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Suíça cavou um buraco do tamanho de dois campos de futebol para instalar a bateria subterrânea mais potente do planeta, capaz de liberar 1,2 GW em milissegundos, armazenar 2,1 GWh e custar até 5 bilhões de francos suíços

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 17/05/2026 às 20:09
Suíça constrói bateria subterrânea gigante capaz de liberar 1,2 GW em milissegundos e armazenar 2,1 GWh de energia.
Suíça constrói bateria subterrânea gigante capaz de liberar 1,2 GW em milissegundos e armazenar 2,1 GWh de energia.
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Projeto subterrâneo na Suíça aposta em armazenamento gigante de energia para estabilizar redes elétricas europeias com resposta em milissegundos, tecnologia de fluxo redox e capacidade equivalente à de uma usina nuclear. Estrutura bilionária será instalada em Laufenburg e integra um dos maiores centros energéticos planejados para o continente, em meio ao avanço da transição energética europeia.

No cantão suíço de Argóvia, a cidade de Laufenburg se transformou em palco de um dos projetos energéticos mais ambiciosos da Europa, com a construção de uma bateria subterrânea de fluxo redox projetada para alcançar 1,2 GW de potência e mais de 2,1 GWh de armazenamento.

Responsável pela obra, a FlexBase escavou um poço de aproximadamente 27 metros de profundidade e extensão superior à de dois campos de futebol, estrutura destinada a abrigar parte do sistema que deverá operar em conjunto com a rede elétrica europeia.

Além da bateria, o empreendimento inclui o futuro Laufenburg Technology Centre, complexo de 20 mil metros quadrados que reunirá armazenamento energético, data center voltado à inteligência artificial, escritórios corporativos e laboratórios em uma área considerada estratégica para o setor elétrico continental.

Bateria subterrânea na Suíça terá potência comparável à de usina nuclear

Suíça constrói bateria subterrânea gigante capaz de liberar 1,2 GW em milissegundos e armazenar 2,1 GWh de energia.
Suíça constrói bateria subterrânea gigante capaz de liberar 1,2 GW em milissegundos e armazenar 2,1 GWh de energia.

Projetada para responder em milissegundos, a instalação poderá absorver ou injetar eletricidade quase instantaneamente, característica considerada essencial para reduzir oscilações em redes cada vez mais dependentes de fontes renováveis, como energia solar e eólica.

De acordo com a FlexBase, a potência máxima prevista equivale à capacidade da usina nuclear de Leibstadt, também localizada em Argóvia, comparação usada pela empresa para demonstrar a dimensão energética que o sistema deverá alcançar após a conclusão das obras.

Na estimativa divulgada pela companhia, a capacidade total de armazenamento permitiria abastecer aproximadamente 210 mil residências durante 24 horas, cenário projetado para a fase final de operação da estrutura subterrânea.

Como funciona a tecnologia de bateria de fluxo redox

Diferentemente das baterias de íons de lítio, que armazenam energia em componentes sólidos, a tecnologia de fluxo redox usa eletrólitos líquidos mantidos em tanques e bombeados por células eletroquímicas.

Durante a carga, a eletricidade é convertida em energia química nos líquidos; na descarga, o processo se inverte e a energia volta à rede conforme a demanda.

A vantagem do sistema está na escalabilidade, já que ampliar a capacidade depende principalmente do volume dos tanques, enquanto a potência se relaciona ao tamanho dos módulos de conversão.

Laufenburg virou ponto estratégico para o sistema elétrico europeu

Laufenburg tem peso histórico na integração elétrica europeia por abrigar a chamada Estrela de Laufenburg, ponto associado à conexão de redes de diferentes países desde a segunda metade do século 20.

Suíça constrói bateria subterrânea gigante capaz de liberar 1,2 GW em milissegundos e armazenar 2,1 GWh de energia.
Suíça constrói bateria subterrânea gigante capaz de liberar 1,2 GW em milissegundos e armazenar 2,1 GWh de energia.

Essa posição ajuda a explicar a escolha do local para um projeto voltado não apenas ao mercado suíço, mas também à estabilidade de fluxos elétricos regionais.

