No meio do deserto do Texas, 6.400 operários trabalham na construção de um complexo que consumirá 10 gigawatts de energia — mais do que países inteiros — para alimentar a inteligência artificial mais poderosa já planejada
Anunciado em janeiro de 2025 pela OpenAI em parceria com Oracle, SoftBank e o fundo MGX, o Projeto Stargate é a maior obra de infraestrutura em andamento no planeta.
O investimento total previsto é de US$ 500 bilhões até 2029.
Para colocar esse número em perspectiva: é mais do que o PIB anual de países como Colômbia, Filipinas ou Finlândia.
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E tudo isso para construir fábricas de chips de inteligência artificial no deserto.
O primeiro campus, em Abilene, Texas — 290 km a oeste de Dallas — já está operacional desde setembro de 2025.
Dentro dele, racks com milhares de chips Nvidia processam dados 24 horas por dia sobre infraestrutura Oracle Cloud.

São 6.400 trabalhadores por dia em um único canteiro — e já há 5 novos sites planejados
Segundo a CNBC, o campus de Abilene emprega mais de 6.400 trabalhadores da construção civil diariamente.
Cada site concluído gerará cerca de 1.700 empregos permanentes.
No total, os seis sites planejados devem criar mais de 25.000 empregos diretos — além de dezenas de milhares de empregos indiretos.
Além de Abilene, cinco novos locais já foram anunciados:
- Shackelford County, Texas — segundo campus no estado
- Milam County, Texas — terceiro no Texas
- Doña Ana County, Novo México — próximo à fronteira com o México
- Lordstown, Ohio — no cinturão industrial
- Um site no meio-oeste dos EUA, ainda não revelado
Portanto, o Texas sozinho concentra três dos seis campuses do projeto.
A razão é simples: energia barata, terreno disponível e incentivos fiscais generosos.
O projeto exigirá 10 gigawatts — mais energia do que países como Paraguai ou Jordânia consomem
Talvez o dado mais impressionante do Stargate não seja o dinheiro, mas a energia.
O projeto comprometeu-se com 10 gigawatts de capacidade energética.
Para comparação: 10 GW alimentam cerca de 7,5 milhões de residências americanas.
Além disso, é mais do que a capacidade instalada total de dezenas de países.
A demanda por energia dos data centers de IA está transformando o setor elétrico dos Estados Unidos.
Segundo a Texas Standard, o estado já enfrenta debates sobre como acomodar o consumo energético dos novos data centers sem prejudicar o fornecimento à população.
A energia renovável ultrapassou 109% da demanda global em 2025 — mas a IA pode reverter parte dessa conquista ao exigir fontes de energia de base contínua.

A corrida global pela infraestrutura de IA: quem constrói mais rápido leva a vantagem
O Stargate não é apenas um projeto de construção civil.
É uma aposta geopolítica.
Quem tiver a maior infraestrutura de computação dominará a próxima geração de inteligência artificial.
Os Estados Unidos lideram por enquanto — mas a China investe bilhões em seus próprios campuses de IA.
A diferença é que o Stargate concentra capital privado de empresas como OpenAI e SoftBank, enquanto o modelo chinês depende mais de investimento estatal.
Sam Altman, CEO da OpenAI, descreveu o projeto como “a infraestrutura mais importante de nossa geração”.
Contudo, críticos apontam que a concentração de tanto poder computacional em poucas mãos levanta questões sobre regulação e segurança.
Ainda assim, a construção avança mais rápido do que o previsto.
Segundo a OpenAI, o consórcio já comprometeu US$ 400 bilhões dos US$ 500 bilhões planejados — e está “no caminho claro” para atingir a meta total.
Cidades pequenas do Texas estão sendo transformadas pela chegada dos operários
Abilene tem cerca de 125 mil habitantes.
A chegada de 6.400 trabalhadores da construção — mais milhares de técnicos e engenheiros — está mudando a economia local.
Hotéis estão lotados. Restaurantes contratam. Aluguéis subiram.
O mesmo fenômeno aconteceu em cidades petroleiras do Texas durante os booms de fracking.
A diferença é que os robôs humanoides que a IA está criando podem, ironicamente, substituir parte desses mesmos trabalhadores no futuro.
Por enquanto, porém, são braços humanos que erguem a infraestrutura da inteligência artificial.

A maior obra do mundo em 2026 não é feita de concreto e aço — é feita de silício e fibra óptica
Historicamente, as maiores obras do mundo eram barragens, pontes, túneis e ferrovias.
Em 2026, a obra mais cara do planeta é uma rede de galpões climatizados cheios de chips.
US$ 500 bilhões superam o custo da Estação Espacial Internacional (US$ 150 bilhões), do Canal do Panamá expandido (US$ 5,5 bilhões) e da Ferrovia Transiberiana — combinados.
Dessa forma, o Stargate redefine o que significa “megaprojeto” no século 21.
A infraestrutura física ainda importa — mas agora ela serve a uma infraestrutura digital que pode ser ainda mais transformadora.
Será que daqui a 50 anos olharemos para o Stargate como olhamos hoje para a construção de Hoover Dam nos anos 1930?
Porém, há uma ressalva importante: projetos dessa escala historicamente enfrentam atrasos, estouros de orçamento e obstáculos regulatórios. Os US$ 500 bilhões prometidos ainda precisam se materializar — e a história da tecnologia está repleta de apostas bilionárias que nunca se concretizaram.

O plural de “campus” é “campi”. Foi assim que aprendi.
Você tem razão, Janio — “campi” é a forma plural correta de “campus” em português culto, herdada do latim. Vou corrigir. Obrigado pela observação.
Parabéns América. Sempre na vanguarda.
Deus salve a América
Como mandar currículo?
Sobre as vagas, Marreta — as contratações no Stargate são feitas pelas empresas envolvidas no canteiro de Abilene (Crusoe é a operadora principal, com Oracle, OpenAI e empreiteiras locais). As vagas costumam ser publicadas nos sites dessas empresas. O ponto crítico para brasileiros é o visto americano de trabalho (H-1B ou EB).
A escala mesmo impressiona, Flavio — 6.400 operários trabalhando em turnos contínuos para erguer um complexo de US$ 500 bilhões em poucos anos. É um benchmark de execução que vale a comparação com nossos próprios prazos de obra no Brasil.