Sabesp investe R$ 1,4 bilhão em adutora de 38 km que ligará as represas Billings e Taiaçupeba para reforçar o abastecimento da Grande São Paulo.
Tubos gigantes de aço, com diâmetros de até 1,8 metro, estão sendo instalados sob vias públicas da Grande São Paulo para criar uma nova ligação entre duas importantes represas. A estrutura terá capacidade de transportar 4 mil litros de água por segundo, volume equivalente ao consumo de aproximadamente 1,9 milhão de pessoas.
Segundo a Agência SP, a Sabesp iniciou em janeiro de 2026 a Interligação Billings–Alto Tietê, empreendimento anunciado com investimento de R$ 1,4 bilhão. A obra permitirá transferir água entre reservatórios e ampliar a capacidade de resposta a períodos de estiagem na região metropolitana, onde vivem cerca de 22 milhões de pessoas.
Tubulações de até 1,8 metro vão atravessar dezenas de quilômetros da Grande São Paulo
A estrutura foi projetada para transportar grandes volumes de água por uma rede subterrânea de tubulações de aço, conhecidas como adutoras.
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No anúncio inicial, a Sabesp informou uma extensão de 38,1 quilômetros, com tubos de diâmetros entre 1,5 e 1,8 metro.

Uma atualização da Prefeitura de Suzano, divulgada em 9 de outubro de 2026, menciona 38,7 quilômetros de extensão total. O documento também detalha os trechos executados dentro do município.
Os tubos serão instalados principalmente sob vias públicas. O traçado busca reduzir interferências em propriedades particulares e permitir a manutenção da infraestrutura depois de concluída.
A dimensão das estruturas exige escavações, equipamentos para movimentação das peças e preparação dos locais de instalação.
A água sairá da represa Billings e seguirá até o reservatório Taiaçupeba
O ponto de partida será o braço do Rio Pequeno, localizado na represa Billings, em São Bernardo do Campo.
Nesse local, uma estação elevatória será responsável por captar a água e impulsioná-la através da tubulação.
O destino será a represa Taiaçupeba, em Suzano, integrante do Sistema Produtor Alto Tietê. Esse conjunto de reservatórios participa do abastecimento de diferentes municípios da região metropolitana.
A água transportada será bruta, ou seja, ainda não terá passado pelo tratamento necessário para consumo humano.
Depois de chegar ao sistema produtor, ela deverá passar pelos processos de tratamento antes de seguir pela rede de distribuição.
A interligação criará uma alternativa para movimentar água entre sistemas conforme as necessidades operacionais.
Quatro mil litros por segundo equivalem ao consumo de 1,9 milhão de pessoas
A capacidade máxima anunciada para a nova adutora é de 4 metros cúbicos por segundo. Cada metro cúbico corresponde a mil litros de água.
Isso significa que a estrutura poderá transportar até 4 mil litros por segundo quando estiver operando na capacidade prevista.
Em uma hora de funcionamento contínuo nessa vazão, o volume transportado chegaria a 14,4 milhões de litros. Em 24 horas, alcançaria 345,6 milhões de litros.
A Sabesp calcula que essa quantidade corresponde ao consumo contínuo de aproximadamente 1,9 milhão de pessoas.
O número não significa que somente esses moradores receberão a água transferida. A infraestrutura reforçará um sistema integrado que atende aproximadamente 22 milhões de habitantes.
A quantidade efetivamente bombeada dependerá das condições dos reservatórios e das decisões operacionais da companhia.
Estação de bombeamento utilizará energia elétrica para movimentar a água
Transportar água por dezenas de quilômetros exige equipamentos capazes de superar as diferenças de altura do terreno e a resistência encontrada dentro das tubulações.
Para isso, a obra inclui uma Estação Elevatória de Água Bruta, localizada às margens do braço do Rio Pequeno.
A unidade contará com equipamentos de bombeamento e uma subestação elétrica destinada a fornecer energia para a operação.
Segundo a Sabesp, a nova estrutura utilizará eletricidade, eliminando a dependência de usinas a gás empregadas em soluções temporárias anteriores.
A utilização de bombas elétricas permitirá controlar a transferência de água conforme as condições de funcionamento do sistema.
O consumo de energia continuará sendo um dos custos operacionais da infraestrutura. Seu valor dependerá da quantidade bombeada e do tempo de utilização.
Obras atravessam municípios do ABC Paulista e chegam até Suzano
O traçado divulgado originalmente pelo Governo de São Paulo mencionava São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano e Mogi das Cruzes.
Já os documentos ambientais e as informações municipais mais recentes concentram o percurso das tubulações em cinco municípios, sem incluir Mogi das Cruzes.
Em Suzano, a prefeitura informou que 13,3 quilômetros de tubulações fazem parte das intervenções previstas no território municipal.
Entre as vias atingidas estão as estradas do Pavoeiro, Santa Luzia, Tijuco Preto, Keida Harada e da Duchen, além das ruas dos Pinheiros e dos Angicos.
As intervenções acontecem de forma subterrânea e exigem planejamento para o trânsito e o acesso aos imóveis durante os serviços.
