Uma reportagem do South China Morning Post mostra o boom de compradores estrangeiros atrás das casas baratas no Japão, as chamadas akiya: imóveis vazios que o mercado japonês descartou e que o país acumula aos 9 milhões. Agentes como Stephen Wong e Parker Allen guiam os estrangeiros, mas alertam que a reforma cara pode transformar a pechincha em cilada. O vídeo foi publicado em 5 de julho de 2026.
Existe um país onde uma casa pode custar menos que um carro usado. Esse país é o Japão, e as casas baratas no Japão viraram objeto de desejo de estrangeiros do mundo todo, como mostrou a reportagem do South China Morning Post. São as akiya, casas que o próprio mercado japonês abandonou por considerá-las velhas ou remotas demais.
O fenômeno já preocupa e fascina especialistas. Segundo a CNBC, o Japão tem cerca de 9 milhões de imóveis vazios, e o interesse de compradores estrangeiros por essas casas baratas no Japão cresceu tanto que já existem imobiliárias dedicadas só a esse público, ainda que os riscos da reforma cara sejam grandes.
O número de casas abandonadas é assustador. As akiya representam quase 14% de todo o estoque de moradias do país, um recorde histórico que reflete o envelhecimento e o esvaziamento do interior do Japão, onde sobram imóveis vazios e faltam moradores.
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A seguir, veja o que são as akiya, por que existem tantas casas baratas no Japão, quanto elas custam, quem são os compradores estrangeiros por trás do boom, por que a reforma cara pode virar uma armadilha e o que tudo isso tem a ver com o Brasil.
O que são as “akiya”, os imóveis vazios que sobram no Japão
O termo japonês akiya significa, literalmente, casa vazia. São residências desocupadas, muitas vezes abandonadas há anos, que se espalham pelo interior e até pelas cidades do país, formando o gigantesco estoque de imóveis vazios que caracteriza as casas baratas no Japão.
O tamanho do problema impressiona. O Japão contabiliza cerca de 9 milhões de akiya, o equivalente a quase 14% de todas as moradias do país, um recorde que transforma esses imóveis vazios em um fenômeno social e econômico difícil de ignorar.
A distribuição é desigual. Algumas províncias rurais têm mais de 20% das casas vazias, enquanto até Tóquio, apesar de continuar crescendo, acumula centenas de milhares de akiya, mostrando que as casas baratas no Japão existem tanto no campo quanto na periferia das grandes cidades.
Muitas dessas casas simplesmente pararam no tempo. Herdadas por parentes que já moram longe, essas akiya ficam trancadas, sem uso e sem manutenção, engrossando a conta dos imóveis vazios que o país não consegue vender nem alugar para o mercado local.
O resultado é um paradoxo. Num mundo onde moradia é cara, o Japão tem milhões de casas baratas no Japão encalhadas, e é justamente esse excesso de imóveis vazios que abriu a porta para os compradores estrangeiros enxergarem ali uma oportunidade.
De centenária a “nova”: a casa que o estrangeiro reforma

Nem toda akiya é uma ruína sem futuro. Na reportagem, um agente mostra uma kyomachiya, casa tradicional de comerciante de Kyoto com mais de um século de idade, completamente reformada e transformada em um lar moderno, prova de que as casas baratas no Japão podem renascer.
O contraste é enorme. Por fora, essas casas guardam a arquitetura tradicional japonesa, com madeira, telhas e detalhes centenários; por dentro, depois da reforma, viram residências confortáveis, o tipo de resgate que encanta os compradores estrangeiros dispostos a investir nos imóveis vazios.
É esse charme que move o mercado. Para muitos estrangeiros, comprar uma akiya e devolvê-la à vida é mais do que um negócio: é a chance de viver em uma casa histórica por um preço que seria impensável em seus países, mesmo somando o custo da reforma cara.
Mas há um recado importante nessa história. Deixar uma dessas casas baratas no Japão habitável e bonita exige tempo, dinheiro e conhecimento, e é aí que a conta que parecia uma pechincha começa a crescer para quem encara os imóveis vazios.
O agente que aparece no vídeo é especializado justamente nisso. Ele ajuda compradores estrangeiros a encontrar e restaurar essas casas, unindo a paixão pela arquitetura japonesa ao trabalho pesado de transformar uma akiya empoeirada em uma moradia digna de foto.
