Na operação Southern Seas 2026, o A-29 Tucano da Força Aérea do Equador fez patrulha aérea conjunta com caças que custam cinco vezes mais enquanto os Super Hornets largavam bombas reais no oceano Pacífico durante a última missão operacional do porta-aviões mais antigo do mundo
No dia 8 de abril de 2026, uma imagem registrada pela Marinha dos Estados Unidos no oceano Pacífico mostrou algo que resume décadas de engenharia brasileira numa única cena. Um A-29 Super Tucano da Embraer, turboélice a hélice, voava em formação com um F/A-18E Super Hornet, caça supersônico a jato, sobre o convés do porta-aviões nuclear USS Nimitz.
De um lado, um avião projetado em São José dos Campos que custa cerca de US$ 14 milhões. Do outro, uma máquina de guerra de US$ 70 milhões capaz de ultrapassar a velocidade do som. E os dois estavam ali, na mesma missão, no mesmo céu, sobre o mesmo porta-aviões.
Não era demonstração. Era exercício real de guerra.
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A cena fez parte da operação Southern Seas 2026, exercício multinacional conduzido pela 4ª Frota dos Estados Unidos que está circunavegando a América do Sul com o grupo de ataque do USS Nimitz. Na etapa com o Equador, a Força Aérea equatoriana enviou seu Super Tucano para voar junto com os caças americanos.
O Tucano equatoriano, pilotado pelo tenente Diego Morán e pelo major Antonio Pavón, fez patrulha aérea combinada com os F/A-18E do esquadrão VFA-137 “Kestrels” sobre o porta-aviões. Enquanto isso, na mesma operação, a tripulação do Nimitz carregava bombas reais nos Super Hornets, que executaram ataques simulados lançando munição em área aberta do oceano.
Os exercícios incluíram combate aéreo simulado entre caças, interdição marítima, tiro real com artilharia naval e defesa aérea. As corvetas equatorianas BAE Manabi e BAE Loja manobrava ao lado do destroyer americano USS Gridley.
Por que um avião a hélice voa com um caça a jato?
A pergunta parece óbvia. O F/A-18 Super Hornet voa a Mach 1.8. O Super Tucano chega a 590 km/h. Um é supersônico. O outro tem hélice. Um custa cinco vezes mais que o outro. Por que a Marinha americana aceita colocar os dois no mesmo exercício?
A resposta está na guerra moderna.
Conflitos atuais não são disputados apenas por caças de US$ 70 milhões. A proliferação de drones baratos, munições de ataque autônomas e ameaças assimétricas criou um cenário em que usar um Super Hornet para derrubar um drone de US$ 500 é economicamente insustentável. É como usar um canhão pra matar mosquito.
O Super Tucano foi projetado exatamente pra esse espaço. Ele voa por horas sobre uma região, consome uma fração do combustível de um jato, carrega bombas guiadas, metralhadoras e foguetes, e executa missões de patrulha, ataque leve e reconhecimento armado com precisão cirúrgica. Mais de 600 mil horas de voo acumuladas pela frota global, das quais 60 mil em operações reais de combate no Afeganistão, Colômbia, Nigéria e outros teatros de guerra.
O Tucano não compete com o Hornet. Ele complementa. Um faz o que o outro não pode fazer de forma eficiente. E essa complementaridade é exatamente o que a Southern Seas 2026 está testando.
O palco: a última missão do porta-aviões mais antigo do mundo
O USS Nimitz não é qualquer navio. Lançado em 1972, comissionado em 1975, ele é o porta-aviões nuclear mais antigo em operação no planeta. Participou da Operação Tempestade no Deserto, da Guerra do Iraque, do Afeganistão. Cruzou todos os oceanos. Serviu como base flutuante para mais de 4 mil pessoas durante cinco décadas.
A Southern Seas 2026 é a última grande missão operacional do Nimitz antes da aposentadoria. Depois dessa circunavegação da América do Sul, com paradas previstas no Brasil, Chile, Panamá e Jamaica, o porta-aviões seguirá para o estaleiro de Newport News para desativação, retirada do combustível nuclear e desmonte.
O Super Tucano da Embraer, portanto, voou sobre o convés de um navio que está encerrando meio século de história. O turboélice brasileiro faz parte do último capítulo de uma das maiores máquinas de guerra já construídas.
O que isso significa pra Embraer e pro Brasil
Cada vez que um Super Tucano aparece numa operação ao lado das forças armadas americanas, o valor da plataforma da Embraer sobe. Não é apenas prestígio. É argumento de venda.
A Embraer já entregou mais de 260 unidades do A-29 para 15 países. Em março de 2026, anunciou parceria com a Valkyrie Aero, empresa ligada ao Pentágono, para integrar inteligência artificial ao Tucano e transformá-lo em caçador de drones. Portugal encomendou 12 unidades da variante compatível com padrões da OTAN. O Uruguai fechou contrato de US$ 100 milhões por 6 aeronaves.
E agora, a foto de um Tucano voando sobre o USS Nimitz ao lado de um Super Hornet roda o mundo. Para um avião que nasceu num hangar em São José dos Campos, esse é o tipo de imagem que nenhuma campanha de marketing consegue comprar.
O turboélice mais vendido do planeta não precisa de motor a jato. Precisa de guerra moderna. E a guerra moderna, aparentemente, precisa dele.
Com informações do Stars and Stripes, Zona Militar e da US Navy.

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