de captar movimentos normalmente desperdiçados e convertê-los em energia elétrica.

O estudante trabalhou durante aproximadamente sete meses no desenvolvimento do VERDA. Nesse período, aprendeu desenho assistido por computador e fabricação por impressão 3D, ferramentas utilizadas para projetar e produzir as estruturas do dispositivo.

Segundo o Cambridge Day, o sistema passou por diferentes versões antes de chegar ao protótipo apresentado na competição. Um dos principais problemas encontrados foi o vazamento do ferrofluido através dos microporos deixados pelo processo de impressão 3D.

Ahmed dedicou cerca de três meses a essa dificuldade. Ele modificou dimensões, velocidade de impressão e outros parâmetros de fabricação para conseguir uma estrutura capaz de conter o líquido.

Ferrofluido se movimenta dentro do dispositivo

O ferrofluido é um líquido que contém pequenas partículas magnéticas em suspensão. No VERDA, o deslocamento desse material dentro do recipiente interfere no campo magnético relacionado aos componentes do sistema.

Quando o equipamento é movimentado, o ferrofluido também se desloca. A mudança do fluxo magnético em relação às bobinas permite induzir tensão elétrica, convertendo parte da energia mecânica em eletricidade.

Esse princípio pertence à área conhecida como coleta ou aproveitamento de energia, que busca recuperar pequenas quantidades de energia disponíveis no ambiente. Vibrações de máquinas, movimentos humanos, vento e ondas estão entre as possibilidades estudadas nesse campo.

O projeto de Ahmed considera o uso do equipamento em situações de pequena escala. Uma das possibilidades mencionadas é instalar versões do sistema na roupa de uma pessoa durante uma corrida, aproveitando o movimento corporal para produzir eletricidade destinada a dispositivos portáteis.

Essa aplicação, porém, representa uma possibilidade futura. As fontes disponíveis não informam quantos volts ou watts o VERDA produz, quanta energia pode ser gerada por passo nem quais aparelhos o protótipo consegue alimentar.

Princípio já é estudado por pesquisadores

Embora a configuração apresentada por Ahmed faça parte de seu projeto, o uso de ferrofluidos para aproveitar vibrações e gerar eletricidade já é objeto de pesquisas acadêmicas.

Um estudo publicado em 2023 na revista Scientific Reports descreveu um dispositivo líquido de coleta de energia vibracional. O equipamento também empregava ferrofluido para alterar o fluxo magnético em uma bobina e transformar vibrações mecânicas em energia elétrica.

Na pesquisa, o líquido subia e descia por ação capilar dentro da estrutura quando submetido a vibrações. Esse movimento modificava a ligação do fluxo magnético com as bobinas, produzindo eletricidade por indução eletromagnética.

O trabalho científico ajuda a demonstrar que o princípio físico usado pelo VERDA é tecnicamente possível. O desafio está em aprimorar a eficiência, controlar o comportamento do líquido e produzir eletricidade suficiente para aplicações práticas.

Finalista receberá orientação de cientista da 3M

Como finalista, Ahmed participará de uma etapa de orientação com um cientista da 3M. O objetivo é desenvolver e aperfeiçoar o protótipo antes da fase nacional da competição.

Cada um dos dez finalistas foi selecionado a partir de um vídeo de apresentação com uma solução científica para um problema cotidiano. Os projetos abrangem áreas como sustentabilidade, saúde, segurança e tecnologia.

O VERDA permanece como um protótipo estudantil, sem previsão divulgada de comercialização. Seu principal resultado até agora é demonstrar, em pequena escala, uma maneira de explorar movimentos disponíveis no ambiente e convertê-los em eletricidade por meio de ferrofluido e indução eletromagnética.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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