Por que os japoneses abandonam essas casas
A pergunta é inevitável: por que sobram tantas casas baratas no Japão? A primeira resposta está na demografia. O Japão perde população há anos, com quedas recordes, e cada vez menos gente disputa as moradias, o que multiplica os imóveis vazios pelo país.
O êxodo rural agrava tudo. Os jovens migram para as grandes cidades em busca de emprego, deixando para trás as casas da família no interior, que viram akiya sem que ninguém queira assumir a manutenção ou os custos dessas casas baratas no Japão.
Há também uma lógica financeira peculiar. No Japão, as casas de madeira depreciam como carros: perdem valor com a idade e, por volta dos 22 anos, o valor de mercado para o comprador local tende a zero, o que empurra ainda mais imóveis vazios para o limbo.
A herança complica o cenário. Muitas akiya ficam com posse indefinida, divididas entre herdeiros que não se entendem ou que sequer sabem que são donos, e essa confusão legal congela boa parte das casas baratas no Japão fora do mercado.
Por fim, pesa a cultura do novo. No Japão, é comum demolir a casa velha e construir outra em vez de reformar, o que reduz o valor dos imóveis antigos e ajuda a explicar por que tantos compradores estrangeiros conseguem esses imóveis vazios por tão pouco.
De graça a US$ 3.500: os preços que viralizam

Os valores é que fazem os vídeos viralizarem. A internet se encantou com as casas baratas no Japão: aparecem akiya anunciadas por US$ 3.500, e até casas oferecidas de graça em cidades que tentam desesperadamente atrair novos moradores para ocupar seus imóveis vazios.
A faixa de preço impressiona. Muitas dessas casas custam de nada a cerca de 1 milhão de ienes, algo em torno de alguns milhares de dólares, e boa parte das listagens fica abaixo de dez mil dólares, tornando as casas baratas no Japão um fenômeno de internet e não só de mercado.
Cidades inteiras entraram na dança. Municípios que encolhem oferecem akiya por valores simbólicos ou de graça para quem se comprometer a morar e reformar, numa tentativa de reverter o esvaziamento e dar uso aos imóveis vazios antes que virem ruína.
Mas o preço de etiqueta engana. Como alertam os especialistas, o valor baixo dessas casas baratas no Japão é só o começo da conta, e quem se empolga com a pechincha esquece que a reforma cara costuma custar muito mais do que a própria compra.
No fim, o barato pode sair caro. É por isso que os compradores estrangeiros mais experientes tratam o preço da akiya apenas como entrada de um projeto bem maior, no qual os imóveis vazios só valem a pena com planejamento.
Quem são os estrangeiros que compram akiya
Por trás do boom há agentes especializados. Stephen Wong, fundador de uma imobiliária voltada a estrangeiros, ajuda clientes de fora a encontrar e reformar casas baratas no Japão, mostrando akiya centenárias transformadas em lares modernos para compradores estrangeiros.
Outro nome de destaque é Parker Allen. Cofundador de uma consultoria imobiliária sediada em Ogawamachi, na província de Saitama, ele opera de um prédio que já foi uma escola e afirma que a maioria de seus clientes hoje vem do exterior, atraída pelos imóveis vazios do país.
O perfil dos compradores mudou. Se antes as akiya interessavam a poucos japoneses, agora são os compradores estrangeiros que lideram a procura, movidos pelo iene fraco, pelo trabalho remoto e pelo sonho de ter uma casa no Japão por uma fração do preço.
Esses agentes fazem a ponte cultural e burocrática. Além de achar as casas baratas no Japão, eles ajudam o estrangeiro a entender o processo de compra, os documentos e os riscos, papel essencial num mercado de imóveis vazios cheio de detalhes que o comprador de fora desconhece.
O interesse também revela uma nova geografia do desejo. Enquanto o japonês foge do interior, o estrangeiro corre para lá, e é essa inversão que sustenta o mercado das akiya, com compradores estrangeiros enxergando charme onde o mercado local via só reforma cara e abandono.
A armadilha: a reforma cara e o imposto que pode sextuplicar
Aqui mora o maior perigo do negócio. O preço baixo das casas baratas no Japão costuma vir acompanhado de uma reforma cara, que pode custar de 20 a 50 milhões de ienes ou mais, transformando uma akiya de “quase de graça” em um projeto de centenas de milhares de dólares.
