Proposta da ANP para flexibilizar venda de botijões de gás preocupa população e especialistas. Segurança do gás de cozinha em risco.
A proposta de alteração no modelo de distribuição do gás de cozinha (GLP) no Brasil acende alertas sobre segurança, fraudes e domínio pelo crime organizado.
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) quer permitir que os botijões de gás sejam vendidos por mais agentes, além das distribuidoras tradicionais, e até de forma fracionada, o que representa uma mudança significativa em relação à atual legislação que exige enchimento mínimo de 13 kg de GLP.
“A medida pode colocar em risco a segurança de milhares de lares no país”, alerta Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás. O temor é que a flexibilização abra espaço para irregularidades e aumente os riscos de acidentes domésticos envolvendo botijões de gás.
-
A 404 km da costa do Rio de Janeiro, uma empresa petroleira desceu 5.855 metros no oceano e encontrou a maior reserva de petróleo e gás descoberta em um quarto de século
-
Vaca Muerta pode abastecer com gás Brasil, Chile, Uruguai, Bolívia e Argentina por até 124 anos, mas quer mais de US$ 10 bilhões em obras para fazer o gás circular
-
Criminosos escavam túnel secreto para perfurar oleoduto da Petrobras, furtam 100 mil litros de combustível e colocam milhares de pessoas sob risco de explosão no Distrito Federal
-
Petróleo dispara novamente após ataques e impasse entre EUA e Irã aumentarem tensão global
Brasil: Um dos maiores mercados de gás de cozinha do mundo
Em 2024, o país utilizou mais de 400 milhões de botijões de gás, correspondendo a 7,6 milhões de toneladas de GLP, abastecendo 91% das famílias brasileiras. Esses números colocam o Brasil como o sétimo maior mercado mundial de gás de cozinha para residências e o 11º em consumo global.
O modelo atual, segundo a ANP, garante rastreabilidade e segurança: cada botijão de gás é requalificado, recebe assistência técnica e possui a marca da distribuidora gravada em alto-relevo.
“Cada distribuidora só pode comercializar sua própria marca, o que facilita a fiscalização e evita adulterações”, explica a agência.
Flexibilização: Qual é o perigo?
A nova proposta da ANP permite que distribuidoras vendam botijões de gás de qualquer marca, o que preocupa especialistas.
Estima-se que mais de 80 milhões de botijões de gás em circulação são antigos, fabricados antes de 2005, sem número de série ou rastreabilidade.
Além disso, a venda fracionada do gás de cozinha poderia facilitar fraudes, adulterações e até a atuação do crime organizado, segundo o Sindigás.
“A confiança do consumidor na marca e na qualidade do botijão de gás é essencial para a segurança doméstica”, reforça Bandeira de Mello.
A opinião da população
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada com 1,5 mil pessoas em todo o país entre 5 e 9 de junho, revelou que 94% dos brasileiros são contra a flexibilização do gás de cozinha, priorizando a segurança acima do preço.
Segundo o levantamento:
97% acreditam que a marca garante qualidade;
93% enxergam risco de adulteração no fracionamento;
83% defendem que as regras atuais não devem mudar.
O estudo evidencia que a população teme comprar botijões de gás sem padrão de pesagem ou procedência confiável, evidenciando a importância de manter a regulação atual.

Seja o primeiro a reagir!