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São Paulo esconde debaixo do asfalto uma obra de R$ 1,1 bilhão com 44,6 km de cabos subterrâneos, energia de Itaipu e uma missão silenciosa: reforçar o ABC paulista

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 09/06/2026 às 00:56
Vista aérea de torres de transmissão de energia próximas a reservatórios e áreas de mata em São Paulo, parte da infraestrutura associada ao Projeto Riacho Grande.
Estruturas de transmissão de energia integradas ao Projeto Riacho Grande ampliam a segurança elétrica entre a capital paulista e o ABC.
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Projeto Riacho Grande amplia a segurança elétrica em São Paulo e passa a atender mais de 2 milhões de pessoas em uma das regiões de maior consumo do país

Maior linha de transmissão subterrânea do Brasil, o Projeto Riacho Grande entrou em operação no fim de março, no estado de São Paulo, com 44,6 km de extensão e investimento superior a R$ 1,1 bilhão. Desenvolvida pela ISA Energia Brasil, a estrutura foi energizada cinco meses antes do prazo previsto pela ANEEL, segundo informações da própria empresa e da agência reguladora.

A obra passou a conectar a capital paulista à região do ABC paulista, área marcada por alta demanda de energia, forte presença industrial e grande concentração urbana. Além disso, a infraestrutura combina linhas subterrâneas e aéreas em 345 kV, inclui 9 km de trechos aéreos e reforça a capacidade de atendimento em uma das regiões mais pressionadas do sistema elétrico nacional.

Projeto bilionário amplia transmissão em área estratégica de São Paulo

Com escala inédita no segmento subterrâneo, o Projeto Riacho Grande se destaca por unir alta tensão, obras urbanas complexas e reforço direto ao abastecimento energético. Embora o Brasil já tenha outras linhas subterrâneas em operação, nenhuma alcança a dimensão desse empreendimento.

A nova configuração permite que a energia proveniente da Usina de Itaipu atenda diretamente o ABC e parte da capital paulista. Dessa forma, o sistema ganha mais segurança em momentos de pico de consumo, sobrecarga ou eventos climáticos extremos.

O empreendimento inclui a ampliação das subestações Miguel Reale e Sul, além da implantação da nova Subestação São Caetano do Sul. A estrutura possui capacidade instalada de 800 MVA e papel central na distribuição da energia transmitida pelo projeto.

Obra subterrânea exigiu tecnologia em meio à região metropolitana

A execução de mais de 40 km de cabos subterrâneos em uma área metropolitana exigiu soluções de engenharia e logística para reduzir impactos no tráfego e na rotina da população. Por isso, a obra foi planejada para atravessar uma região urbana de alta complexidade.

A Subestação São Caetano do Sul foi construída em uma área de 11.800 m² e utiliza tecnologia GIS, sigla para Gas-Insulated Switchgear. Esse tipo de sistema ocupa menos espaço e gera menor nível de ruído, característica importante em áreas urbanas densas.

Equipe realiza instalação de cabos subterrâneos de transmissão de energia ao lado de torres elétricas em área urbana de São Paulo, durante a execução do Projeto Riacho Grande.
Instalação de cabos e estruturas de transmissão durante as obras do Projeto Riacho Grande, que ampliou a capacidade energética entre a capital paulista e o ABC. Foto: Isa Energia/Divulgação

A unidade atende mais de 2 milhões de pessoas e conta com três transformadores de 400 MVA. Dois equipamentos operam continuamente, enquanto um terceiro permanece em reserva para reforçar a confiabilidade da operação.

Torre de 120 metros e monitoramento em tempo real fazem parte da estrutura

O projeto também inclui uma torre de 120 metros de altura próxima à Represa Billings, além de interligações com subestações já existentes. Portanto, a obra combina trechos subterrâneos, linhas aéreas e estruturas de apoio em pontos estratégicos do sistema.

Os cabos subterrâneos contam com monitoramento em tempo real, voltado à operação e à manutenção da rede. Com isso, a infraestrutura permite acompanhamento técnico contínuo e resposta mais rápida em caso de anormalidades.

Durante a construção, o empreendimento gerou cerca de 2.200 empregos diretos e indiretos, segundo dados informados pela ISA Energia Brasil. O impacto energético veio acompanhado de movimentação de mão de obra em diferentes etapas de execução.

Linha reforça o Sistema Interligado Nacional em cenário de maior demanda

A entrada em operação ocorre em um momento de aumento da demanda por energia e de maior pressão sobre a rede de transmissão, especialmente em regiões metropolitanas. Segundo o ONS, projetos dessa natureza ampliam a flexibilidade operativa e reforçam a segurança do Sistema Interligado Nacional.

O Ministério de Minas e Energia avalia que a expansão da transmissão é essencial para acompanhar o crescimento do consumo e viabilizar a integração de novas fontes de geração. Nesse cenário, obras como o Projeto Riacho Grande ganham peso estratégico.

Com isso, a maior linha subterrânea de transmissão do Brasil passa a operar como peça relevante para reduzir riscos de sobrecarga, aumentar a confiabilidade da rede e reforçar o abastecimento de energia em São Paulo.

Afinal, em uma região onde consumo, indústria e população avançam juntos, uma obra subterrânea dessa escala pode redefinir a segurança elétrica urbana?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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