Plataforma terá propulsão própria, dois cascos semissubmersíveis e entrega prevista para junho de 2030, com projeto voltado a longas permanências em alto-mar
A China contratou a construção de uma plataforma científica que combina a mobilidade de uma embarcação com a estrutura de uma base de pesquisa oceânica. Segundo reportagem do The Maritime Executive publicada em 23 de outubro de 2026, a chamada “ilha flutuante” custará aproximadamente US$ 413 milhões e deverá operar sob responsabilidade da Universidade Jiao Tong de Xangai.
O contrato com o estaleiro Shanghai Waigaoqiao foi assinado em 18 de outubro, conforme anúncio da própria universidade. O projeto prevê instalações para estudar equipamentos marítimos, fenômenos meteorológicos e ecossistemas durante períodos prolongados no oceano.
Apesar do nome, a estrutura será uma plataforma naval com propulsão própria. Assim, poderá mudar de posição entre áreas de pesquisa, em vez de permanecer fixada em um único local.
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Estrutura terá dimensões de um grande complexo offshore
O projeto prevê 138 metros de comprimento e 85 metros de largura. O deslocamento máximo será de aproximadamente 74 mil toneladas, enquanto a velocidade de projeto chegará a 11 nós, equivalentes a cerca de 20 km/h.
A configuração utiliza dois cascos em uma estrutura semissubmersível. Essa escolha integra a proposta de combinar estabilidade durante os trabalhos científicos com capacidade de deslocamento.
Para os pesquisadores, conciliar essas características é importante. Uma base de observação precisa oferecer condições adequadas ao uso de instrumentos, mas também deve alcançar diferentes regiões conforme as necessidades das campanhas.
Dessa forma, o conceito procura reunir funções normalmente associadas a navios de pesquisa e instalações offshore de longa permanência.
Seis laboratórios vão apoiar estudos e ensaios marítimos
Segundo a Universidade Jiao Tong, a instalação terá seis laboratórios embarcados e um centro de apoio às operações no mar.
As atividades incluem pesquisas sobre equipamentos pesados e sistemas oceânicos, observação de fenômenos meteorológicos perigosos e acompanhamento prolongado de ecossistemas. A capacidade total será de 238 pessoas, entre tripulantes e pesquisadores.
A permanência no local pode favorecer estudos que exigem medições ao longo do tempo. Em pesquisas ambientais, por exemplo, acompanhar mudanças sucessivas ajuda a compreender processos que uma coleta isolada pode não revelar.
Além disso, reunir equipes e instrumentos na mesma estrutura permite organizar diferentes frentes de trabalho durante uma campanha. O aproveitamento dessa infraestrutura dependerá do planejamento científico e das condições operacionais de cada missão.
Projeto distingue operação em mar agitado de sobrevivência a tufões
A universidade informa que a plataforma poderá trabalhar em estado de mar 7. Também estabelece como requisito de projeto a sobrevivência a condições de tufão com ventos de força 17 na escala utilizada no anúncio.
Esses parâmetros descrevem situações diferentes. A condição de sobrevivência corresponde à proteção da estrutura e das pessoas em um evento extremo, sem significar que todos os experimentos continuarão durante a tempestade.
Por isso, os limites de cada atividade precisarão acompanhar procedimentos de segurança e características dos equipamentos. Mesmo uma instalação de grande porte depende de decisões operacionais diante das condições do oceano.
Bases em terra darão suporte às campanhas
O empreendimento inclui instalações de apoio em Changxing, em Xangai, e em Sanya, na província de Hainan. Elas deverão atender às necessidades de manutenção, operação e comando.
Essa estrutura em terra complementa os laboratórios embarcados. Afinal, campanhas prolongadas exigem abastecimento, preparação de equipes, manutenção de instrumentos e organização dos dados coletados.
Nesse contexto, a tecnologia a bordo representa apenas uma parte do funcionamento da base científica.
Construção está prevista para começar em 2028
O cronograma informado pelo The Maritime Executive prevê início da construção em 2028 e entrega em junho de 2030.
O contrato marca, portanto, uma etapa dos investimentos necessários para transformar o conceito em instalação operacional. Até lá, engenharia, construção e testes deverão demonstrar como a plataforma reunirá mobilidade, estabilidade e capacidade científica em alto-mar.