A represa Billings armazena mais água que todo o Sistema Cantareira
A escolha da Billings está relacionada à sua capacidade de armazenamento e à posição dentro da região metropolitana.
Segundo dados divulgados pelo Governo de São Paulo, a represa possui capacidade total de aproximadamente 1,13 trilhão de litros.
Os cinco reservatórios que compõem o Sistema Cantareira somam cerca de 982 bilhões de litros de capacidade.
Isso não significa que toda a água armazenada na Billings esteja disponível para consumo. A possibilidade de retirada depende de fatores ambientais, operacionais e da qualidade da água.
A localização também influencia o projeto. A represa fica próxima da capital e recebe contribuição de chuvas em uma região ligada à Serra do Mar.
A nova conexão permitirá aproveitar parte dessa disponibilidade para reforçar o Sistema Alto Tietê.
Uma estrutura permanente substituirá a solução temporária da crise hídrica
Durante a crise de abastecimento de 2014 e 2015, a Sabesp utilizou uma estrutura temporária para movimentar água entre reservatórios.
A transferência ajudou a ampliar as alternativas disponíveis naquele período de escassez.
A nova interligação foi concebida como uma instalação permanente, que poderá ser acionada conforme os critérios técnicos de operação.
A diferença está na existência de equipamentos e tubulações preparados para permanecer em funcionamento por períodos prolongados.
A companhia também pretende ampliar a flexibilidade entre os sistemas produtores Alto Tietê e Rio Grande, utilizando a disponibilidade hídrica do braço do Rio Pequeno.
A obra faz parte do Plano de Segurança Hídrica previsto nos compromissos assumidos após a desestatização da Sabesp, realizada em 2024.
Investimento anunciado chega a R$ 1,4 bilhão e envolve a Engeform
O Governo de São Paulo anunciou a interligação com orçamento de R$ 1,4 bilhão em janeiro de 2026. O investimento integra um conjunto de obras destinadas a ampliar a segurança do abastecimento metropolitano.
Em outubro, a Prefeitura de Suzano informou que os trabalhos são realizados em parceria entre a Sabesp e a Engeform Engenharia Ltda., mencionando investimento de R$ 500 milhões.
A publicação municipal não esclarece como esse valor se relaciona ao orçamento global de R$ 1,4 bilhão apresentado anteriormente pelo governo estadual.
Além da instalação das adutoras, o empreendimento prevê estação de bombeamento, subestação elétrica e estruturas necessárias à operação.
A Sabesp também mantém um programa mais amplo de investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário, com previsão de R$ 70 bilhões até 2029.
Qualidade da água e impactos ambientais exigem acompanhamento técnico
A transferência entre reservatórios envolve cuidados com a qualidade da água captada e com as condições do local que receberá o volume bombeado.
Em abril de 2026, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê aprovou um parecer técnico com recomendações relacionadas ao projeto.
O documento solicitou medidas para proteger os mananciais e evitar que poluentes presentes na Billings sejam transportados para a represa Taiaçupeba.
Também recomendou ampliar o acompanhamento da qualidade da água e adotar medidas para reduzir impactos ambientais durante a implantação.
O comitê questionou aspectos do estudo ambiental utilizado no licenciamento e pediu informações adicionais sobre travessias, nascentes e áreas protegidas.
Essas exigências integram o acompanhamento ambiental da obra e das condições necessárias à transferência de água entre os reservatórios.
O percurso da adutora envolve travessias de cursos d’água e áreas protegidas
O relatório ambiental analisado pelo Comitê do Alto Tietê identificou 51 cursos d’água que poderão ser atravessados pelo traçado da adutora.
Esses pontos exigem soluções de engenharia específicas, pois a instalação de tubos pode interferir em rios, córregos e áreas de preservação.
O projeto considera métodos de construção subterrânea que permitem atravessar determinados locais sem abrir valas em toda a extensão.
Essas técnicas podem diminuir a necessidade de remover vegetação e reduzir interrupções no trânsito.
O comitê também recomendou medidas de proteção ambiental no ponto de chegada da água à represa Taiaçupeba.
As preocupações incluem controle de sedimentos, proteção das margens e acompanhamento das possíveis alterações causadas pela entrada de água.
Sabesp prevê operação em 2027 e apresentará andamento da obra em audiência pública
A previsão divulgada pelo Governo de São Paulo é entregar a interligação em 2027. A Prefeitura de Suzano confirmou essa expectativa em comunicado publicado em 9 de outubro de 2026.
O município também anunciou uma audiência pública virtual para 13 de outubro, das 18h às 20h, destinada à apresentação do andamento das intervenções.
A reunião será conduzida pela Sabesp e permitirá que moradores acompanhem as informações sobre os serviços.
Até a entrada em operação, as etapas restantes incluem a conclusão das tubulações, a instalação dos equipamentos e os procedimentos necessários para iniciar o bombeamento.
Quando estiver disponível, a adutora poderá movimentar até 4 mil litros por segundo entre a Billings e o Alto Tietê, conforme as condições técnicas de cada sistema.

