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Seca no norte da Bahia obriga agricultores familiares a investir em irrigação cara e buscar microcrédito do Banco do Nordeste; com juros altos e inadimplência de 6,5%, a dívida vira ameaça na lavoura

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Escrito por Carla Teles Publicado em 03/04/2026 às 17:50
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Juros altos pressionam a irrigação com crédito rural. Banco do Nordeste amplia acesso, mas inadimplência ameaça a lavoura no norte da Bahia.
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Com produtividade em queda, o Banco do Nordeste amplia crédito rural para irrigação, mas juros altos elevam inadimplência e pressionam agricultores familiares

A seca no norte da Bahia tem mudado a rotina do campo e colocado os agricultores familiares diante de uma escolha difícil: investir em irrigação para não perder a produção ou aceitar o risco de uma dívida que cresce com juros altos. Em regiões onde o período de chuva é curto, a água deixa de ser só um desafio e vira o fator que decide se a lavoura vai de pé ou não.

Com equipamentos que custam milhares de reais, o microcrédito aparece como a saída mais acessível, especialmente por meio de programas do Banco do Nordeste voltados a produtores de baixa renda. O problema é que, quando a conta chega, juros altos e prazos apertados podem empurrar o pequeno produtor para o limite, justamente num cenário em que a inadimplência no crédito rural bateu recorde e fechou em 6,5% no ano passado.

Seca no norte da Bahia muda o campo e derruba a produtividade

A escassez de chuvas vem alterando o cotidiano dos trabalhadores rurais e reduzindo a produtividade em várias áreas.

Para quem depende do solo para viver, a falta de água não é um detalhe do clima, é um freio direto na renda. Em muitas localidades, produzir sem algum tipo de estrutura hídrica passou a ser praticamente impossível.

Irrigação deixa de ser opção e vira item indispensável

Com a chuva cada vez menos previsível, os sistemas de irrigação se tornam fundamentais para manter a plantação.

Só que essa solução pesa no bolso: tubulações, fitas, redes e equipamentos exigem investimento alto, fora da realidade de quem trabalha em pequena escala.

É nesse ponto que a irrigação, mesmo sendo o caminho para salvar a lavoura, vira também o início de uma nova preocupação financeira.

Microcrédito do Banco do Nordeste vira a saída para o agricultor familiar

Diante do custo elevado, muitos produtores recorrem ao crédito para modernizar ou ampliar o sistema de irrigação. Em Jacobina, por exemplo, um agricultor com cultivos como amendoim e milho buscou financiamento para levar água à plantação que vinha sofrendo com a escassez de chuvas.

A expectativa é usar o período das festas juninas, descrito como a melhor época do ano para faturar, para cobrir o empréstimo.

O Banco do Nordeste conta com programa voltado ao microcrédito rural, destinado especialmente a agricultores familiares de baixa renda.

No ano passado, o programa concedeu 2,2 bilhões de reais em crédito somente na Bahia, e 275 milhões desse total foram destinados a obras de irrigação. Na prática, o crédito vira o empurrão que permite continuar produzindo.

Quando o empréstimo vira risco: juros altos e inadimplência de 6,5%

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A mesma ferramenta que ajuda a manter a produção pode virar ameaça quando os custos financeiros sobem. O texto da reportagem é direto: enquanto o empréstimo é herói, a dívida pode ser vilã, especialmente em um cenário de juros altos que dificulta a quitação.

Esse aperto aparece no dado mais sensível: a inadimplência no crédito rural bateu recorde no ano passado e chegou a 6,5%.

Para o pequeno produtor, a situação tende a ser ainda mais delicada, porque há menos margem de manobra e menos caixa do que no agronegócio. Com juros altos, qualquer quebra de safra vira uma bola de neve.

No campo, a conta não é só financeira, é emocional

Em Seabra, na Chapada Diamantina, uma agricultora que cultiva morango há 11 anos relata a preocupação com o pagamento.

Ela pegou empréstimo para reforma de açudes e outras obras de irrigação, mas vê a produção oscilar e teme não conseguir cumprir o combinado. Quando a produção não responde, o medo de ficar devendo cresce junto com os juros altos.

O que especialistas apontam para evitar que juros altos asfixiem o produtor

Para especialistas citados na reportagem, o caminho passa por crédito com condições mais alinhadas à realidade agrícola: prazo e carência adequados, além de regras atreladas ao ciclo de produção.

A avaliação é que também é preciso encontrar formas de contornar o alto patamar de juros altos e permitir taxas mais baixas ao pequeno produtor, porque a dinâmica do campo não obedece ao relógio curto da dívida.

Agroamigo e o financiamento de estruturas hídricas no semiárido

Quem indica possíveis caminhos é o superintendente de microfinança rural do Banco do Nordeste, responsável pelo programa Agroamigo, que tem inadimplência de 2,2%.

A fala destaca uma realidade estrutural do Nordeste: mais de 60% da área está no semiárido e a precipitação é menor que 600 mm por ano, o que torna essencial armazenar água.

Nesse contexto, o crédito é direcionado para financiar estruturas hídricas como poços e cisternas, permitindo armazenar água, fazer pequenas irrigações e até atender animais no período de estiagem. A lógica é simples: sem água armazenada, não há produção e, com juros altos, não há fôlego para errar.

Entre o potencial do Nordeste e o peso dos juros altos

O Nordeste conta hoje com quase 2 milhões de pequenos produtores. A região tem potencial, mas também enfrenta o desafio diário de garantir água e recursos para transformar esse potencial em renda.

Quando o financiamento chega no momento certo, ele viabiliza a irrigação e sustenta o trabalho, que também gera emprego e renda na comunidade. Mas quando a conta fica pesada, juros altos podem transformar o crédito em uma ameaça silenciosa dentro da lavoura.

No fim, o que está em jogo é equilíbrio: crédito que ajude a produzir sem empurrar o agricultor para a inadimplência. Porque no campo, uma safra ruim não vira só prejuízo, vira atraso, ansiedade e risco de perder o que foi construído com anos de trabalho.

Você já viu de perto alguém no campo travado por juros altos, mesmo tentando investir para produzir mais?

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Carla Teles

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