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Surto do vírus Nipah na Índia acende alerta máximo em aeroportos da Ásia

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 27/01/2026 às 09:11
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Surto do vírus Nipah na Índia coloca a Ásia em alerta e leva países a reforçarem controles sanitários em aeroportos.

Um novo surto do vírus Nipah voltou a acender o alerta sanitário na Índia, mobilizando autoridades de saúde e levando países da Ásia a reforçarem controles em aeroportos.

A doença, identificada no início de janeiro no estado de Bengala Ocidental, envolve um patógeno altamente letal, sem vacina ou cura, que preocupa organismos internacionais desde sua descoberta, em 1999.

O aumento da vigilância ocorre para evitar a disseminação do vírus, que pode causar infecções respiratórias graves e inflamação no cérebro.

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Surto recente do Nipah na Índia mobiliza autoridades

As autoridades indianas colocaram cerca de 110 pessoas em quarentena após a confirmação de casos do Nipah entre profissionais de saúde em Bengala Ocidental.

Dois trabalhadores da área médica precisaram de atendimento depois de entrarem em contato com pacientes infectados.

Embora tenham testado negativo inicialmente, o acompanhamento rigoroso foi mantido para evitar a propagação da doença.

Segundo relatos da imprensa local, pelo menos cinco casos foram detectados neste mês entre profissionais de saúde.

Apesar disso, autoridades afirmam que a situação está sob controle, com monitoramento contínuo e protocolos de isolamento aplicados de forma preventiva.

Países da Ásia reforçam segurança em aeroportos

Diante do avanço do surto na Índia, países vizinhos passaram a adotar medidas adicionais de vigilância.

A Tailândia anunciou protocolos especiais de saúde e triagem em três aeroportos internacionais: Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket. A decisão foi tomada após a identificação de voos diretos provenientes da região afetada.

No aeroporto de Phuket, que recebe cinco voos semanais de Bengala Ocidental, houve intensificação da limpeza de áreas comuns e maior integração com postos de controle de doenças transmissíveis.

Já em Suvarnabhumi, autoridades realizaram triagens em 332 passageiros vindos da Índia, sem registro de casos suspeitos até o momento.

Além disso, Nepal, Taiwan e outros países asiáticos retomaram procedimentos de verificação semelhantes aos adotados durante a pandemia de covid-19.

A China, por meio de sua emissora estatal CCTV, informou que não há casos confirmados no país, mas reconheceu o risco de infecções importadas.

Vírus Nipah deixa vírus em alerta — Foto: Arte/BBC
Fonte: Arte/BBC

Por que o vírus Nipah preocupa tanto?

O vírus Nipah é considerado um dos patógenos mais perigosos do mundo. A Organização Mundial da Saúde inclui o Nipah em sua lista de doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de Ebola, Zika e covid-19, devido ao seu potencial de causar uma epidemia global.

A taxa de letalidade pode chegar a 75% dos infectados, o que torna cada novo surto motivo de grande preocupação, especialmente em regiões densamente povoadas da Ásia.

Como o vírus Nipah é transmitido

A infecção pelo Nipah é uma zoonose, ou seja, passa de animais para humanos. Os principais reservatórios naturais do vírus são morcegos frugívoros, mas a transmissão também pode ocorrer por meio de porcos, alimentos contaminados ou contato direto entre pessoas infectadas.

Estudos indicam que o consumo de frutas ou produtos derivados, como suco de tâmara cru contaminado com saliva ou urina de morcegos, esteve na origem de surtos anteriores.

Por isso, autoridades reforçam alertas sobre higiene alimentar em áreas de risco.

Sintomas da doença variam de leves a fatais

Os sintomas do vírus Nipah podem variar bastante. Em alguns casos, a infecção é assintomática. Em outros, evolui rapidamente para quadros graves. Os sinais iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta.

Com a progressão da doença, podem surgir tontura, sonolência, confusão mental e sintomas neurológicos.

Casos mais severos envolvem encefalite, convulsões e insuficiência respiratória, podendo levar ao coma em até 48 horas. O período de incubação costuma variar entre quatro e 14 dias, mas já houve registros de até 45 dias.

Não há vacina nem cura para o Nipah

Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico contra o vírus Nipah. O atendimento médico se limita ao controle dos sintomas e a cuidados paliativos, o que reforça a importância da prevenção, do isolamento rápido de casos suspeitos e da vigilância epidemiológica.

Histórico de surtos do vírus na Ásia

O primeiro surto registrado ocorreu em 1999, na Malásia, causando mais de 100 mortes e levando ao abate de cerca de um milhão de porcos.

Desde então, o Nipah foi identificado em países como Singapura, Bangladesh e Índia.

Bangladesh é atualmente o país mais afetado, com mais de 100 mortes desde 2001. Na Índia, surtos anteriores foram registrados no estado de Kerala, em 2013 e 2018, e conseguiram ser controlados em poucas semanas com testagem em massa e isolamento rigoroso.

Outros países da Ásia e da África, como Camboja, Indonésia, Filipinas, Tailândia, Madagascar e Gana, também são considerados áreas de risco, pois já foi encontrada evidência do vírus em populações de morcegos.

Diante desse cenário, o novo surto na Índia reforça a necessidade de cooperação internacional e vigilância constante para conter uma doença que, apesar de rara, continua representando uma séria ameaça à saúde global.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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