Em Caracas e outras cidades da Venezuela, o quilo da carne virou termômetro do caos: entre setembro e outubro de 2025 chegou a US$ 13,80, depois saltou para US$ 16 em cartaz no Centro. Com inflação persistente e bolívar em queda, famílias migram para frango e ovos na rotina diária
Na Venezuela, o quilo da carne bovina deixou de ser referência de feira e virou símbolo de exclusão. Entre setembro e outubro de 2025, o preço chegou a US$ 13,80, enquanto a desvalorização do bolívar e a inflação mantiveram a pressão sobre salários e sobre o consumo dentro do país.
Em Caracas, capital da Venezuela, a escalada ficou ainda mais visível após um choque político associado à retirada de Nicolás Maduro do poder por forças dos Estados Unidos. No Centro de Caracas, um açougue chegou a exibir US$ 16 por quilo da carne para bife, num cenário em que frango e ovos passaram a ocupar o lugar do boi na mesa.
Quanto custou o quilo da carne e por que ficou proibitivo
O quilo da carne bovina alcançou US$ 13,80 entre setembro e outubro de 2025 na Venezuela, um nível descrito como incompatível com o orçamento da maior parte das famílias.
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A leitura local é que o salto não veio de um único fator, mas de uma combinação: inflação persistente e desvalorização do bolívar.
Mesmo quando o preço em dólar pareceu menos agressivo, o peso real aumentou dentro do país.
No primeiro trimestre de 2025, cortes foram vendidos entre US$ 8,80 e US$ 9 o quilo, mas o preço em bolívares continuava subindo diariamente, ampliando a sensação de perda contínua.
Bolívares subindo todo dia e a desvalorização que empurra a conta
No mesmo primeiro trimestre de 2025, a moeda venezuelana desvalorizou 24,6% frente ao dólar, o que elevou o custo da compra para quem recebe e paga em bolívares.
Na prática, o quilo da carne pode até parecer estável para quem olha só o valor em dólar, mas fica mais distante para quem vive o dia a dia na Venezuela.
Esse descompasso ajuda a explicar por que a crise aparece no balcão antes de aparecer em estatísticas.
O consumidor sente o preço “andar” na etiqueta e reage reduzindo volume, trocando cortes ou simplesmente deixando de comprar.
Açougues esvaziam, consumo despenca e frango substitui boi
Desde junho de 2025, com o avanço do preço da carne de boi, estabelecimentos relataram queda na procura.
Com menos compradores, o mercado se reorganizou por necessidade: frango e ovos viraram alternativas mais acessíveis, e o boi passou a ser tratado como compra rara.
Do lado dos açougues, a resposta foi defensiva.
Donos relataram que reduziram pedidos aos fornecedores para evitar perdas, num ciclo em que o estoque encolhe porque a demanda encolhe, e a vitrine reflete um consumo em retração.
Caracas após o choque político e o salto para US$ 16
Em Caracas, a pressão sobre alimentos e itens básicos aumentou após a intervenção militar dos Estados Unidos e a retirada de Nicolás Maduro do poder, conforme descrito no relato.
Nesse contexto, no Centro de Caracas, um cartaz de açougue anunciou US$ 16 por quilo da carne para bife, levando a crise do macro para o cotidiano.
Uma professora de dança de Caracas resumiu o impacto na vida real ao dizer que não consegue comprar alimentos com o benefício que recebe e precisa pedir ajuda a amigos.
No relato, ela compara o antes e o depois: uma caixa grande de ovos custava US$ 6 e passou a US$ 8, reforçando a sensação de que, quando tudo sobe, a proteína mais cara vira luxo primeiro.
Na Venezuela, o quilo da carne virou marcador de ruptura: de um lado, inflação e bolívar em queda encurtam o orçamento; de outro, o consumo migra para frango e ovos, enquanto açougues reduzem pedidos para não perder mercadoria.
Em Caracas, a cifra de US$ 16 no balcão cristaliza o ponto em que a proteína básica deixa de ser básica.
Na sua cidade, se o quilo da carne chegasse nesse nível, qual seria a primeira troca que você faria na alimentação para conseguir manter proteína no prato?

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