Falta de petróleo vinda da Venezuela paralisa Cuba, derruba serviços básicos e coloca o país no centro de uma nova disputa entre Estados Unidos, Rússia e China.
O petróleo virou o estopim de uma das maiores crises já enfrentadas por Cuba. Em poucos dias, a ilha passou de um cenário difícil para uma situação descrita por analistas como insustentável.
A interrupção do fornecimento venezuelano, após ações dos Estados Unidos na região, provocou um apagão em quase todos os setores do país.
Sem combustível, tudo parou. Luz, transporte, turismo, trabalho e até aulas desapareceram do cotidiano dos cubanos.
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Sem petróleo, a vida em Cuba entra em colapso
A dependência do petróleo da Venezuela era uma das últimas âncoras da economia cubana. Parte desse combustível era usado no próprio país. Outra parte era revendida para gerar moeda forte.
Agora, sem esse fluxo, o pouco que ainda funcionava deixou de existir. Em muitas regiões, a energia elétrica dura apenas uma hora por dia. Em alguns lugares, nem isso.
Ônibus não circulam. Carros particulares estão parados. Aviões deixaram de voar. Sem querosene, aeroportos ficaram praticamente vazios.
Com isso, o turismo, uma das principais fontes de dólares, foi interrompido. Até hotéis de luxo para estrangeiros já enfrentam apagões.
A crise do petróleo atingiu até espaços simbólicos. O Teatro Karl Marx, em Havana, anunciou a suspensão de suas atividades por falta de energia.
Ironicamente, o local era conhecido por espetáculos de humor. Muitos deles ironizavam o próprio regime. Um dos temas mais comuns era o lixo espalhado pelas ruas.
Um comediante chegou a dizer: “quando as pessoas começam a falar de lixo, a internet não funciona”. A frase virou símbolo da censura e do controle estatal.
Agora, nem a internet funciona direito.
Funcionários públicos sem trabalho e sem salário
Com prédios sem energia, servidores públicos estão sendo dispensados. Não há sequer como fingir que trabalham.
Além disso, cresce o medo de que os salários, já baixos, deixem de ser pagos. A máquina estatal, que sustentava o regime, está travando.
A propaganda oficial sempre falou de serviços públicos fortes. Porém, no dia a dia, eles simplesmente sumiram.
Diante do colapso, Vladimir Putin afirmou que cogita enviar petroleiros para Cuba. A medida, se confirmada, colocaria a ilha novamente no centro de uma tensão entre Moscou e Washington, algo que lembra a crise dos mísseis de 1962.
No entanto, poucos acreditam que a Rússia queira realmente comprar essa briga.
A China declarou que “apoia firmemente Cuba na salvaguarda de sua soberania e segurança nacionais”. Mas apoiar com palavras é uma coisa. Enfrentar os Estados Unidos por causa de Cuba é outra.
O México vive uma situação ainda mais delicada. O país tem laços históricos com Havana, mas também depende da relação com Washington. A presidente Claudia Sheinbaum caminha em terreno instável.
EUA também temem explosão humanitária
O governo dos Estados Unidos não deseja uma onda de cubanos desesperados tentando fugir em barcos improvisados, como ocorreu no passado.
O regime especial de acolhimento de cubanos acabou. Mesmo assim, uma crise humanitária na ilha colocaria pressão política sobre Washington.
Ao mesmo tempo, os americanos não querem que os cubanos apareçam como vítimas do boicote ao petróleo, o que daria força ao discurso da esquerda internacional.
Trump quer acordo, mas regime cubano resiste
Donald Trump já disse que quer um acordo. Porém, o sistema cubano de partido único dificulta qualquer concessão sem derrubar toda a estrutura.
Miguel Díaz-Canel é visto como um linha-dura. Não tem o poder dos irmãos Castro, mas representa a rigidez do regime.
Nos bastidores, o modelo usado na Venezuela chama atenção. Lá, figuras do governo continuam no cargo, mas seguem orientações dos EUA.
Marco Rubio, secretário de Estado americano, estaria pronto para repetir o roteiro em Cuba.
Você acha que Cuba tem forças para continuar resistindo ou vai acabar cedendo ao governo estadunidense?


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