O motivo é simples. Muitas dessas casas estão degradadas, com telhado ruim, estrutura comprometida e instalações antigas, e deixá-las habitáveis exige reformar quase tudo, o que faz a conta dos imóveis vazios disparar bem além do valor de compra.
Há ainda o fantasma dos terremotos. Boa parte das akiya foi construída antes de 1981 e não atende ao código sísmico moderno, o que obriga a caros reforços estruturais para tornar as casas baratas no Japão seguras, mais um item que engorda a reforma cara.
E existe uma armadilha tributária. Desde regras recentes, uma casa vazia e mal conservada pode perder benefícios fiscais e ter o imposto sobre o imóvel multiplicado por até seis vezes, uma cilada silenciosa para os compradores estrangeiros que deixam a akiya parada sem cuidar dela.
Para quem mora fora, o risco é maior. Todos os avisos e cobranças chegam por carta em japonês, e o comprador estrangeiro que não lê o idioma pode perder prazos, acumular multas e ver a suposta pechincha das casas baratas no Japão virar dor de cabeça e prejuízo.
Comprar uma casa no Japão dá visto?
É uma das maiores confusões sobre o tema. Muita gente imagina que adquirir uma das casas baratas no Japão garante o direito de morar no país, mas isso é um mito: comprar um imóvel, mesmo uma akiya, não concede visto nem residência ao comprador estrangeiro.
A compra em si é liberada. Estrangeiros podem comprar imóveis vazios no Japão sem restrição de nacionalidade, inclusive com visto de turista e sem morar no país, o que facilita o acesso às casas baratas no Japão, mas não muda a situação migratória de ninguém.
O que muda é a burocracia. O dono estrangeiro precisa nomear um representante para questões fiscais e um contato local, e novas regras exigem declarar a cidadania no registro e informar o uso do imóvel, exigências que tornam a posse das akiya mais controlada.
Por isso, o sonho pede realismo. Ter uma akiya pode ser uma segunda casa de férias ou um investimento afetivo, mas quem imagina que os imóveis vazios do Japão são um atalho para emigrar se decepciona, já que a reforma cara e a burocracia continuam de pé.
No fim, o recado dos especialistas é claro. As casas baratas no Japão são reais e podem valer a pena, mas exigem estudo, dinheiro para a reforma cara e paciência com a burocracia, sem as fantasias que os vídeos virais costumam vender aos compradores estrangeiros.
O que as casas baratas no Japão têm a ver com o Brasil
O tema mexe com o imaginário do brasileiro. Quem vê um vídeo de casa por US$ 3.500 sonha em fazer o mesmo, e as casas baratas no Japão funcionam como um espelho para quem, no Brasil, se endivida por décadas para comprar um imóvel que só valoriza.
O contraste econômico é didático. Enquanto no Brasil a casa tende a subir de preço, no Japão ela deprecia como carro e perde valor com o tempo, o que ajuda a entender por que sobram tantas akiya e por que os compradores estrangeiros conseguem esses imóveis vazios por quase nada.
Há também uma lição sobre demografia. O envelhecimento e o esvaziamento do interior que criaram as casas baratas no Japão já aparecem em cidades pequenas do Brasil, onde imóveis fecham e a população migra, um alerta sobre o futuro de regiões que perdem gente.
Por fim, fica o aviso contra a ilusão. Para o brasileiro nômade digital ou aposentado tentado pela pechincha, as akiya ensinam que o preço baixo esconde a reforma cara, os impostos e a burocracia, e que imóveis vazios num país estrangeiro exigem muito mais do que empolgação.
O caso das casas baratas no Japão mostra como o excesso de moradia pode virar oportunidade e cilada ao mesmo tempo. Com 9 milhões de imóveis vazios, o país atrai compradores estrangeiros encantados com akiya de preço simbólico, mas que precisam encarar a realidade da reforma cara.
Mais do que a pechincha, o que importa é o projeto por trás. Comprar uma akiya só compensa para quem entende que o valor baixo é o começo, e não o fim, de um investimento que envolve reforma, impostos e paciência com a burocracia do Japão.
E você, toparia comprar uma dessas casas baratas no Japão por quase nada, sabendo que a reforma cara pode custar muito mais do que a casa, ou acha que a pechincha das akiya é boa demais para ser verdade? Conta nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem sonha em morar fora.