A operadora Swissgrid planeja conectar o complexo à rede nacional de alta tensão, o que tornaria a instalação uma referência inédita para esse tipo de armazenamento no país.

Energia renovável aumenta demanda por armazenamento em larga escala

A expansão da energia solar e eólica aumenta a necessidade de sistemas capazes de guardar excedentes nos horários de alta geração e devolver eletricidade nos momentos de maior consumo.

Grandes baterias como a de Laufenburg podem oferecer serviços de rede, como controle de frequência e apoio à tensão, além de reduzir a necessidade de ajustes emergenciais por fontes mais poluentes.

No caso das baterias de fluxo redox, a FlexBase destaca o uso de eletrólitos aquosos, não inflamáveis e recicláveis, característica apresentada como diferencial frente a sistemas de lítio em instalações urbanas ou subterrâneas.

Projeto bilionário deve entrar em operação em 2029

A previsão divulgada pela FlexBase é colocar a bateria em operação em 2029, com financiamento privado e investimento estimado entre 1 bilhão e 5 bilhões de francos suíços.

O complexo também deve gerar cerca de 300 empregos e aproveitar calor residual do data center em uma rede de aquecimento distrital, com estimativa local de economia de 75 mil toneladas de CO₂ em 30 anos.

A proposta surge em um momento em que diferentes países europeus aceleram investimentos em infraestrutura energética capaz de compensar oscilações causadas pelo crescimento da produção renovável, especialmente após períodos de pressão sobre o abastecimento e aumento do custo da eletricidade no continente.

Nos últimos anos, sistemas de armazenamento passaram a ocupar posição estratégica no planejamento energético europeu porque permitem guardar excedentes produzidos por parques solares e eólicos, reduzindo desperdícios e aumentando a previsibilidade de fornecimento para consumidores e indústrias.

Além da capacidade de armazenamento, projetos como o de Laufenburg também chamam atenção pela velocidade de resposta à rede elétrica, fator considerado decisivo para evitar desequilíbrios repentinos causados por variações bruscas na geração ou no consumo energético.

Embora baterias de lítio continuem dominando setores como veículos elétricos e eletrônicos, especialistas do setor energético apontam que sistemas de fluxo redox vêm ganhando espaço em aplicações estacionárias de longa duração, principalmente em operações de grande escala.

Outro fator frequentemente citado pela indústria está relacionado à vida útil desse tipo de tecnologia, já que baterias de fluxo redox tendem a apresentar menor degradação em ciclos prolongados de carga e descarga quando comparadas a parte dos sistemas convencionais.

A escolha por uma estrutura subterrânea também foi apresentada pela FlexBase como alternativa para otimizar espaço urbano e integrar o projeto ao complexo tecnológico planejado para a região de Laufenburg, cidade historicamente ligada à interconexão elétrica europeia.

Dentro da estratégia anunciada pela empresa, o centro tecnológico deverá funcionar de forma integrada, reunindo armazenamento energético, processamento de dados e reaproveitamento térmico em um único ecossistema voltado à eficiência energética e à estabilidade operacional.

O avanço do empreendimento suíço acompanha uma tendência observada em diferentes mercados internacionais, onde operadores de rede e governos buscam alternativas capazes de reduzir a dependência de usinas termelétricas acionadas em momentos de emergência energética.

Ainda que o projeto esteja em fase de construção, a dimensão anunciada pela FlexBase já posiciona a futura instalação entre as maiores iniciativas de armazenamento energético subterrâneo divulgadas atualmente na Europa.

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Rodolfo Carlos
Rodolfo Carlos
24/05/2026 13:57

E o meio ambiente?

Oswaldo
Oswaldo
18/05/2026 19:15

Será que vai ser carregada com raios?

Edson Lau
Edson Lau
Em resposta a  Oswaldo
19/05/2026 00:52

Isso eu já pensava lá na 7ª Série, em 1982, quando fiz um trabalho de Ciências! Um armazenamento de Energia Elétrica, dos raios que se formam durante as chuvas! O Brasil é um dos países, que tem mais frequência de raios, por causa do grande território brasileiro! Único problema, era de como armazenar tanta Energia, que é despendido(que sai) de cada raio e como “largar” na rede! Mas para o Brasil, essa ideia é inviável financeiramente!

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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